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Vejamos exemplos na história do cinema em que os autores foram além dos enredos que descreveram, os alteraram ou expandiram para agradar ao público.

Parte do navio, parte da tripulação: como Bill Murray visitou "Cidade de Asteroides"

Frequentador assíduo dos filmes de Wes Anderson (pode-se dizer, parte de sua família na tela) Bill Murray no início das filmagens de "Cidade de Asteroides" contraiu COVID-19, o que impediu o ator de atuar diretamente no filme, mas não diminuiu em nada seu interesse pela obra do diretor. Já recuperado, Murray visitava o set de filmagem e se encaixava tão organicamente nos cenários construídos que Anderson simplesmente não podia deixar seu amigo de fora de "Cidade de Asteroides". A solução para a situação foi encontrada – uma cena de três minutos com Jason Schwartzman, na qual o personagem de Murray, Whitney, conta sobre o próximo lançamento do filme, do qual, infelizmente, as cenas com seu personagem foram cortadas.

Parte do navio, parte da tripulação: como Bill Murray visitou
Bill Murray e Wes Anderson

Precisamos de mais Toretto: a cena pós-créditos de "Velozes e Furiosos"

O número de partes da saga da gasolina tende ao infinito, e é por isso que a maioria dos espectadores comuns, que não se consideram fãs de Dominic Toretto, para quem as leis da família são mais fortes que as leis da física, dificilmente dirão qual é o número da parte da franquia em exibição. Ainda menor é o círculo de pessoas que sabem que as cenas pós-créditos não são uma tradição recente de "Velozes e Furiosos". Ainda na primeira parte das corridas de longa duração contra o senso comum, há uma cena pós-créditos. O espectador vê Dominic, que em seu carro corta o México, fugindo dos federais. Considerando que o personagem de Vin Diesel não aparece no segundo e terceiro "Velozes e Furiosos", tal cena é a cereja do bolo para os fãs mais ardorosos.

Velozes e Furiosos 2001
Cena da cena pós-créditos de "Velozes e Furiosos"

Psicoterapia para homens: esboço dos criadores de "Os Bons Companheiros"

Os principais momentos cômicos do filme "Os Bons Companheiros" são cultivados no terreno da desunião dos heróis forçados a se unir. Os personagens diametralmente opostos, o brutamontes resolvedor e o perdedor sensível, confrontando-se repetidamente com várias situações, entretinham o espectador, mas caminhavam metodicamente para a coexistência em equipe.

Mas, assim como os personagens na tela, os atores também precisam de sintonia, que um psicólogo pode ajudar a alcançar. É exatamente sobre as sessões de psicoterapia de casal que conta o vídeo, lançado antes da estreia do filme. Ryan Gosling e Russell Crowe se preparam para o lançamento do filme, e por isso recorrem a um psicólogo para obter ajuda na sua promoção. Souvenirs com a imagem de Gosling, Crowe extravasando raiva, a reflexão dos atores sempre tensos e, claro, um fluxo de piadas sob o controle de Melissa Rauch – tudo isso pode ser encontrado no vídeo de 9 minutos.

Os Bons Companheiros
Cena do vídeo

E ainda assim a mãe: final alternativo da série "Como Eu Conheci Sua Mãe"

"Como Eu Conheci Sua Mãe" é uma das sitcoms mais populares da atualidade, que ficou no ar por 9 temporadas. Durante todo esse tempo, Ted Mosby conta a seus filhos a história detalhada do encontro com a mãe deles. E embora Tracy (esse é o nome da mãe) apareça como personagem de pleno direito apenas na última temporada, o espectador se apaixonou pela atriz Cristin Milioti e pela dupla dela com Josh Radnor tanto quanto pelo casal Robin e Barney, cujo casamento o espectador acompanhou por uma temporada inteira.

Acompanhou para quê? Isso mesmo! Para no último episódio descobrir que Robin e Barney se divorciaram, Tracy morreu, e Ted contava a história "como amei a tia Robin a vida toda" aos filhos exclusivamente para obter a bênção deles para retomar o relacionamento romântico com ela.

Naturalmente, os fãs da série não ficaram apenas decepcionados com esse final, mas indignados. E a fúria atingiu tais proporções que os criadores da série tiveram que usar para o lançamento em DVD um final alternativo, no qual a mãe está viva, e Barney e Robin não se casaram em vão.

Como Eu Conheci Sua Mãe
Cena da série "Como Eu Conheci Sua Mãe"

"Alien: Covenant" – um prólogo religioso para um cinema religioso

Já circulam lendas sobre as referências religiosas nos filmes de Ridley Scott. Às vezes são tantas que não apenas colocam o enredo em segundo plano, mas até o substituem. O exemplo mais notável é a prequela em curta-metragem do filme "Alien: Covenant". O título "Prólogo: A Última Ceia" fala por si. Assim como a pintura de Leonardo da Vinci retratando a última refeição compartilhada por Jesus Cristo com seus discípulos, o trecho oferece ao espectador conhecer a tripulação e ver pela última vez todos os personagens da nave antes que os eventos do filme comecem – o "alienamento" da religião.

Prólogo: A Última Ceia
Cena do curta-metragem "Prólogo: A Última Ceia"

Sob o véu da intimidade: o beijo tão esperado para o público sentimental de "Orgulho e Preconceito"

A versão cinematográfica do romance "Orgulho e Preconceito" com Keira Knightley e Matthew Macfadyen nos papéis principais foi amada por muitos. A química entre os personagens é tão boa que muitos fãs da adaptação, contrariando as normas morais descritas pela própria Jane Austen, ansiavam por ver algo mais íntimo do que um leve toque de mãos de amantes sem luvas.

