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Após vários adiamentos, a Warner Bros. finalmente lançou seu blockbuster de verão 'Barbie' em formato digital, então agora podemos apreciar o filme em casa (e no cinema também). Tentamos não ficar para trás nas tendências, então também assistimos ao...

21 de julho foi uma verdadeira festa no mundo do cinema, pois nesse dia ocorreu a estreia mundial de 'Barbie' e 'Oppenheimer', e alguns meses antes do lançamento, a internet começou a se encher de vários memes, o que só aumentou o interesse pelos filmes. No final, esse fenômeno recebeu o nome de 'Barbenheimer', e os filmes concorrentes arrecadaram muito dinheiro (e ainda não pararam) e prejudicaram a bilheteria da nova parte de 'Missão: Impossível'. 'Barbenheimer' pode ser chamado sem medo de evento do ano no cinema, pois dificilmente algo o ofuscará.

Durante o período de exibição, 'Barbie' conseguiu arrecadar US$ 1,4 bilhão, tornando-se o filme de maior bilheteria da história da Warner Bros. Além disso, nenhuma diretora havia conseguido fazer um filme com bilheteria de bilhões, mas Greta Gerwig corrigiu isso, então agora seu filme está na 14ª posição dos filmes de maior bilheteria da história (talvez consiga subir ainda mais, quem sabe). Números assim são impressionantes, mas a Warner não planeja parar por aí e já iniciou uma campanha de marketing para indicar o filme ao próximo Oscar em todas as principais categorias. 'Barbie' é, sem dúvida, um sucesso não só do verão, mas de todo o ano; no entanto, se tirarmos os óculos cor-de-rosa do marketing, podemos perceber que o filme não é tão ideal quanto a própria boneca.

E a história?

Na Barbielândia, cada dia é um dia feliz. Aqui, quem manda são as Barbies. Elas voam para o espaço e constroem casas, governam o país e ganham todos os Prêmios Nobel, e estão completamente certas de que, graças a elas, no Mundo Real as coisas são igualmente boas, e cada mulher lá atinge alturas sem precedentes. As bonecas se consideram ícones do feminismo, porque se elas podem pilotar um avião e ocupar cargos nos mais altos órgãos de poder, as mulheres reais também podem. Já os Kens na Barbielândia têm um pouco menos de direitos – eles atuam como belos cenários e acessórios das mulheres. Em suma, uma utopia matriarcal com danças, músicas e festas femininas diárias.

Mas em uma bela noite, a Barbie Estereotipada (Margot Robbie) começa a ter pensamentos sobre a morte, algo que nunca havia acontecido. A partir desse momento, sua vida começa a mudar. Aparece um mau hálito, a torrada matinal de plástico queima, os pés ficam chatos e, nas pernas (oh, horror!), aparece celulite. Em busca de ajuda, a boneca corre para a Barbie Estranha (Kate McKinnon), que sobreviveu a jogos brutais com sua dona, e que conta sobre os 'portais' para o Mundo Real e a forte conexão entre o brinquedo e sua proprietária. Agora, a Barbie Estereotipada precisa, com a ajuda de várias trocas de transporte, ir para os EUA, encontrar a garota que brincava com ela e fazer tudo voltar ao que era antes.

Parece complicado, mas o medo da celulite faz Barbie se despedir de um monte de Barbies e partir. Já no caminho, ela descobre que no carro está escondido o Ken (Ryan Gosling) que está perdidamente apaixonado por ela, convencido de que sua ajuda pode ser necessária (afinal, e se houver uma praia? Ele é especialista nisso). Ao chegar ao Mundo Real, os heróis ficam chocados, pois aqui tudo é diferente do que as bonecas imaginavam. Barbie não é um ícone do feminismo, e as mulheres não trabalham na construção civil. Essa situação decepciona muito a Barbie Estereotipada, mas Ken claramente se sente confortável e corre para estudar o patriarcado, que (na opinião dele) é tão necessário para a Barbielândia.

Sou uma garota Barbie, adoro 'Dirol'

A Mattel (empresa fabricante de brinquedos) tentava levar 'Barbie' para o mundo do cinema desde 2009. Em 14 anos, o projeto passou por vários estúdios, vários diretores, roteiristas e atrizes principais, mas no final os direitos foram para a Warner Bros., e o texto ficou a cargo de uma dupla familiar formada por Greta Gerwig (que também assumiu a direção) e Noah Baumbach. Foram eles que levaram o filme a um sucesso tão estrondoso, embora o roteiro, é claro, tenha seus problemas.

