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Nos cinemas, o novo filme de ação de Nimród Antal, «Reféns», com o incansável Liam Neeson, que parece não pretender parar de replicar a imagem do salvador de todos, em todo lugar e ao mesmo tempo.

O rico corretor Matt (Liam Neeson) começa uma manhã ensolarada em Berlim golpeando um saco de boxe. Na TV, passam notícias alarmantes sobre mais uma explosão de carro que matou uma pessoa. Mas Matt pouco se interessa pelas notícias da cidade: ele está mais preocupado com a importante ligação de trabalho que precisa fazer hoje. E se essa ligação der errado, sua família terá que apertar os cintos, pois os negócios na empresa onde Matt trabalha não vão bem ultimamente.

E ainda por cima, a esposa pede para ele deixar as crianças (e Lily Aspell) na escola no caminho. Irritado e distraído, Matt com dificuldade coloca os filhos no carrão, um Mercedes premium, e segue para o destino. Só que ele não consegue ir longe. No carro, o telefone toca e uma voz sinistra avisa Matt sobre uma bomba instalada no veículo.

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Evgeny Belousov
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Cena do filme «Reféns»

Sair do carro não pode, desligar o telefone não pode, paradas só sob ordem, seguir as instruções rigorosamente — senão a explosão é inevitável. Pelo caminho, Matt terá que aprender uma «lição de autoconhecimento» nas mãos do desconhecido, e ao mesmo tempo descobrir rapidamente — a quem ele irritou tanto e salvar a si mesmo e aos filhos da morte.

Na última década, os filmes com Liam Neeson se tornaram parecidos entre si, fundindo-se num único filme infinitamente longo que passa na tela, dividido em partes por conveniência. Nele, o protagonista brutal, à beira do desespero, sempre encara o perigo com tensão, lutando pelo pouco que lhe resta na vida após uma série de tragédias pessoais ou dificuldades cotidianas.

As fronteiras do gênero limitam rigorosamente Neeson e os diretores que trabalham com ele de migrar para outro território. Portanto, em cada novo (velho) filme com o bom ator, a questão se resume apenas às circunstâncias hipotéticas. Nesse sentido, «Reféns» está ao lado de «Velocidade Máxima», «Locke» (aqui Neeson, como Tom Hardy, também negocia constantemente ao volante) ou «Cabine Telefônica».

Com domínio deficiente do ofício, tudo isso se transforma num espetáculo forçado e pouco interessante, mas com bom domínio — no mínimo, numa categoria «B» sólida, que ao assistir não causa constrangimento. Mas «Reféns» se enquadra mais no segundo caso (com algumas ressalvas, claro).

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Cena do filme «Reféns»

Essas ressalvas dizem respeito à estrutura do filme — ela é muito frágil, por isso o diretor Nimród Antal («Predadores») tenta não fazer longas pausas, conseguindo dar as explicações necessárias enquanto o motor do carro perigoso não morre de vez junto com a trama. Ao redor, tudo ocasionalmente faísca, carros de luxo explodem, a Europa arcaica serve de cenário no espelho retrovisor, a câmera gira confiantemente em torno do rosto de Neeson, e ele próprio atua sem a habitual reputação de ex-agente especial, mas se assusta genuinamente com a voz terrível do desconhecido, a ponto de suas mãos tremerem no volante.

Mas quando ele pega uma arma (apenas uma vez em todo o filme), a máscara fingida de timidez de um civil típico desaparece instantaneamente, e por um segundo, o Neeson de antes, imitando o olhar severo de Clint Eastwood, olha da tela. Afinal, se você passa décadas salvando alguém, atirando e lutando constantemente, isso não se apaga com nada.

«Reféns», claro, não é um exemplo do gênero e, provavelmente, será rapidamente esquecido após o lançamento do próximo filme com o robusto irlandês de 70 anos. Mas quando mais será possível ver na telona um filme de ação compacto, animado e direto, onde executivos de elite mentem descaradamente até para si mesmos, se sufocam por uma fatia maior do bolo, e o protagonista, além de tudo, salva seu casamento da ruína sem tirar o pé do acelerador?