
Ao mencionar a palavra 'slasher', vêm à mente maníacos icônicos como Freddy Krueger e a criativa 'picagem' de personagens estúpidos. Contaremos de onde veio essa fórmula, quem foram os principais nomes do gênero no passado e quem o define agora.
Desde os primeiros dias do cinema, os filmes de terror têm sido parte integrante da indústria. Um dos subgêneros de terror mais populares é o 'slasher', no qual, geralmente, um grupo de jovens é perseguido e morto por um assassino mascarado. Mas desde o clássico 'Psicose' até o sucesso moderno 'Pânico', os slashers sofreram mudanças significativas até os dias de hoje.
Neste artigo, examinaremos detalhadamente a evolução do gênero, revisitaremos os principais marcos que contribuíram para a formação desta direção assustadora e emocionante no cinema, e veremos a influência que esses filmes tiveram na cultura pop. Então pegue a pipoca e prepare-se para se assustar, pois muita sangue e horror estão por vir.
Introdução ao gênero
O gênero 'slasher' surgiu mais ou menos oficialmente no início dos anos 1960, graças ao trabalho de Alfred Hitchcock, 'Psicose'. Este filme inovador, que conta a história de uma jovem assassinada pelo dono de um motel que sofre de transtorno de personalidade múltipla, estabeleceu os padrões de suspense e brutalidade para os futuros slashers.

O sucessor de 'Psicose' em 1974 foi o filme 'Natal Sangrento', que muitos consideram, não sem razão, o primeiro slasher verdadeiro. Neste filme, membros de uma comunidade universitária feminina são perseguidos e mortos por um maníaco colorido.
No entanto, a verdadeira ascensão do gênero ocorreu apenas após o lançamento em 1978 do filme de John Carpenter, 'Halloween'. Este filme, que conta a história de um assassino mascarado chamado Michael Myers que persegue e mata jovens, foi um enorme sucesso e gerou uma franquia que continua até hoje. E não é surpreendente, já que com um orçamento de pouco mais de $300.000, o filme original arrecadou $60 milhões.
Carpenter combinou a elegância hitchcockiana de 'Psicose' com a desenvoltura sem vergonha das comédias escolares: o massacre elegante aqui coexiste com Jesus caindo do armário; o motivo da casa amaldiçoada e da cidade amaldiçoada – com a completa falta de tentativas de entender qual é, de fato, a maldição. Muitos filmes de Carpenter são sobre a natureza do mal, mas é em 'Halloween' que ele encontra sua fórmula mais universal: Michael Myers não mata por alguma razão, mas porque pode matar, o mal não é tanto um conjunto de causas, mas sim a soma de tristes consequências.
'Halloween' não foi, claro, o primeiro slasher, mas foi nele que, apesar da sofisticação da direção de Carpenter, as regras do gênero adquiriram aquela clareza atraente que fez do slasher um sinônimo dos anos oitenta – o assassino mascarado, a arma simples e cotidiana, sugerindo que a morte está sempre, de certa forma, por perto, e a final girl, prometendo esperança onde os horrors clássicos apenas abrem as mãos.

Mais alguns slashers marcantes dos anos 1970:
- 'Machado para a Noiva' (1970);
- 'Baía Sangrenta' (1971);
- 'Mãos do Estripador' (1971);
- 'O Massacre da Serra Elétrica' (1974);
- 'Comidos Vivos' (1976);
- 'Alice, Doce Alice' (1976);
- 'A Cidade que Temia o Pôr do Sol' (1976);
- 'A Última Casa na Rua Sem Saída' (1977);
- 'Viagem ao Inferno' (1979);
- 'Quando um Estranho Chama' (1979).
O auge dos filmes slasher nos anos 1980
Os anos 1980 foram um período de ouro para os filmes slasher. Foi a era de 'Sexta-Feira 13' de Sean Cunningham, 'A Hora do Pesadelo' de Wes Craven e 'Brinquedo Assassino' de Tom Holland. Todas essas obras seguiam a mesma fórmula básica: um grupo de adolescentes é perseguido e morto por um assassino de aparência marcante (máscara, rosto queimado, boneco (!)), sedento por vingança por alguma ofensa imaginária ou apenas para se divertir.
Esses filmes são conhecidos por sua brutalidade, inventividade em enviar os heróis para o outro mundo e, claro, pelos vilões icônicos como Jason Voorhees, Freddy Krueger e Chucky. Todos esses personagens entraram firmemente na consciência de massa dos espectadores e ainda são uma parte crucial da cultura pop.