E para esses espectadores sentimentais, apaixonados pelo amor, o diretor Joe Wright criou um final incrivelmente terno, no qual o Sr. Darcy e Elizabeth, no silêncio da noite, desfrutam da companhia um do outro. Mas os conservadores adeptos da obra de Austen foram mais fortes, e por isso o beijo sensual dos protagonistas permaneceu como uma cena separada para alegria dos corações dos fãs mais ternos.

Orgulho e Preconceito
Cena da cena cortada

"A Era do Gelo" – a saga da bolota desejada

Em 2020, o estúdio Blue Sky foi comprado pela Disney, encerrando os projetos da outrora bem-sucedida equipe de animação. E embora o público já não apreciasse a linha de montagem chamada "A Era do Gelo", o status icônico dos primeiros filmes é difícil de negar, assim como o amor infinito por personagens individuais.

E por isso, um grupo de artistas da Blue Sky se uniu para, para alegria dos fãs, lançar aquele – pequeno, mas tão importante vídeo, no qual o esquilo Scrat come a bolota! Por pouco mais de vinte anos, essa bolota foi o catalisador de muitos eventos e catástrofes que ocorreram na franquia, e a persistência do esquilo pode ser citada como exemplo em cursos de motivação. Chegou a hora em que a atração ilimitada de Scrat deixou de ser em vão. Tanto ele quanto o espectador receberam sua bolota!

A Era do Gelo
Esquilo Scrat

Bem-vindo ao casamento real: continuação em curta-metragem de "Enrolados"

Como é de costume nos contos de fadas, o tempo de tela dedicado a revelar o problema e percorrer o caminho espinhoso dos amantes nos braços um do outro sempre prevalece sobre o "felizes para sempre", que se expressa na tela não mais do que um beijo e um casamento de um minuto.

Mas os criadores de "Enrolados" não privaram o espectador da oportunidade de espiar os bastidores da celebração, filmando o curta-metragem "Felizes para Sempre" – uma continuação direta da história, na qual o cavalo Maximus e o camaleão Pascal perdem as alianças de casamento. Embora a história se concentre nesses personagens, ela ainda dá ao espectador a oportunidade de ver o que outros filmes de animação permitem apenas vislumbrar, e ser um convidado no casamento real dos amados heróis.

Enrolados: Felizes para Sempre
Cena do filme de animação "Enrolados: Felizes para Sempre"

Vamos de novo, Igor, tudo...: mundos alternativos de "Major Grom"

Já em 2017, os diretores Vladimir Besedin e Maxim Malinin criaram um vídeo de cinco minutos intitulado "Aviõezinhos". Os eventos do curta-metragem se desenrolam em São Petersburgo, e o principal antagonista do filme "Major Grom: O Médico da Peste" convoca a soltar aviõezinhos de papel pelas janelas como uma demonstração do desejo de ver mudanças na consciência pública. Após o reboot da Bubble Studios, o filme original foi reformulado (mantendo alguns detalhes e personagens), e o teaser não tem mais uma conexão direta com ele, mas permanecerá para sempre como o catalisador da história.

E isso não é tudo! Que tal um filme de meia hora, lançado em 2017, no qual o papel de Igor Grom é interpretado por Alexander Gorbatov? Tornando-se agora uma espécie de dimensão alternativa do universo canônico, o filme tem um número considerável de visualizações no YouTube – 12 milhões.

Major Grom
Pôster do filme "Major Grom"

Já vimos isso: do curta-metragem "9" ao longa-metragem

Voltemos 14 anos atrás e lembremos como em 09.09.2009 foi lançado mundialmente o filme de animação "9". Criado no gênero steampunk, o filme de Shane Acker não apenas cativava com o tema de um universo alternativo da primeira metade do século XX e a imagem dos personagens – bonecos de pano – mas também assustava com a atmosfera de um mundo pós-apocalíptico, onde se luta contra máquinas pela sobrevivência. O drama de animação com um toque do estilo burtoniano durava menos de uma hora e meia e tinha pelo menos duas variações: mundial e russa.

Mas será que todos sabem que o próprio filme de animação é uma adaptação? Mais precisamente, uma versão estendida de si mesmo. Pois 4 anos antes, em 2005, Acker lançou um curta-metragem homônimo de 11 minutos, que tinha um pouco menos do espírito de Burton, um pouco mais do estilo de Švankmajer, foi criado em casa, mas transmite completamente a essência da história estendida já conhecida por todos. Vale notar que ambas as versões do filme de animação têm inúmeras indicações a vários prêmios, o que reflete a autossuficiência de cada uma, apesar da semelhança externa.

9
Cena do curta-metragem "9"

Bônus sombrio de bonecos

E já que o artigo menciona Tim Burton, lembremos que na filmografia do diretor também há um filme de animação que pode ser colocado na mesma fileira dos exemplos analisados acima.

Frankenweenie
"Frankenweenie" de 1984 e 2012

O filme "Frankenweenie" de 2012 tem sua origem em 1984, quando Burton criou um curta-metragem homônimo para o estúdio Disney. Na época, o filme, que é uma interpretação do "Frankenstein" de James Whale de 1931, foi rejeitado pelo estúdio, que considerou o material muito assustador para crianças, e o projeto foi engavetado até 1992, quando finalmente viu a luz em uma versão editada. E apenas 20 anos depois, Burton lançaria nos cinemas um remake, criando-o no seu característico ambiente sombrio, usando a técnica de stop motion.