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Estreia nos cinemas o melodrama dinamarquês 'Copenhague não existe', cuja estreia mundial aconteceu no Festival de Cinema de Roterdã, e a estreia em Moscou ocorreu há alguns dias no Summer Cinema by KION. Sobre os méritos inesperados desta fita tranq...

Sander está sentado à mesa em uma casa ricamente mobiliada e não consegue satisfazer a curiosidade de um homem corpulento com suas respostas. Esse homem, ao mesmo tempo, quer muito saber e não quer saber de nada. O caso é que Sander é o namorado de sua filha Ida, que desapareceu em circunstâncias misteriosas há três meses. O pai, interpretado pelo notável ator de personagens Zlatko BurićCowboy de Copenhague», «Triângulo da Tristeza»), ora suspeita de Sander, ora o acusa de algo, mas acredita firmemente que a filha voltará, que ela simplesmente saiu de Copenhague, como prometeu por telefone pouco antes do desaparecimento.

O desdobramento gradual do passado é o foco do filme de Martin Skovbjerg, e graças à sua estrutura interessante (o roteiro foi escrito por Eskil Vogt, um grande mestre, coautor do excelente romcom existencial 'O Pior Vizinho do Mundo' e diretor do noir original 'Cega') e à montagem poética, o passado não é apenas mostrado em flashbacks, mas também se sobrepõe ao presente, encobrindo-o. 'Copenhague não existe' é um filme sobre o passado, filmado também — no passado. O amor não pode ser recuperado, a amada também não, e tanto o pai quanto o amante de Ida reviram, dissolvendo-se neles, momentos escolhidos de suas biografias, nos quais o fantasma de uma imagem triste dessa garota esquiva cintila.

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Roman Kovalev
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'Copenhague não existe' é, claro, um exemplo clássico do melodrama escandinavo, com sua fluidez, enredo emaranhado e superioridade da forma sobre o conteúdo, mas é também, na mesma medida, um suspense existencial. Assim o filme é chamado em inúmeras descrições e, no geral, não estão mentindo. E como em um verdadeiro suspense existencial (veja 'Blow-Up', o exemplo mais puro do gênero), a principal questão que se coloca diante dos personagens não é 'o que aconteceu', mas 'como viver com isso a partir de agora'.

Alguns personagens não veem outra saída senão, na verdade, não viver mais, e no momento em que esse pensamento finalmente é articulado de forma clara, quase como um título especial, o filme floresce em toda a sua beleza triste e um tanto murcha. O que é mais fácil — viver em Copenhague ou sair de lá, não viver de jeito nenhum? É preciso mais coragem para continuar tentando viver com a estranha dor de alguém que entendeu algo errado sobre a vida, ou para desistir dessa tortura eterna?

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Essas não são as perguntas mais originais (no mesmo Reino da Dinamarca, a questão 'ser ou não ser' já foi, geralmente, considerada), mas são feitas com uma entonação comovente, e graças a elas, esse filme, em alguns trechos confuso, em outros abertamente arrastado, se eleva um pouco acima da exibição cinematográfica, lembrando até o grande filme 'Não Olhe Agora' (pelo traje vermelho da heroína e pelo pôster, parece que Skovbjerg se inspirou na obra-prima de Roeg). Os heróis se recusaram a olhar para o mundo ao redor — viveram quase sem sair do apartamento de Ida por um ano, tentaram fugir dessa realidade para outra, mais honesta, mais correta.

E agora, com o desaparecimento de Ida, Sander e o pai dela fogem da realidade da mesma forma — só que agora não para aquela onde Copenhague não existe, mas para o passado. Passam horas sentados e relembram suas próprias vidas, que ainda não passaram, mas já terminaram, não apenas lembrando de Ida, mas reinventando-a.

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Quem ela era? Como ela era? Só sabemos dela através de memórias fragmentadas e imprecisas. Ida é interpretada por Ângela Budanović, então ela era, claro, hipnotizante. É difícil notar isso na série 'Cowboy de Copenhague', onde Budanović interpreta uma jovem médium de natureza claramente sobrenatural, mas a atriz tem um encanto triste e cativante. Durante grande parte do filme, ela aparece na tela por meio minuto para desaparecer imediatamente, e fala muito pouco, mas seus sorrisos abafados, poses estranhas e olhos perdidos dizem tudo, e até a história de Sander, que esclarece o que realmente aconteceu, é na verdade completamente desnecessária — basta olhar para a tela.

Aliás, isso foi o mais difícil para o público na estreia: duas garotas sentadas atrás de mim estavam, basicamente, entediadas, e uma delas até sugeriu que a amiga fosse embora. Mas a outra respondeu tristemente: 'Não, não, isso tem que acabar de alguma forma'. Em certo sentido, ela está certa, mas talvez não.

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Tudo isso realmente acabou? Poderia ter acabado? Será que algum dia terminam os jantares fracassados com amigos enfadonhos; conversas com um pai estranho que não entende nada; frases ditas fora de hora, filmes assistidos em vão, fins de semana perdidos? Ou eles não desaparecem, ficam, fundindo-se à paisagem, para sempre, para depois se lembrarem de si mesmos?

A saudade acaba algum dia? Essa é, talvez, a questão central que os personagens do filme tentam responder e não conseguem. O filme em si, aliás, contra as expectativas, terminou como deveria, e o final é um grande acerto. Porém, já nos créditos, no pátio do bar Strelka, a tragédia silenciosa alheia foi substituída, como muitas vezes acontece, por uma discoteca nacional.