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Ryan Gosling e Margot Robbie em cena do filme 'Barbie' (2023)

Em primeiro lugar, a Barbielândia é muito mal explorada no filme. Não está claro como ela se formou e como está ligada ao Mundo Real. Além disso, entrar nela não é problema algum, pois basta andar de patins por uma praia específica e depois, intuitivamente, pegar outro transporte.

Em segundo lugar, é muito mal explicado como as Barbies estão ligadas às suas donas, pois se cada boneca tem uma conexão com uma pessoa real, a população da Barbielândia é suspeitamente pequena. Além disso, não nos explicam nada sobre as visões das bonecas, já que em determinado momento a personagem de Margot Robbie simplesmente se senta em um ponto de ônibus, fecha os olhos e, do nada, começa a assistir às memórias de sua dona. Uma habilidade conveniente para o enredo, não há o que dizer.

Além disso, em 'Barbie', as subtramas são muito fracas. Se o roteiro lida mais ou menos com a história principal, acompanhar a trama secundária não é muito interessante. O relacionamento entre a mãe (America Ferrera) e a filha (Ariana Greenblatt), por exemplo, se resolve com um estalar de dedos. Se você prestar atenção, pode perceber que a garota se torna mais leal e compreensiva em um segundo simplesmente porque o texto exige isso.

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Simu Liu em cena do filme 'Barbie' (2023)

Quanto à história principal, o que mais sofre é o final, copiado de 'Pinóquio'. Só que aqui ele parece muito forçado, já que a personagem praticamente não muda ao longo do filme. Ela continua sendo a deslumbrante Margot Robbie de sempre (sobre isso, os criadores até inseriram uma metarreferência totalmente fora de lugar, quebrando a quarta parede). Em duas horas de crise existencial, não aconteceu nada que pudesse virar o mundo rosa interior da personagem de cabeça para baixo e levar a um final como esse, embora talvez eu esteja subestimando a celulite.

Era fato óbvio que 'Barbie' se tornaria um filme feminista aos olhos de Greta Gerwig, mas esse tema no filme ficou meio grosseiro, direto e mal desenvolvido. As heroínas gritam slogans genéricos e pintam os homens como idiotas. Não há um único personagem masculino positivo no filme, porque todos são colocados em moldes sexistas caricatos. Mas a questão nem é essa. É que da rainha do cinema independente, esperava-se algo mais sutil e espirituoso, e não um conjunto comum de clichês.

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Kingsley Ben-Adir, Ryan Gosling e Shuti Gatwa em cena do filme 'Barbie' (2023)

Talvez a diretora tenha considerado que o público em geral (e 'Barbie' foi definitivamente feito para um público amplo) não entenderia movimentos astutos e ideias autorais profundas, então precisava entregar tudo da forma mais mastigada possível. É uma pena, pois o projeto poderia ter sido um exemplo exemplar de filme feminista socialmente crítico com uma sátira sutil aos homens. No entanto, não se pode dizer que o filme não tenha nenhum ponto positivo, pois isso seria uma mentira descarada.

Sou um Barbie Ken, não sou roqueiro nem policial

Em primeiro lugar, gostaria de elogiar todos os atores, que interpretaram muito bem seus papéis e se encaixaram perfeitamente na Barbielândia de brinquedo. O filme está cheio de nomes famosos, é difícil listar todos. Temos o amado Scott Pilgrim – Michael Cera, as estrelas de 'Sex Education' Shuti Gatwa e Emma Mackey, e um super-herói (Simu Liu) com um supervilão (Kingsley Ben-Adir) da Marvel, a cantora Dua Lipa, e até mesmo o parecido com Tarzan (que é marido de Natasha Koroleva, não um personagem de livro) John Cena apareceu em uma participação especial.

Mas, naturalmente, quero focar em Margot Robbie e Ryan Gosling. Ela é a Barbie ideal, ele é o Ken ideal, e não há discussão sobre isso. É um axioma, não um teorema. Qualquer crítica a esses dois nem precisa ser levada a sério, porque é impossível imaginar candidatos melhores para os papéis. Além disso, eles atuaram de forma simplesmente magnífica. Às vezes, Gosling pode exagerar na ironia sobre seu personagem, mas isso não importa, pois seu Ken é maravilhoso e engraçado.

