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Documentários sobre a natureza estão entre os mais fascinantes do cinema. Mas, muitas vezes, do ponto de vista do enredo, eles não são particularmente notáveis, e a história se desenvolve seguindo fórmulas padrão. O novo filme 'Baleias: Guardiãs do P...

Em 8 de junho, estreia nos cinemas o documentário do diretor francês Jean-Albert Lièvre, 'Baleias: Guardiãs do Planeta'. É uma história incrivelmente bela e comovente sobre a vida desses enormes habitantes marinhos, filmada nos mais diversos cantos do planeta — Groenlândia, México, Argentina, Polinésia, Bretanha, Mar Mediterrâneo, Normandia, África do Sul, Austrália, Tonga, Kamchatka, Antártida, Noruega e Havaí. A ampla geografia das filmagens permitiu que a equipe mostrasse paisagens fascinantes, fenômenos naturais raros e, claro, as mais diversas espécies de baleias. O filme nos apresenta baleias jubarte, azuis, cinzentas, da Groenlândia e cachalotes.

As filmagens subaquáticas são sempre bonitas, pois revelam o mundo de difícil acesso da flora e fauna marinhas. E você mergulha com prazer nessas profundezas oceânicas que o envolvem. Mas o filme de Lièvre tem seu toque especial — tomadas invertidas impressionantes. Parece um detalhe pequeno, mas isso muda completamente a percepção, e você parece ver pela primeira vez águas já conhecidas (por exemplo, da cena anterior) do Oceano Pacífico. Essas imagens literalmente fazem a cabeça girar e destacam a graciosidade e elegância dos gigantes marinhos.

Baleias: Guardiãs do Planeta

A impressão do filme é reforçada pela trilha sonora cuidadosamente selecionada. Tradicionalmente, em documentários sobre a natureza, usa-se música instrumental melódica que tenta realçar a sensação de liberdade, harmonia e beleza que emana das filmagens da vida selvagem. Em 'Baleias' francês, a música não complementa, mas ajuda a contar a história, criando um clima e uma atmosfera especiais.

As melodias viajam pelo oceano cinco vezes mais rápido do que o som pode viajar pelo ar — contam no filme.

Aqui, as baleias navegam pelos oceanos e mares não apenas ao som de composições para piano, mas também com melodias pop, jazz e música eletrônica. Há até rap, que incorpora elementos dos cantos das baleias. O filme também reserva uma surpresa para os fãs de fantasia: em uma das cenas, soam motivos musicais familiares do tema principal da minissérie 'O Décimo Reino'.

E, claro, muito tempo é dedicado à reprodução dos próprios cantos das baleias — um karaokê de baleias, como é chamado no filme.

O mundo das baleias não é um mundo de silêncio. Mares e oceanos são suas salas de concerto.

Baleias: Guardiãs do Planeta

Mas, talvez, o principal que diferencia este filme de muitos outros seja quem é o narrador — a história é contada do ponto de vista de uma baleia. Ela tenta entender por que os humanos fazem o que fazem. Esses animais marinhos vivem por séculos e testemunham muitos eventos no planeta. E, através do olhar da baleia, o filme parece apelar para a empatia humana, convidando a mergulhar em seu mundo e sentir toda a alegria e dor, felicidade e medo com que esses mamíferos vivem. 'Baleias: Guardiãs do Planeta' clama pela humanidade, para que os gigantes marinhos comecem a ser tratados como parentes, e não como inimigos ou meros recursos. E graças à voz calma, profunda e com entonações sutis de Sergei Burunov, que dubla a narração, a história parece mais terna e emocional.

Essa ótica do filme, onde a baleia se torna a narradora, permite que o ser humano veja de outra forma a distribuição habitual de forças no mundo. O próprio diretor parece tentar ver e sentir o mundo marinho como uma baleia faria. Como elas amam, se comunicam, no que pensam e o que querem dizer — como vivem essas criaturas enormes?

Baleias: Guardiãs do Planeta

E quanto mais se ouve esse monólogo solitário, mais se percebe que há muito mais em comum entre baleias e humanos do que parece. Elas têm sua própria língua, suas redes sociais, diferentes 'povos', cuidam e protegem, educam e transmitem sua história às gerações.

Quando os gigantes desaparecem, a vida se torna superficial — diz o filme.

Mas o filme também faz refletir não apenas sobre o mundo ao redor, mas sobre nós mesmos. 'Baleias: Guardiãs do Planeta' acaba sendo uma declaração sutil sobre a natureza humana. E, graças ao olhar da baleia, isso não soa como mais uma opinião de uma pessoa com um elevado senso de dever e justiça, mas faz pensar sobre o futuro de um mundo onde os humanos se consideram o ápice da evolução. O autor não esconde sua ideia — os humanos têm o que aprender com os guardiões marinhos: como viver em harmonia com seus semelhantes, usar os recursos com sabedoria e preservar o que se tem.

Claro, não faltam discussões sobre a proteção da flora e fauna marinhas: sobre a poluição dos oceanos e a caça às baleias, que ainda existe. Mas o diretor Jean-Albert Lièvre não tenta pressionar com culpa ou fazer acusações; ele quer que o espectador não apenas entenda com a cabeça, mas sinta essa dor com o coração.

Do espaço, nosso planeta é azul. O planeta não é território dos humanos, mas das baleias.

Baleias: Guardiãs do Planeta

'Baleias: Guardiãs do Planeta' é um diálogo sincero entre o espectador e um dos maiores e mais poderosos animais do mundo, que são, ao mesmo tempo, um dos mais indefesos. O documentário é permeado de amor e respeito por essas criaturas e por todo o planeta. E a história final sobre o resgate de uma baleia não é apenas um belo acorde final, mas também um símbolo de esperança por um futuro melhor, tanto para as baleias quanto para os humanos.

Assista ao documentário 'Baleias: Guardiãs do Planeta' nas telonas a partir de 8 de junho, graças à distribuidora Russian World Vision.