Uma das características definidoras dos slashers dos anos 1980 foi o uso de efeitos práticos para ilustrar a violência na tela e o desejo de assustar os espectadores. Isso significava que os cineastas tinham que confiar em próteses, sangue artificial e outras técnicas práticas para criar os efeitos horripilantes que o público esperava desses filmes.
Especialmente nesse aspecto, os criadores de 'A Hora do Pesadelo', liderados por , se destacaram, criando a lendária cena dos jatos de sangue no quarto do personagem de Johnny Depp.
O mal nunca pareceu tão próximo, e os próprios filmes de terror nunca pareceram tão inteligentes. E tudo graças ao mestre do terror Wes Craven, que realizou a revolução do horror três vezes. Lembr
Open materialMais alguns slashers marcantes dos anos 1980:
- 'A Fogueira' (1980);
- 'Meu Doce Valentim Sangrento' (1981);
- 'Brincadeira Mortal' (1981);
- 'Pedaços' (1982);
- 'Festa Sangrenta' (1982);
- 'Acampamento Sinistro' (1983);
- 'Noite Silenciosa, Noite Mortal' (1984);
- 'Dia da Mentira' (1986);
- 'Aquário' (1987);
- 'Policial Maníaco' (1988).
Declínio do gênero nos anos 1990 e início dos anos 2000
Na década de 1990, o gênero começou a perder seu apelo. O público se cansou da mesma fórmula, e muitos slashers se tornaram cada vez mais padronizados e previsíveis.
No entanto, ainda surgiram novidades notáveis nessa época, como 'Pânico' (1996) do mesmo Wes Craven, que revitalizou o gênero ao adicionar uma reverência meta-autorreflexiva à fórmula tradicional do slasher. Simplificando, Craven fez um slasher que zomba de todos os padrões e convenções dos slashers. E então repetiu essa piada mais três vezes, criando uma das franquias mais brilhantes da virada dos anos 90 para os 2000.
Por que a franquia 'Pânico' é legal? Tudo começou com o cineasta de terror Wes Craven, que lançou a primeira parte durante um período de declínio do interesse do público por slashers. As pessoas estavam cansadas da uniformidade do enredo e da estupidez dos personagens. Por isso, Craven fez o primeiro terror autorreflexivo do gênero, que zomba dos clichês do gênero e mostra que filmes de terror não são só sobre medo, mas também sobre riso. E com isso, ele conquistou não apenas os fãs do gênero, mas também atraiu um novo público – aqueles que antes tinham medo de assistir, por exemplo, ao seu próprio 'A Hora do Pesadelo'.
Ao mesmo tempo, cada 'Pânico' cita com amor os clássicos do terror e disseca cuidadosamente as tendências sociais atuais, expondo os problemas da sociedade. O legado de Craven vive mesmo após sua morte – nas novas partes da franquia com outros personagens e piadas mordazes sobre o século XXI.

Fora 'Pânico', no final dos anos 90 e início dos anos 2000, o gênero estava mais morto do que vivo. O público migrou para outras formas de terror, como o formato de 'filmagens encontradas': a moda foi ditada por 'A Bruxa de Blair' e 'Atividade Paranormal', que se tornaram fenômenos culturais e sucessos de bilheteria indiscutíveis.
Mais alguns slashers marcantes dos anos 90 e 2000:
- 'O Mistério de Candyman' (1992);
- 'Sacolas de Corpos' (1993);
- 'Leprechaun' (1993);
- 'Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado' (1997);
- 'Lendas Urbanas' (1998);
- 'Colheita Sangrenta' (2003);
- 'Caminho Errado' (2003);
- 'Para o Professor, com Amor' (2006);
- 'Os Estranhos' (2007);
- 'Expresso da Meia-Noite' (2008).
No entanto, quando muitos já não esperavam, nos anos 2010, os slashers voltaram ao auge da popularidade.
Renascimento dos slashers nos anos 2010
Após uma boa década de obscuridade, o renascimento do gênero foi liderado por filmes como o ainda na moda 'Pânico 4' (2011), o inesperadamente bem-sucedido 'A Morte Te Dá Parabéns' (2017) e o reencarnado 'Halloween' (2018).
Todos esses filmes renovaram a fórmula tradicional do slasher, adicionando autoironia em alguns lugares, realismo em outros, e em alguns casos criando uma simbiose única de duas equações há muito conhecidas — 'A Morte Te Dá Parabéns' pegou a fórmula de 'Feitiço do Tempo' e a adaptou aos trilhos de um slasher tradicional, fazendo sucesso e acertando o humor do público.

Ficou tão divertido e popular entre o público que o diretor Christopher Landon não apenas lançou uma sequência, mas também criou uma mistura semelhante – pegou o conceito já batido de troca de corpos, envolvendo uma estudante e um assassino maníaco, e fez disso um espetáculo divertidamente sangrento no filme 'Caça'.

Uma das características marcantes dos slashers nos anos 2010 foi o uso ainda mais ativo do humor. Muitos desses filmes zombavam das convenções do gênero, mas sem deixar de assustar e causar horror.
Mais alguns slashers marcantes da década:
- 'Maníaco' (2012);
- 'Lição do Mal' (2012);
- 'Ninguém Sobreviveu' (2012);
- 'Costuras' (2012);
- 'Você é o Próximo!' (2013);
- 'O Estrangulador Gorduroso' (2016);
- 'Terrifier' (2016);
- 'Matar por um Like' (2017);
- 'A Babá' (2017);
- 'Eles' (2018).
Influência dos slashers na cultura pop
Os slashers tiveram uma influência significativa no cinema e na cultura popular em geral. Os vilões icônicos do gênero, como Freddy Krueger, Michael Myers, Chucky e Jason Voorhees, tornaram-se referências culturais, e suas imagens foram usadas em tudo, desde fantasias de Halloween até figuras Funko POP dos heróis.

