
No dia 19 de outubro, estreia nos cinemas o filme de Mikhail Raskhodnikov "O Espírito do Baikal", uma parábola quase de conto de fadas sobre um pai e um filho metaforicamente perdidos em uma tempestade de neve. Contamos o que cativa neste trabalho.
Na trama do filme "O Espírito do Baikal", o menino Lyónka (Ilya Ryazanov) vai com seu pai David (Mosé Kurtanidze) para a aldeia do avô (Oleg Babuev) no Lago Baikal. Há pouco tempo, a família de Lyónka sofreu uma perda pesada – sua mãe morreu. O pai, que está passando pela tragédia, fechou-se em si mesmo e mergulhou de cabeça no trabalho, raramente prestando atenção ao filho, e quando o faz, é para criticá-lo por não querer crescer e não "usar a cabeça". Lyónka é uma criança comum e moderna, que não larga os gadgets, que o ajudam a se distrair do que está acontecendo. "Aqui dá para desligar a cabeça", ele diz, pegando o telefone mais uma vez.
Na aldeia, eles são recebidos pelo avô – um velho alegre, que ama ternamente Lyónka e vê nele seu sangue e traços familiares da filha falecida. O pai de Lyónka quer deixar o filho na aldeia por alguns dias, mas depois inicia uma conversa sobre uma separação mais longa. Lyónka fica chocado, e para distrair o neto dos pensamentos pesados, o avô o leva para pescar no Baikal congelado. Mas mal eles colocam as redes, uma forte tempestade cobre o lago. A velha UAZ do avô morre, e ele decide ir a pé até a margem – assim as chances de sobreviver são muito maiores. Enquanto isso, o pai, que não conseguiu partir, sai para ajudá-los.

"O Espírito do Baikal" foi dirigido por Mikhail Raskhodnikov, que já abordou repetidamente em seu trabalho problemas adolescentes ("Elástico"), lacunas geracionais ("Querido Papai") e temas comuns de alienação entre pai e filho ("Dificuldades Temporárias", "Casa Não Infantil").
Em "O Espírito do Baikal", Raskhodnikov consolida o que foi abordado anteriormente, fazendo com que pai e filho perdidos se procurem na escuridão gelada não apenas fisicamente, mas também espiritualmente. O roteiro foi escrito por Alexander Kuzminov, que ajudou Raskhodnikov em "Elástico", e a fotografia ficou a cargo de Semyon Amanatov, que trabalhou intensamente com os cineastas iacutos da nova onda ("Neve Negra", "O Sol Nunca se Põe Sobre Mim", "Não Me Enterrem Sem Ivan").
Graças à ótica de Amanatov, que já tem prática em paisagens invernais ofuscantes, "O Espírito do Baikal" adquiriu seu próprio estilo visual, com magníficos planos da natureza do lago de água doce, movimentos de câmera peculiares sobre as cabeças dos personagens, lembrando em parte o trabalho de Pavel Pogorzhelsky em "Solstício".

"O Espírito do Baikal" é totalmente desprovido de subtexto complexo. Os paralelos entre o frio da tempestade de neve e o frio na alma pela perda irreparável de um ente querido são óbvios demais para serem confundidos com outra coisa. O pai procura desesperadamente pelo filho, percebendo que ele é o único que lhe resta; o avô deseja sinceramente o bem a ambos e reza aos deuses pela salvação; e o menino encontra um filhote de foca e o ajuda a chegar até sua mãe. "Mas eu não tenho mãe", ele chora.
A união final da família, como nos filmes, acontece com o nascer do sol e, curiosamente, com um ataque simultâneo de lobos, contra os quais é preciso ficar juntos, porque eles atacam apenas os solitários.
Por um lado, essa leveza não complica a visualização, apesar dos toques de folclore local e, por vezes, de realismo mágico. Mas, por outro lado, o filme se submete a um sério teste de resistência, às vezes perdendo completamente a dramaturgia e literalmente deslizando sobre o gelo, na esperança de se agarrar a algo.
Isso se torna especialmente perceptível na cena claramente prolongada da busca pelo menino: os personagens gritam impotentes no escuro por um bom tempo, andando em círculos e repetindo as mesmas frases. O resultado é algo entre um filme de sobrevivência e um drama familiar, mas em ambos ainda falta algo (provavelmente, duração). E os criadores de "O Espírito do Baikal" não ofereceram outras ações narrativas nesse meio tempo.

Os personagens do filme se tornam figuras de um conto de fadas, ao redor dos quais, nas cristas de gelo, brincam os reflexos do sol, de vez em quando surge um brilho misterioso no céu, a escuridão é cortada por um raio solitário de lanterna, sinais deixados no gelo alertam sobre o perigo e depois ajudam a escapar do cativeiro gelado. Lyónka aqui é como o menino perdido Kai de "A Rainha da Neve", que deve derreter não apenas seu próprio coração, mas também o coração de seu pai. Não pode ser de outra forma, pois é desse conto de fadas que sempre queremos ver um final feliz.
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