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'Shazam! Fúria dos Deuses', sequência da história do menino órfão que ganhou o poder dos deuses, fracassou estrondosamente nos cinemas. Vamos analisar por que o filme sobre a equipe dos 'Fiascos da Filadélfia' se tornou um fiasco da DC.

Com trovões e relâmpagos em céu claro do universo cinematográfico da DC, purificado pelo estalar de dedos de James Gunn, chegou ao espectador um aceno do antigo tempo nublado. No lançamento digital, como o incansável Freddy Freeman, já mancou «Shazam! Fúria dos Deuses». Vamos entender por que nem as muletas ajudaram a sequência a passar com passo firme pelo lançamento nos cinemas.

Pelas superfícies dos mitos: quando os deuses são ridicularizados

Aqueles que criticaram a imagem de Zeus, interpretado por Russell Crowe em «Thor: Amor e Trovão», ainda não viram como é possível transformar heróis mitológicos em participantes de uma peça amadora local em duas horas.

Como o espectador pode lembrar do filme original (e se não lembrar, vão lembrá-lo), Billy Batson quebrou o cajado do Mago. O artefato protegia o mundo dos deuses do mundo dos humanos, e agora, tendo atravessado a barreira caída, as filhas do titã Atlas vieram à Terra para recuperar os poderes roubados e restaurar seu mundo a partir da semente da vida.

As deusas aparecem do nada e cometem suas maldades contra os humanos, obcecadas pela vingança banal dos ofendidos. E, ao que parece, o que os humanos têm a ver com isso? Por muito tempo, até mesmo os motivos, perdoe-me Atlas, dos antagonistas são impossíveis de entender completamente com a mente. E quando você não consegue entender com a mente, você precisa apenas acreditar.

Mas acreditar nas irmãs, interpretadas por Rachel Zegler, Lucy Liu e Helen Mirren, também é difícil. A primeira não está à altura de um papel assim, e as outras já o superaram, parecendo em vestes brilhantes como avós numa festa matinal de jardim de infância dedicada aos mitos. Pois como mais explicar a diversidade racial dos deuses gregos antigos e a multidão heterogênea de asseclas do mal, composta por um dragão, minotauros, ciclopes, harpias e unicórnios... Personagens secundários mal unidos por um conhecimento superficial das lendas, a desunião das irmãs e a incompatibilidade visual bloqueiam sua percepção como parte atuante e membros de uma mesma família.

Shazam! Fúria dos Deuses assistir
Cena do filme 'Shazam! Fúria dos Deuses'

Pseudofamília contra pseudofamília

Enfrenta as deusas a família de Billy Batson (Asher Angel). Mas 'família' é uma palavra muito forte, porque não há laços familiares construídos entre os personagens. Os holofotes estão em Billy, que tenta de todas as formas manter unidos e perto de si seus irmãos e irmãs adotivos, obcecado pelo medo de perder as pessoas que ama, como perdeu antes.

Mas será que ele as ama? A conexão dos personagens se reflete exclusivamente no nível da relação entre Billy e Freddy (Jack Dylan Grazer), que conectam com sua interação as linhas narrativas paralelas, ambas, aliás, mal trabalhadas. Os outros são pano de fundo, entre os quais de vez em quando se destaca a personagem de Faithe Herman, que solta algumas piadinhas e slogans publicitários.

Paradoxalmente, a única piada decente no filme é sobre família, mas mesmo essa presta homenagem a 'Velozes e Furiosos'. Já 'Shazam! Fúria dos Deuses' é praticamente uma luta solitária do Billy Batson turbinado (Zachary Levi). Consigo mesmo, na tentativa de superar a síndrome do impostor, e contra os deuses, que em mais de 6000 anos não aprenderam a negociar entre si.

Shazam fúria dos deuses 2023
Cena do filme 'Shazam! Fúria dos Deuses'

Isso já é um diagnóstico

Os criadores também não conseguem chegar a um acordo consigo mesmos para manter o equilíbrio entre a espontaneidade e a seriedade do que está acontecendo. Absolutamente todos os heróis são potenciais pacientes de um hospital psiquiátrico. Billy reflete profundamente, curando traumas emocionais, e ao mesmo tempo se comporta de forma francamente estúpida; o Mago sofre oscilações de personalidade, de um ancião sábio a um idiota hipster; alguns minutos separam uma deusa da traição à sua família devido a um amor instantaneamente surgido, enquanto outras são incapazes de tomar um lado específico em seus julgamentos, e até mesmo seus animais de estimação obedecem aos donos de forma muito seletiva. O conflito da trama surge apenas porque os heróis não estão em paz consigo mesmos.

Shazam! Fúria dos Deuses online
Cena do filme 'Shazam! Fúria dos Deuses'

Experimente o arco-íris

O descumprimento das proporções emocionais do filme original fez com que a sequência de 'Shazam!' se transformasse num filme de ação burro e, infelizmente, sem alma, no qual se luta contra um dragão de madeira e forças divinas com um punhado de balas Skittles, que só poderiam ser mais diretamente anunciadas se enfiassem o pacote na tela para o espectador.

Para lugar nenhum (cuidado, spoilers!)

Apesar do futuro incerto, a sequência possui duas cenas pós-créditos.

Na primeira, a agente Emilia Harcourt, que apareceu em 'Pacificador' (sobre a série de sucesso pode-se ler em ), oferece a Shazam entrar para a 'Sociedade da Justiça', o que se torna uma zombaria descarada do nome pouco original da equipe. A segunda cena leva o espectador de volta ao Doutor Sivana ( Mark Strong ) preso, que é visitado pela segunda vez pelo Senhor Mente.

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Shazam fúria dos deuses filme 2023
Adão Negro e a 'Sociedade da Justiça'

Na realidade atual, ambas as cenas pós-créditos perdem todo o sentido, porque a 'Sociedade da Justiça', que estreou em «Adão Negro» provavelmente cairá no esquecimento junto com ele, enquanto o Senhor Mente já fugiu para sempre. As dicas de continuação, muito provavelmente, permanecerão como um final aberto da história sobre o menino órfão que ganhou o poder dos deuses.