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Michael Cera em cena do filme 'Barbie' (2023)

A propósito, o humor do filme também está em ordem, se não levarmos em conta as piadas muito pesadas contra os homens, mencionadas acima, e a autoirônia muito suave e artificial das grandes corporações. 'Barbie' realmente consegue fazer rir, e não com o humor mais idiota. Por exemplo, fiquei agradavelmente surpreso com a forma como os criadores brincaram com a cena da escolha da pílula de 'Matrix'. A propósito, há muitas referências aqui, o que também é definitivamente um ponto positivo. O filme até começa com uma paródia de Kubrick, deixando claro que nas próximas duas horas o público terá uma comédia animada.

Outro ponto forte do filme é a trilha sonora, que inclui faixas animadas e memoráveis. O destaque do álbum é, sem dúvida, 'I'm Just Ken' interpretada pelo deslumbrante Ryan Gosling. A música é um sucesso absoluto, que gruda na cabeça por muito tempo (é bom que Gosling não tenha morrido no final de 'Drive', senão não estaríamos ouvindo esse hit agora), e isso considerando que no tracklist podemos ver artistas como Tame Impala, Nicki Minaj, Khalid, Billie Eilish e a própria Dua Lipa.

No entanto, a maior conquista de 'Barbie' é a imagem magnífica, da qual é impossível não se apaixonar. É uma loucura rosa nostálgica. Por esse trabalho na cenografia, o filme e a diretora de arte Sarah Greenwood têm pelo menos uma indicação ao Oscar (senão a própria estatueta). Essa abordagem meticulosa para recriar o mundo ajuda o público não apenas a acreditar que a Barbielândia é um brinquedo de plástico em grande escala, mas também a entender que o mundo das bonecas está preso no tempo em que o primeiro modelo da Barbie foi lançado, ou seja, 1959. Portanto, Gerwig praticamente abandonou a computação gráfica e filmou em cenários reais, usando as possibilidades do cinema da época para transmitir perfeitamente a atmosfera da história sobre bonecas.

O filme também tem um ótimo fan service, se é que podemos chamar assim. Todos os personagens aqui têm um protótipo real de boneca que foi produzido pela Mattel. Por exemplo, no filme aparecem a sempre grávida Midge (Emerald Fennell), a Barbie com monitor nas costas e câmera no peito (Mette Towley), Sugar Daddy Ken (Rob Brydon) e muitos outros (durante os créditos, você pode conferir um pequeno catálogo de produtos).

A propósito, o filme, surpreendentemente, não se transforma em um comercial de duas horas da Mattel, mas dedica alguns minutos a um anúncio da Chevrolet durante a cena de perseguição. Os carros estão sempre com o logotipo virado para a câmera, então só falta Helen Mirren, que atua como narradora, falar sobre as vantagens de um determinado modelo nesse momento. E você achava que anúncios absurdos só eram colocados em filmes na Rússia? Não, em Hollywood também sabem torná-los inapropriados, como se vê.

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Margot Robbie em cena do filme 'Barbie' (2023)

Por último, quero mencionar mais uma participação especial de uma pessoa sem a qual o filme 'Barbie' simplesmente não existiria. No filme, aparece e cruza com a personagem de Margot Robbie em uma cena, a filha da criadora do brinquedo Ruth HandlerBarbara Handler, que serviu de protótipo para a primeira boneca. Ou seja, no filme, a Barbie real encontra sua personificação cinematográfica, e acredite, é uma cena muito fofa.

E no final das contas?

'Barbie' é um exemplo brilhante (rosa brilhante) de como uma campanha de marketing em simbiose com memes levou o filme a um sucesso incrível. O filme mereceu todos os louros? Questão controversa. Ficou ruim? Antes não do que sim. Poderia ter sido melhor? Sem dúvida.

Com certeza, só podemos dizer uma coisa: a Warner Bros. está ativamente registrando lucros e fazendo um brainstorming para expandir o Barbieverso (ou Kenverso, como preferir). Antes mesmo da estreia, começaram a falar sobre um spin-off sobre o Ken interpretado por Gosling (a probabilidade de um Ken-verso aumentar significativamente), e agora também podemos supor que sairá uma sequência, uma prequência e algum tipo de Barbiequência.

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