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Em 19 de outubro, estreia nos cinemas russos «Planeta Máximus», a gravação do espetáculo de Alexander Petrov e da banda Ocean Jet. A declaração é pessoal e tocante, mas será que é interessante para um espectador externo? Contamos no artigo.

Palco meio vazio, no centro uma banheira cheia de água. Em algum lugar entre o público, um homem com uma fantasia barata de Homem-Aranha vagueia, murmurando algo ininteligível, depois vai para o palco. Assim começa «Planeta Máximus», um quase monólogo do roteirista, diretor e intérprete do papel principal (e não só) Alexander Petrov.

Depois de trocar de roupa para uma vestimenta casual e pegar uma caixa com a inscrição «Frágil», Sasha (como está escrito na tela) começa a contar a história de seu amigo Max, ocasionalmente assumindo sua persona. Ele conta sobre os relacionamentos do amigo com garotas, sobre como a doença o atingiu e, junto com ela, o amor verdadeiro, que na arte é sempre mais forte que a morte.

Planeta Máximus filme
Cena do filme «Planeta Máximus»

O desejo de eternizar a memória de um amigo dessa forma é tocante e louvável. A ideia de transformar essa história em um show multimídia, onde as cores explodem na tela misturadas com videoclipes, onde aparece e sem dúvida enriquece a ação a artista Ekaterina Channova, e ao fundo a banda Ocean Jet toca e canta ao vivo – é original. Mas parece que só no papel.

Se a música do Ocean Jet não levanta dúvidas, é linda e até a primeira música em russo da banda soa orgânica, toda a outra construção parece um castelo de cartas em constante construção, onde não se consegue erguer mais do que um ou dois andares.

A trama oscila entre esboços desajeitados, quase de comédia romântica, nos quais Max interage com garotas, decidindo a cada vez que aquela é a certa, até questões retóricas e de escala quase universal. Nesses momentos, o artista Petrov, como um messias, liga seu incansável megafone e começa a pregar sobre como nós, o público, devemos viver e por que cometer erros é normal.

Planeta Máximus 2023
Cena do filme «Planeta Máximus»

Com uma entrega de partir a aorta, Sasha recita poemas de sua autoria que, como todo o «Planeta Máximus», são sobre tudo ao mesmo tempo e sobre nada em essência. E muitas vezes não há pré-condições para tal entrega – nem roteirísticas, nem ditadas pela atmosfera, nem embutidas nos versos mal rimados.

Um ponto positivo indiscutível da multimidialidade do projeto são as dicas visuais sobre quem está falando naquele momento. De outra forma, é impossível entender se é Max ou o próprio Petrov quem está falando. Nenhuma metamorfose na atuação, nenhuma transformação entre os personagens – nada disso existe. E realmente – para quê? Quando as palavras carregam tanta emoção, e a pompa do artista, que quebra os punhos até sangrar mas não interrompe o espetáculo à la DiCaprio, ultrapassa todos os limites imagináveis.

Planeta Máximus assistir
Cena do filme «Planeta Máximus»

As tentativas de adicionar mais originalidade a uma trama simples e não muito coesa também parecem vulgares. Petrov anda pela plateia, flerta com as câmeras, grita na água enquanto a câmera o filma de dentro da tal banheira, interage com os músicos sem motivo aparente, e assim por diante. Se a intenção é quebrar a quarta parede, sair dos limites da narrativa clássica, então deve haver pelo menos um pingo de consciência e criatividade nisso.

Tendo em mãos uma história pessoal tão tocante, que realmente pode cativar, Alexander Petrov, um artista indubitavelmente carismático, infelizmente, puxou a brasa para sua sardinha, sem mostrar nada do que já não tivéssemos visto em sua atuação anterior. E isso é triste, pois a intenção era nobre, e a oportunidade de mostrar que cada pessoa é um planeta único estava literalmente na superfície.

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