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A equipe do 'After Credits' se despede da série 'Guardiões da Galáxia' e presta sua homenagem.

A trilogia Guardiões da Galáxia de James Gunn chegou ao fim, por mais que não quiséssemos. O próprio Gunn está indo construir outro universo cinematográfico de quadrinhos, e nos resta refletir sobre a equipe de outsiders coloridos que conquistou os corações do público.

A equipe do 'After Credits' reflete sobre o que os 'Guardiões da Galáxia' deixarão para trás, além de compartilhar emoções e histórias pessoais relacionadas a esta série incrível, onde até uma árvore falante pode arrancar lágrimas de quem assiste.

Aviso: o texto contém spoilers da franquia 'Guardiões da Galáxia'

– Como 'Guardiões da Galáxia' influenciou o gênero de filmes de super-heróis?

Ivan Kilyakov acredita que a marca de Gunn ainda está por deixar sua marca na história:

Conceitualmente, 'Guardiões da Galáxia' não influenciou particularmente o gênero — não se compara ao 'Homem de Ferro' em escala de influência, claro. Mas James Gunn, nesses filmes, encontrou seu próprio estilo autoral — uma mistura de trash de baixo orçamento no estilo da ficção científica dos anos 50, referências à cultura pop (no caso de 'Guardiões', 'Star Wars' foi especialmente visado, naturalmente) e o sentimentalismo de um fã que teve permissão para refilmar seus filmes favoritos da infância, mas cuja infância já passou.

E esse estilo autoral de James Gunn certamente ainda influenciará o gênero de filmes de super-heróis — afinal, deram-lhe todo o DC para isso.

Guardiões da Galáxia filme

Vitaly Gizatullin também aprecia a habilidade de Gunn em misturar gêneros e fazer filmes verdadeiramente divertidos:

James Gunn criou um filme falante, barulhento, divertido e despreocupado, sem qualquer indício de seriedade, ao contrário de quase todos os principais filmes de super-heróis antes de 'Guardiões'.

O diretor brinca o tempo todo com as emoções do espectador, girando um carrossel de gêneros à moda de uma leitura de aventura pulp — leve, simples e memorável, sem esquecer suas preferências cinéfilas, recheando o filme com referências à ficção científica psicodélica dos anos 70 e 80, juntamente com excelentes números musicais.

Evgenia Smykova apoia a ideia do frescor retrospectivo de 'Guardiões':

Em 2014, 'Guardiões da Galáxia' foi uma lufada de ar fresco na tendência já estabelecida de que o cinema de super-heróis deve ter um significado profundo e atender às demandas da sociedade. Era um projeto de um fã de filmes de ação de ficção científica para outros geeks como ele.

Ao assistir a qualquer uma das partes, parece que você está assistindo a filmes de ação dos anos 90 com seu pai novamente, algo como 'O Demolidor', até o Stallone está aqui.

Mesmo nos 'Vingadores' em geral, as cenas com os 'Guardiões' foram escritas pelo próprio Gunn, o que quebrava o estilo narrativo, e novamente era aquela lufada de alegria e nostalgia no crossover mais pomposo de todos os tempos.

Guardiões da Galáxia 3

Varvara Ulyanenok valoriza a irreverência de Gunn:

'Guardiões da Galáxia' adicionou uma certa rebeldia que claramente faltava aos filmes da Marvel antes. Depois, haverá muitas tentativas de repetir essa fórmula — com o mesmo Taika Waititi, que funcionou uma vez e falhou completamente na segunda tentativa.

– Pelo que 'Guardiões da Galáxia' será lembrado?

Vitaly Gizatullin está confiante de que o humor de Gunn permanecerá para sempre com os apreciadores de filmes de quadrinhos e também acredita em sequências:

'Guardiões da Galáxia' será lembrado pela sátira aos super-heróis, uma visão irônica e espirituosa do gênero (embora às vezes com exageros óbvios), montagem alucinante, cenas de ação dosadas, heróis bem escritos e memoráveis. Estes últimos, aliás, após o fim da trilogia, precisam urgentemente de projetos solo. O público certamente sentirá falta deles.

Evgenia Smykova lembrará do sonho do autor:

Para mim, é mais uma história de sonho e realização de desejos de James Gunn. Lembro-me de seu post no dia da estreia da segunda parte, onde ele contava como o projeto foi criado e se alegrava por ter conseguido realizar sua fantasia, que agradou a quase todo o mundo.

Varvara Ulyanenok acredita que 'Guardiões da Galáxia' são, antes de tudo, os heróis, e é por isso que o filme será lembrado:

É simples aqui – personagens excelentes que crescem e aprendem lições importantes da vida, sempre permanecem na memória do público. Talvez ninguém se lembre da motivação do vilão da primeira parte de 'Guardiões da Galáxia' (que, aliás, foi brilhantemente interpretado por Lee Pace), mas todos se lembrarão do relacionamento entre Senhor das Estrelas e Gamora ou Rocket e Groot.

