
Alguém na Apple TV+ claramente ama muito ficção científica, transformando o streaming em uma meca de projetos sci-fi. Recentemente, a plataforma lançou a série 'Silo' sobre um mundo pós-apocalíptico onde as pessoas vivem em um abrigo subterrâneo. Com...
Diante de nós está um futuro em que as pessoas são forçadas a viver em um enorme abrigo com centenas de andares. Neste silo, isolado de tudo externo — tão desfigurado e estragado que não há mais lugar para nada vivo — os colonos subterrâneos equiparam um novo mundo com suas próprias regras e normas. Reinava paz e ordem até que, um dia, algumas pessoas começaram a duvidar da verdade incontestável — que sobreviver fora do bunker é impossível. E na casca impenetrável do abrigo começam a aparecer 'rachaduras'.
O streaming Apple TV+ continua firmemente lançando novos projetos de ficção científica, claramente sem economizar financeiramente. A plataforma investe não apenas em computação gráfica de qualidade, sem a qual qualquer sci-fi pareceria triste, mas também no elenco. E se em carros-chefe da ficção científica como 'See' (Jason Momoa), 'For All Mankind' (Joel Kinnaman) e 'Foundation' (Lee Pace) eles apostaram principalmente em um ator conhecido, em 'Silo' o streaming finalmente escolheu uma atriz — Rebecca Ferguson. Pelo que lhes agradecemos especialmente, pois ela simplesmente brilha nesta série.
Ferguson mudou completamente sua plasticidade de movimentos, trabalhou na expressão facial e na voz. Na maioria das vezes, ela recebe papéis de mulheres fortes e obstinadas, e a personagem Juliette em 'Silo' não é exceção, mas aqui ela é diferente: não é da elite como em 'O Rei do Show', não possui um dom único como em 'Duna' ou 'Doutor Sono', e muito menos é uma espiã treinada como em 'Missão: Impossível'. Em 'Silo', acrescentam-lhe outras cores: ela é simples, um tanto rude, reservada, sem ambição de conquistar alturas, satisfeita com a vida nos andares inferiores do bunker. O que tem é suficiente para ela, mas o destino faz com que ela tenha que sair de sua casca e tomar decisões arriscadas. Ferguson trabalha habilmente em parceria com outros, sem atrair toda a atenção para si, sendo parte deste mundo pós-apocalíptico.
Já que começamos pelo bom, continuemos assim. 'Silo' é um show baseado nos livros homônimos de Hugh Howey. Ao contrário de 'Foundation', que se afastou muito das histórias contadas nos romances de Isaac Asimov, a nova série da Apple TV+ tenta seguir as linhas da trama da fonte literária.
Ao começar a assistir 'Silo', uma associação vem à mente: você involuntariamente compara seu principal abrigo pós-apocalíptico com a Torre de Babel. Mas se a grande construção da tradição bíblica era destinada a unir as pessoas, na série a escada central do bunker desempenha o papel de principal divisor. A sociedade aqui é dividida por andares de acordo com a ocupação principal: por exemplo, mecânicos nos andares inferiores, e a principal instância judicial e a liderança nos superiores. Claro, dependendo do nível, as condições de vida também mudam. Não é proibido se mover entre os andares, mas para descer do topo até embaixo, é preciso gastar um dia ou mais, não há elevador, e as pessoas geralmente não saem de sua zona de conforto. Futuro é futuro, mas a desigualdade social está na programação.
Esse subtexto sugere uma ideia relacionada — o apocalipse não nos torna piores ou melhores. Talvez apenas às vezes agrava o que já estava dentro. As pessoas continuam sendo pessoas independentemente das circunstâncias: elas também mentem, amam, matam, fazem o bem e cometem atos irracionais. Outras ideias que não perdem relevância em 'Silo' incluem a importância das fontes de energia e a importância do passado para avançar em direção ao futuro. A narrativa da série se desenrola em torno de vários elementos da trama, um dos quais são as relíquias — objetos do mundo anterior, quando não havia apocalipse. Esses itens são estritamente registrados em um banco de dados geral e proibidos para uso pessoal. É uma metáfora mais prática e direta para a frase 'conhecimento é poder'.
Mas os criadores de 'Silo' não conseguiram evitar uma colher de alcatrão. Primeiro, você terá que aguentar os primeiros dois ou três episódios, enquanto a série se ajeita nos trilhos e ganha velocidade. Os autores abordaram com muito cuidado e meticulosidade a construção da exposição geral, para apresentar ao espectador o mundo e os personagens de 'Silo'. Portanto, no início, o show pode parecer arrastado e lento. Porém, quanto mais perto do final, mais dinâmica a história ganha.
Em segundo lugar, um enredo interessante e complicado é ao mesmo tempo uma alegria e uma maldição para a série. Mistérios e enigmas atraem e despertam a curiosidade do espectador, mas no final da primeira temporada, nem todos são revelados. Nesse aspecto, lembra outra série de ficção científica, 'Severance', que foi criticada por ter muitos segredos lançados, mas não resolvidos (e pelo cliffhanger final, nem mesmo os fãs elogiaram). A única salvação aqui é a notícia de que 'Silo' foi renovada para uma segunda temporada, o que significa que ainda há chance de descobrir a verdade.
No final, o novo projeto da Apple TV+ com Rebecca Ferguson resultou em um drama de ficção científica bonito e moderadamente sombrio, repleto de reviravoltas e vários subtextos ideológicos. Com ótimos gráficos, elementos de ação e atores marcantes. Se você gosta de projetos de ficção científica onde as pessoas tentam sobreviver em um espaço fechado, e o principal monstro e inimigo é outro ser humano, não uma criatura misteriosa, então 'Silo' tem algo a oferecer. Mas esteja preparado para quebrar a cabeça.
Comentários
0Ainda não há comentários.
Entre para participar da conversa.