
O incansável maníaco Ghostface está de volta, mas agora em Nova York. Novas vítimas, velhas rainhas do grito e a inconfundível Courteney Cox com uma reportagem para a TV. Tudo isso sobre 'Pânico 6', a continuação da popular franquia de terror. Contam...
Passou um ano desde os eventos em Woodsboro, quando a nova geração de heróis liderada por Samantha Carpenter (com o apoio da velha guarda) foi forçada a enfrentar o maníaco Ghostface. Os sobreviventes daquele massacre tentam recomeçar a vida, fugindo das memórias horríveis em Nova York. Mas Ghostface não se importa onde você está, ele irá atrás de você até na Big Apple.
Desde o anúncio do quinto filme de 'Pânico', muitos fãs do trabalho de Wes Craven expressaram dúvidas sobre a necessidade de reviver a franquia. Alguns, previsivelmente, acusaram a dupla de diretores Matthew Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett e a Paramount de tentar ganhar dinheiro com a nostalgia do público. E embora seja difícil discordar disso, no final todos ficaram agradavelmente surpresos, recebendo não mais um filme que explora o legado do mestre do terror, mas um bom requel (sequência+reboot+remake) com um bom elenco e novas ideias. E a sexta parte continuou esse caminho glorioso, provando que é possível, como se diz, subir na árvore de Natal sem arranhar nada.
O novo 'Pânico' é mais um produto no estilo meta-terror, que vive de autorreflexão e de zombar dos clichês do gênero. Só que agora os criadores se permitiram sair dos limites de um único gênero, abrangendo a tendência cinematográfica moderna de criar franquias e universos, que funciona em grande parte com a nostalgia dos fãs. Portanto, é possível ironizar não apenas sobre slashers, mas também, por exemplo, sobre space operas ou filmes de ação de aventura, cujas ideias surgiram nos anos 90, ou até antes.
Os autores também não esqueceram de adicionar alguns subtextos sociais e provocaram sutilmente aqueles que não conseguem viver sem programas de true crime. Ah, sim, e também jogaram mais uma pedra no jardim dos encontros online, mandando um caloroso abraço para 'O Telefone Preto'.
Invasão alienígena, pesadelo em uma casa alugada, assassinato em massa durante filmagem de pornô — isso e muito mais na lista dos principais filmes de terror de 2022.
Open material'Pânico 6' continua sendo um produto baseado e alimentado por referências aos clássicos do gênero, basta ver a cena no metrô. Mas além disso, o sexto filme é uma grande referência a tudo que foi filmado antes neste universo. E é feito de forma muito bonita e com amor, de modo que os fãs de 'Pânico' podem ter lágrimas de emoção.
O que Matthew Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett inventaram de novo desta vez? Primeiro, os heróis finalmente saíram do claustrofóbico Woodsboro. E parece que Nova York agradou a Ghostface, permitindo-lhe organizar uma verdadeira corrida pela sobrevivência dos heróis. O filme tem mais dinamismo e tensão crescente do que a quinta parte. A fita consegue gerar dúvidas tanto nas cabeças dos personagens quanto dos espectadores. Isso é definitivamente mérito de algumas reviravoltas com o assassino, e também, provavelmente, a mudança de localização e a escala dos eventos ajudaram.
Graças à saída para um novo espaço, o maníaco teve mais oportunidades para se mover. Prova direta disso foi a parte inicial — o truque mostrado ali é usado pela primeira vez nesta franquia. E eu pessoalmente gostei de como os autores tentaram renovar a abordagem habitual no início dos filmes.
Depois que Neve Campbell se recusou a filmar devido ao que considerou um cachê baixo, os autores ficaram apenas com a imutável Gale Weathers, interpretada por Courteney Cox. Para fazer par com ela entre os veteranos, desta vez convidaram Hayden Panettiere — Kirby, da quarta parte. Mais precisamente, Hayden se ofereceu. Em uma entrevista, a atriz admitiu que ficou encantada com o trabalho que os diretores fizeram no quinto filme e queria fazer parte da sequência.
Mas é preciso dizer que a participação dos veteranos na luta de Melissa Barrera, Jenna Ortega e companhia (aos quais se juntou Dermot Mulroney) contra Ghostface nesta parte é ainda mais limitada. Basicamente, os criadores construíram cuidadosamente uma ponte do passado para o presente, tratando cada personagem com dignidade, mas ao mesmo tempo insinuando que é hora de construir algo novo. Com assassinatos mais cruéis e engenhosos. E continuando a modificar o conceito de final girl e desenvolvendo a ideia de 'herdar' o mal.
A única coisa que prejudicou a impressão geral de alegria foi o final, bem, final. Ou os diretores não tiveram coragem suficiente, ou acharam necessário fazer isso para o futuro, já que, muito provavelmente, nos espera uma sétima parte, considerando a boa bilheteria e as críticas do sexto filme.
'Pânico 6' é um terror coerente, que continua as tradições do pós-modernismo e do meta-componente (com ótimo marketing). O legado do mestre Wes Craven vive e prospera, agradando os fãs e combatendo sua desconfiança e dúvidas justificadas. E por um lado, há um forte desejo de ver as aventuras de Ghostface infinitamente, e por outro, não sai da cabeça a ideia de que é hora de finalmente mandá-lo descansar. Enquanto ele está no auge. Afinal, há imagens suficientes de maníacos no mundo que podem ser exploradas.
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