Guardiões da Galáxia Chris Pratt

Ellina Chernikova também vê o valor principal da série em seus personagens:

'Guardiões da Galáxia', além de tudo, respondeu perfeitamente às demandas do público-alvo e da geração em geral – jovens rapazes e moças, um pouco infantis e com problemas parentais, viram nas telas alienígenas que sofrem dos mesmos problemas. Senhor das Estrelas faz piadas o tempo todo para não parecer fraco, Rocket e Gamora mostram os dentes, Groot externamente não entende nada (mas na verdade entende melhor que os outros).

Gunn mostrou que super-heróis podem não ser apenas 'pessoas comuns' como o Homem-Aranha, eles também são muito parecidos com todos nós: gostam de ouvir música, gostam de mentir e embelezar, gostam de coisas bonitas e também gostam de dinheiro!

– Personagem favorito da equipe 'Guardiões da Galáxia'

Guaxinim, claro. Eles estragaram um pouco com um drama não revelado no segundo filme (embora tenham se redimido no final), mas no geral é um personagem genial. Um esquilo sarcástico e ousado com uma metralhadora — o que poderia ser melhor como modelo?! E continuem amando seus emo-fighters, por assim dizer.

Ivan Kilyakov
Rocket Raccoon

Meu personagem favorito é o Rocket. A combinação de algo incrivelmente fofo e afiado na língua – eu literalmente encontrei meu demônio interior! Também me é próxima sua reflexão sobre o que está acontecendo.

Ellina Chernikova

Apesar de Nebulosa ser inicialmente uma antagonista amargurada, uma assassina a serviço de um pai tirano — foi ela quem chamou minha atenção.

Ao assistir filmes, você busca emoções nas quais um arco de personagem bem escrito pode mergulhá-lo. Neste caso — a transformação da personalidade, que transformou Nebulosa em uma protagonista de pleno direito.

O cinema de entretenimento nem sempre pode se gabar de personagens que passam metodicamente pelos marcos da vida até um estado de autossuficiência. E mesmo o motivo já batido — conseguir o reconhecimento de um dos pais — é revelado lentamente, mergulhando profundamente no drama pessoal do herói.

Não amada, tendo sofrido múltiplas dores físicas, a 'irmã malvada' não apenas chega à compreensão de seus próprios problemas, mas, passando pelo estágio de alienação emocional, se livra de um apego doentio em favor de laços construtivos, o que no terceiro filme leva a uma catarse purificadora da alma. Entender Nebulosa é amar Nebulosa!

Valeria Stoykova
Nebulosa

O magnífico Dave Bautista no papel de Drax. Um guerreiro corajoso e ousado com uma história trágica e um senso de humor peculiar. Sua peculiaridade — entender cada fala literalmente — serve como o principal motor de situações anedóticas. Quase todos os episódios com sua participação arrancam um sorriso. E sua risada é algo especial.

Vitaly Gizatullin
Drax

Sim, vai ser clichê, mas não há ninguém melhor que o Rocket. Uma criatura charmosa, suave e atrevida, com um destino difícil por trás. E isso é sentido desde o primeiro minuto. Ao mesmo tempo, é tão tocante e engraçado que outros heróis o chamam de cachorrinho ou coelhinho.

Mas se falarmos não apenas de 'Guardiões', não podemos esquecer de Ronan, o Acusador e do maravilhoso Lee Pace. Sim, o que esconder, eu amo vilões britânicos.

Evgenia Smykova
Guardiões da Galáxia Lee Pace

Vou me permitir ser original e escolher o Ego – acho que ele se encaixa perfeitamente na história da segunda parte e serve idealmente para os propósitos da trama, sendo ao mesmo tempo um personagem bastante divertido. E é impossível não amar o Kurt Russell, mesmo quando ele interpreta heróis não tão agradáveis.

Varvara Ulyanenok
Guardiões da Galáxia Kurt Russell

– Momento ou piada mais memorável

Não me lembro de piadas, mas o momento: o funeral de Yondu. Primeiro, porque o nome lembra a viúva de John Lennon. Segundo, porque há uma saudação terrivelmente pomposa e o Sylvester Stallone com olhos tristes. Impossível não chorar.

Ivan Kilyakov
Guardiões da Galáxia 2

A cena de abertura da segunda parte de 'Guardiões da Galáxia' com o bebê Groot dançando durante a batalha contra o monstro alienígena ao som de Electric Light Orchestra. Acho que ainda não inventaram melhores cenas com créditos.

