
Há quase três anos, a CW encerrou a história de dois irmãos que lutavam contra criaturas sobrenaturais em toda a América. Sam e Dean terminaram sua jornada em uma nota positiva, mas será que alguém realmente acreditou que a CW deixaria o projeto que...
A série foi, provavelmente, a principal atração do catálogo da CW. Ela durou quinze temporadas (de 2005 a 2020). Durante esse tempo, os irmãos Winchester conquistaram um exército de fãs ao redor do mundo, derrotaram inúmeros inimigos, incluindo o chefe final, e se aposentaram de cabeça erguida. Eles receberam um final de história lógico e bastante digno. Então o status de 'principal' passou para o Arrowverse, que estava se arrastando em seu último suspiro (este ano 'The Flash' termina na 9ª temporada e o universo se fecha). Isso significava que o canal precisava novamente trabalhar na criação de algo novo para se manter à tona e atrair (ou reter) o público. Esse esquema da CW aparentemente não agradava, então apresentamos a vocês 'The Winchesters' — um spin-off de 'Supernatural' sobre os pais de Dean e Sam.
Hoje foi ao ar o último episódio de uma das séries mais longas sobre as aventuras dos irmãos Winchester. Durante esse tempo, tornou-se cult, conseguiu decepcionar alguns e agradar outros.
Open materialATENÇÃO! O TEXTO PODE CONTER SPOILERS DAS SÉRIES 'THE WINCHESTERS' E 'SUPERNATURAL', PORTANTO, SE VOCÊ NÃO ASSISTIU, TODA A RESPONSABILIDADE É SUA!
Qual é a história?
1972. O jovem fuzileiro John Winchester (Drake Rodger) retorna do Vietnã para sua cidade natal, Lawrence, Kansas, para sua mãe Millie (Bianca Kâlik). Ao chegar, John decide ir em busca de respostas sobre seu pai, desaparecido há muito tempo, seguindo uma pista de um misterioso estranho que lhe entregou uma carta do pai com um endereço desconhecido.
Ao chegar ao local indicado, Winchester encontra um homem desconhecido de olhos pretos, claramente hostil, mas o rapaz é salvo por Mary Campbell (Meg Donnelly) — a garota com quem o 'soldadinho' esbarrou assim que chegou à cidade. Acontece que o agressor era um demônio, e Mary, uma caçadora de criaturas sobrenaturais. Seu pai havia saído para caçar há pouco tempo e não voltou (ops), então ela segue seus rastros na esperança de que a busca termine bem, para que a garota possa, com a consciência limpa, começar uma vida normal e tranquila, sem a luta diária contra criaturas do além.
Ao descobrir que há alguma ligação entre seus pais, John se oferece para ajudar Mary na busca pelo futuro sogro, esperando ao mesmo tempo se distrair de seu TEPT e aprender a lidar com criaturas. A jovem caçadora concorda, relutantemente. Unindo forças com os amigos da garota — a teórica do sobrenatural Latika (Nida Khurshid) e o afeminado homossexual Carlos (JoJo Fleites) — os jovens seguem os rastros de Samuel Campbell.
Durante a operação, junta-se ao grupo a jovem bruxa Ada Monroe (Demetria McKinney), que conhece ambos os pais desaparecidos. Unindo-se, eles descobrem que o pai de Mary tentava proteger a Terra de uma invasão dos Akrida — criaturas semelhantes a caranguejos de outro mundo, que desejam destruir a humanidade. Bem, terão que conciliar a expedição de busca com a salvação do planeta, afinal, esse é o trabalho rotineiro dos caçadores.
Então
A história de amor de John e Mary inicialmente não se alinhava com o cânone da série original.
Primeiro, de acordo com o enredo de 'Supernatural', Winchester não sabia da existência do sobrenatural nem das atividades da esposa, que ela herdara do pai. Apenas em 1978 John descobre tudo. Então Sam e Dean viajaram ao passado para salvar os pais do anjo Anna, mas no final, o arcanjo Miguel, que possuía o pai dos irmãos, apagou sua memória (então formalmente esse caso não conta). A segunda vez que a verdade foi revelada a John foi somente após a morte de Mary pelas mãos do demônio Azazel em 1983. Depois disso, ele se tornou um caçador de criaturas sobrenaturais, enquanto assumia a criação dos dois filhos. A série 'The Winchesters' ignora esses fatos, então John e Mary já em 1972 caçam juntos, salvando o mundo.

Segundo, o pai e a mãe de Sam e Dean inicialmente não se suportavam, mas o Céu decidiu unir as famílias dos Iluminados (Guardiões do Conhecimento) e dos caçadores, então os heróis se apaixonaram graças a um Cupido enviado. No spin-off, a faísca entre os personagens surge quase imediatamente, então o relacionamento é apenas uma questão de tempo.
Terceiro, em 'Supernatural', o pai de John desapareceu devido a uma viagem no tempo. Ele estava fugindo do Cavaleiro do Inferno chamado Abaddon e foi parar em 2013, onde conheceu seus netos. Infelizmente, Henry Winchester nunca voltou, pois foi mortalmente ferido na batalha contra Abaddon. Ele morreu nos braços dos netos, que o enterraram junto com os outros Iluminados. Em 'The Winchesters', oferece-se ao espectador uma versão diferente. O avô de Sam e Dean e seus companheiros morreram pelas 'mãos' dos Akrida, por isso não puderam voltar para o filho.