O gênero também influenciou outras formas de arte do entretenimento, como videogames e quadrinhos. Por exemplo, muitos survival horrors são baseados na já mencionada fórmula slasher 'maníaco vs grupo de personagens'.

No entanto, os slashers também se tornaram objeto de controvérsia pública. Muitos críticos, desde o primeiro aparecimento de tais filmes, afirmam que eles promovem a violência e a misoginia (geralmente, as garotas são as que mais morrem na tela), e que são prejudiciais para os jovens espectadores. Alguns críticos do gênero também argumentam que os slashers reforçam estereótipos prejudiciais sobre gênero e violência. E os criadores de 'Pânico', por exemplo, foram acusados de que vários crimes reais foram cometidos sob a influência do filme.
A ambiguidade da percepção dos slashers é relevante até hoje. Mas o radicalismo nas avaliações de tais filmes já não está no mesmo nível de antes.
Pós-slashers e o futuro do gênero
O gênero ainda está evoluindo e ainda não disse sua última palavra. Nos últimos anos, tem havido uma tendência de tentar simultaneamente prestar homenagem aos clássicos e reinventar a fórmula familiar. Ou melhor, não a fórmula em si (o assassinato sequencial de um grupo de pessoas não muito intelectualmente astutas ainda agita a consciência do espectador como antes), mas o conteúdo dos filmes. Um dos porta-bandeiras disso foi o diretor Ti West com sua trilogia '' — 'Pearl' — 'MaXXXine'.
O filme 'X' é como cruzar 'Garganta Profunda' com 'O Massacre da Serra Elétrica' e acompanhar tudo com um metacomentário cinéfilo. O resultado é algo sexual, brutal, divertido
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Por um lado, em seus filmes é difícil não notar homenagens e referências aos slashers dos anos 70 e 80 (o mais óbvio que vem à mente é 'As Colinas Têm Olhos'), além dos antagonistas coloridos com uma série de assassinatos marcantes. Por outro lado, West não apenas realiza um massacre, mas também enriquece a narrativa com reflexões não tão tolas sobre educação, relacionamentos tóxicos, sonhos e seu confronto com o cotidiano.

Em 2022, outro slasher foi lançado, virando o jogo, ou, dependendo do ponto de vista, fazendo um trabalho medíocre. O filme 'Corpos, Corpos, Corpos' de Halina Reijn é 100% um slasher juvenil com uma ressalva – não há antagonista aqui. Sim, o filme está repleto de sangue e tem assassinatos espetaculares, mas o maníaco habitual da fórmula foi subtraído dela. O resultado foi inesperadamente criativo e espirituoso.

É difícil prever o futuro deste subgênero do terror. No entanto, é óbvio que o público tem apetite por esses filmes. Portanto, there will be blood.
Filmes slasher imperdíveis para fãs de terror
Bem, em vez de um resumo – pegue algumas recomendações não tão óbvias do exarca-compilador do canal Telegram 'Mãos de Bresson':
'As Últimas Garotas' (2015)
Um grupo de adolescentes, durante uma exibição especial de cinema, entra em um slasher icônico dos anos 80, onde a mãe de uma das heroínas interpreta o papel principal. Só será possível retornar ao mundo real cumprindo todos os rituais obrigatórios do gênero.
Final Girls se debruça sobre um tropo importante dos slashers – no final, a última heroína sobrevivente enfrenta o maníaco em uma luta da qual ela sai vitoriosa. Aqui, o tropo sofre uma mutação para uma metacondição: a última garota, como um estágio de aceitação e perdão – de mágoas, angústias e de si mesma.
'Atos Aleatórios de Violência' (2019)
Meta sobre meta: o filme é baseado na história em quadrinhos de mesmo nome e conta a história de um autor de quadrinhos baseados em uma série de assassinatos ocorridos nos anos 80 em uma pequena cidade, para onde o autor dos tais quadrinhos retorna em busca de inspiração. E, claro, os assassinatos começam a acontecer novamente, desta vez reproduzindo os mesmos dos quadrinhos.
O segundo trabalho de direção de Jay Baruchel tenta falar sobre como a violência se reproduz, mas parece que se enreda um pouco em sua própria forma. O que, claro, não anula a coragem autoral e a profundidade do olhar.
'Ready or Not' (2019)
A noite de núpcias é uma coisa mortal se você a passa na propriedade da família do marido, e todos os seus numerosos parentes aristocratas veem em você apenas um cordeiro sacrificial. Mas Samara Weaving não vai fugir, mas sim sobreviver até de manhã com uma arma na mão.
Um anti-slasher sobre a importância de tradições seculares e a necessidade de às vezes quebrá-las. O maníaco e as vítimas trocam de lugar aqui, triturando o gênero. E a discussão é sobre se um sistema é realmente necessário se ele está irremediavelmente ultrapassado.
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