
A 19 de outubro, estreou nas plataformas online o drama de Jeanne Herry «Lembrarei Sempre dos Vossos Rostos» sobre criminosos e pessoas que sofreram vários tipos de violência. Herry partilhou a cadeira de realizadora com outros realizadores nas filma...
Este ano saíram dois filmes terapêuticos — o espanhol e o italiano «O Primeiro Dia da Minha Vida». O francês «Lembrarei Sempre dos Vossos Rostos» entrou lindamente neste trio (e nas nossas vidas pecadoras também).
A 27 de julho, a comédia dramática espanhola «Do Que Falam os Desconhecidos» chega aos grandes ecrãs. Contamos como este filme divertido fala sobre o que é importante.
Open materialSomos apresentados ao sistema de justiça restaurativa em França. Criminosos condenados ou já libertados encontram-se com as suas vítimas ou com aqueles que sofreram exatamente o mesmo tipo de ataque. Estes encontros só são possíveis sob a orientação atenta de mediadores, que no filme também são três. Nisto podemos até ver um subtexto religioso.
Em termos de enredo, o filme divide-se em duas partes: dois mediadores e vários voluntários realizam conversas conjuntas com assaltantes que estão na prisão e com pessoas cujas vidas se dividiram entre o antes e o depois dos ataques, e uma mulher que ajuda a resolver um conflito muito sério entre uma irmã e um irmão.

Ser uma pessoa que está em ambos os lados dos conflitos e que deve levar todas estas pessoas a algum tipo de acordo comum é incrivelmente difícil. Requer muita energia, tanto moral como física, mas ao mesmo tempo dá uma profunda satisfação pelo trabalho realizado. E aqui temos novamente um triângulo isósceles — os três papéis sociais não podem existir uns sem os outros.
O que resulta disto pode ser visto no filme, que cumpre plenamente as expectativas depositadas em Jeanne Herry e na sua equipa cinematográfica. Vemos pessoas reais com os seus medos e preocupações, que se revelam corajosas porque, apesar de terem medo, dão passos primeiro tímidos e depois mais confiantes no reconhecimento dos seus sentimentos. Os mais variados — dor, horror, pânico, raiva e a consciência de que a vida continua. Mais uma vez, podemos ver como é importante e necessário falarmos uns com os outros de forma aberta e honesta.

Cada um dos heróis chega ao seu verdadeiro eu e descobre uma grande força interior. E todos juntos percebem que o apoio é a coisa mais valiosa que podemos dar uns aos outros. Claro, é uma conclusão bonita num mundo um pouco melhor e mais ideal que o nosso, mas porque não olhar para ele e pensar que podemos aproximar-nos dele?
Trailer:
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