Há outros momentos em que o spin-off contradiz a série original. Por exemplo, a existência do Óstio — uma caixa capaz de transportar monstros e objetos de um mundo para outro (os irmãos nunca ouviram falar disso) ou o aparecimento de Dean Winchester (Jensen Ackles) em 1972, quando ele encontrou John pela primeira vez em 1973, aconselhando-o a comprar o lendário Chevrolet Impala 1967 do universo. Ao longo de 13 episódios, os criadores fingem não notar as violações do cânone, até que no final decidem explicar por que o novo projeto contradiz tanto o original. E tudo se encaixa.
Agora
Não vamos dar spoiler de como eles consertam as discrepâncias da trama, mas acredite, parece extremamente bobo. Claro, esse tipo de recurso é muito popular hoje em dia, mas aqui só provoca risos histéricos e perplexidade. Basicamente, é uma confissão sincera de que 'The Winchesters' existe apenas por razões puramente mercenárias. Pense bem: por que a CW decidiu que a história de John e Mary merecia uma adaptação? O amor e o relacionamento deles já foram bem explorados na série principal. Tempo suficiente foi dedicado à sua história. Tudo o que o espectador deveria saber já foi mostrado. Então por que fazer um spin-off? O projeto não se encaixa no universo, mas os criadores estavam dispostos a qualquer truque para arrancar mais um pedaço de lucro do mundo de 'Supernatural'.
É engraçado ver entre os showrunners do spin-off Jensen Ackles junto com sua esposa Danneel Ackles. Ele interpretou Dean por 15 anos, conhecia o cânone, e ainda assim criou uma série que destrói o 'final feliz' que ele e Jared Padalecki construíram. Ackles voltou ao seu antigo papel sem nem contar ao irmão de tela sobre o projeto e sem convidá-lo. Jensen, para que tudo isso? Diga honestamente, qual é o objetivo? Complementar o universo com uma nova história ou extrair dele os últimos lucros, cuspindo na reputação conquistada ao longo dos anos? Parece que a segunda opção está mais próxima da verdade. Pelo menos tudo indica isso.

Percebe-se como o spin-off quer jogar com a nostalgia dos fãs. 'The Winchesters' até começa como 'Supernatural', só que desta vez são dois pais desaparecidos. Não encontraram uma premissa melhor. E frases como 'Não há segredos em nossa família' não provocam um sorriso nostálgico, mas sim uma risada involuntária. Mary insiste em encontrar o pai, ignorando a opinião alheia. Ela tem um carro parecido com o 'Impala'. Tudo isso parece uma cópia secundária e sem ideias, imitando a série original.
Os novos monstros não são interessantes, os antigos já cansaram. Os papéis são os mesmos, apenas os personagens são diferentes. As apostas são as mesmas, mas a divisão é inferior. Parece que voltamos às configurações de fábrica. Com Dean e Sam, tudo era mais fundamentado. Eles eram ajudados por meta-episódios, experiência acumulada ao longo dos anos e, convenhamos, amigos fortes. Eles jogavam na primeira divisão, enquanto a equipe do spin-off parece muito mais fraca.
O projeto carece de autoironia, e é impossível levá-lo a sério. A cada episódio, tentam convencer os espectadores de que os pais dos irmãos Winchester estão em perigo mortal, mas praticamente todos conhecem sua história (o público principal deve ser composto em 95% por fãs de 'Supernatural'), então ninguém se preocupará com os heróis. Prequels e spin-offs sobre personagens conhecidos devem distrair a atenção do destino já conhecido dos heróis (veja ), mas, infelizmente, 'The Winchesters' não é capaz disso.
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Visualmente, a série também parece extremamente barata. Às vezes, o nível dos efeitos especiais é um pouco melhor que o de 'Power Rangers'. Os projetos da CW nunca se destacaram pelo alto custo, claro, mas fazer a gráfica de forma tão descuidada... Feito de qualquer jeito. Os fãs vão engolir, né.

Quanto aos personagens, o principal destaque aqui não são John e Mary, mas Latika e Carlos. É mais ou menos interessante observá-los, eles têm personalidades interessantes, e Nida Khurshid e JoJo Fleites desempenham bem seus papéis. Além disso, um bônus agradável é a aparição de heróis conhecidos do universo (não vamos estragar a surpresa), embora nem todas as participações especiais provoquem sentimentos alegres. Novamente por causa do final problemático.
'The Winchesters' transborda pauta identitária moderna, e às vezes parece muito inadequado. É ruim quando os autores inserem personagens apenas para cumprir cota, para não levar ofensas da sociedade moderna. Mas a maior piada é Tom Welling no papel de Samuel Campbell, pai de Mary. O ator parece uma das versões do Peter Parker do filme 'Homem-Aranha no Aranhaverso'. Barba por fazer, aparência desleixada, roupas sujas e barriga de cerveja. O que aconteceu com o Homem do Amanhã? Parece que o ex-Clark Kent está preso na CW. Sr. Welling, dê um sinal, vamos resgatá-lo.

O que salva esse quadro é apenas o fato de que, no final da temporada, ainda é possível se apegar um pouco aos personagens (graças a Lata e Carlos) e sentir um pouco da atmosfera de 'Supernatural'. Uma pequena centelha brilha em algum lugar nessa escuridão total. É uma pena, claro, que dificilmente algum dia gerará fogo.
E no final?
'The Winchesters' é um projeto abertamente descuidado e secundário, que agradará apenas os fãs mais ferrenhos, que não se importam com o que fazem com o universo — desde que os alimentem com alguma coisa. A série não consegue ser interessante por si só, e como parte de 'Supernatural', é francamente ruim. Se a história de amor de Mary e John terá uma segunda temporada é uma grande questão hoje. Talvez todos esses personagens precisem apenas correr pelas estradas infinitas em um carro sem o nosso olhar atento?
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