Vitaly Gizatullin
guardiões da galáxia parte 2

Na primeira parte, há uma cena pequena, talvez nem notada por todos, quando o Rocket entra na cela. Ele está sem roupa, apertando seu uniforme, encurvado, com cicatrizes de experimentos – nesse momento, o coração aperta. E entendemos que isso já não é apenas um filme de ação para uma noite, mas uma história de personagens com um destino difícil.

Evgenia Smykova

Minha piada favorita da franquia 'Guardiões da Galáxia' é o momento em que Quill diz que, na luz ultravioleta, sua nave é uma obra-prima do abstracionismo. Rocket obviamente não sabia o que era abstracionismo, e Kandinsky não era próximo a ele.

Ellina Chernikova

Adoro o início da primeira parte – ele define um tom interessante e correto, e ainda nos prepara para apreciar a trilha sonora magnífica. Além disso, a maioria absoluta das falas do Drax arranca pelo menos um sorriso, e no máximo – uma gargalhada homérica.

Varvara Ulyanenok

Escolher um único momento na trilogia 'Guardiões da Galáxia' é como nomear o irmão favorito em uma família numerosa. Mas, talvez, destaque o episódio da última parte, quando Groot diz 'Eu amo vocês, amigos', o que simboliza que nós, espectadores, finalmente fomos aceitos na família. Esse nível de comoção simplesmente não existe no cinema de super-heróis.

Roman Kovalev
Guardiões da Galáxia 2023

P. S.

Assistir 'Guardiões da Galáxia' é como voltar à infância e jogar seu jogo favorito com os amigos. James Gunn entende isso bem e generosamente nos concede essa chance.

Vitaly Gizatullin

'Guardiões da Galáxia' para mim é um projeto de grande sorte, onde se valoriza algo ousado, um tanto revolucionário e infinitamente charmoso. Quando você os reassiste, entende que os participantes estavam se divertindo no processo, e isso para mim no cinema é o mais importante.

Ellina Chernikova
Guardiões da Galáxia James Gunn

'Guardiões da Galáxia Vol. 2' realmente me fez pensar seriamente sobre o tema de pais e filhos, além de iniciar uma cadeia de visualização de todos os ensaios possíveis que dissecam esse tipo de relacionamento. James Gunn conseguiu revelá-los de um ângulo interessante.

Varvara Ulyanenok

Minhas aventuras são mais modestas que as dos 'Guardiões', mas cada nova parte eu assisti em um lugar novo e em circunstâncias inesperadas.

Conheci a série pela primeira vez em um evento especial em Astana, onde alguns meses antes da estreia, sortudos puderam ver um trecho da fuga da prisão em formato IMAX. Dizer que a sala recebeu os heróis desconhecidos e suas piadas arrasadoras com entusiasmo é pouco. O filme em si eu assisti mais tarde na minha cidade natal, Pavlodar, e me tornei fã dessa equipe.

A segunda parte também tive a oportunidade de ver antes da estreia oficial. Para entrar na exibição especial em Kaliningrado, tive que passar por uma maratona da Marvel inteira, reassistindo filmes não tão brilhantes e obrigatórios como 'Homem-Formiga', 'Doutor Estranho' e 'Era de Ultron'. Mas a recompensa não foi apenas a exibição antecipada do filme, mas também o acesso a uma pequena coletiva de imprensa com os criadores, com suas palavras de despedida antes da exibição.

Os 'Guardiões' finais eu já assisti em São Petersburgo, onde, assim como os personagens do filme, encontrei um lar que procurava há muito tempo. Por isso, foi mais fácil deixar meus heróis amados irem, embora não sem lágrimas.

Roman Kovalev
Groot

Lembro-me de uma história: eu estava na escola quando a primeira parte de 'Guardiões' foi lançada, e tínhamos uma disciplina chamada 'teatro inglês' incluída no currículo por algum motivo – tínhamos que preparar e apresentar uma peça em inglês durante o ano.

E em setembro, quando estávamos escolhendo a peça para encenar, todos ainda estavam muito impressionados com aquele filme, e a principal discussão era: encenar um 'Macbeth' condicional ou uma versão indie de 'Guardiões'. Grosso modo, Shakespeare contra James Gunn. O candidato do povo era Gunn, naturalmente. Quer dizer, não me interpretem mal, a floresta ambulante em 'Macbeth' é legal, claro, e todo mundo reconhece isso, mas nenhuma árvore lá diz 'Eu sou Groot', e com Gunn coisas assim acontecem.

No final, encenamos Oscar Wilde, e essa decisão ainda não é totalmente clara para mim. Em Wilde, infelizmente, ninguém disse 'Eu sou Groot' também.

Ivan Kilyakov