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Uma das novidades nacionais mais marcantes do primeiro semestre do ano foi a série «Fandorin. Azazel». Contamos sobre os prós e contras da nova e ambígua leitura das aventuras do famoso detetive.

Já falamos sobre como poderia ser o dream cast das próximas adaptações das aventuras do herói literário de Boris Akunin. Agora é hora de discutir se vale a pena continuar filmando histórias sobre Erast Fandorin com base em uma visão modernizada.

«Coronation. New Adventures of Fandorin» de «After Credits»
Evgenia Smykova
«Coronation. New Adventures of Fandorin» de «After Credits»

A série «Fandorin. Azazel» estreia no Kinopoisk. Esperando o desenvolvimento da franquia, decidimos selecionar imediatamente o elenco para o próximo projeto.

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História

Petrogrado, capital do Império Russo, 2023. O investigador de 20 anos, Erast Fandorin, consegue um emprego no departamento de investigação policial. Em suas mãos cai um caso estranho: um jovem milionário comete suicídio na rua, diante de uma multidão e de um robô policial. Fandorin percebe que algo está errado e que o falecido não se matou. Durante a investigação, Erast segue o rastro de uma misteriosa organização chamada «Azazel». A história é baseada no romance homônimo de Boris Akunin, que deu início a uma longa série de livros.

A ação foi transferida de Moscou para Petrogrado, e é aí que começa a dualidade de impressões, sobre a qual falaremos o tempo todo.

Atmosfera

Para ser sincero, tive a impressão de que nos apresentaram uma versão atualizada da série «Azazel» de 2002. Para quem gosta daquela adaptação, pode parecer que os criadores simplesmente pegaram o roteiro antigo e o seguiram, acrescentando apenas ocasionalmente algo de sua autoria. Por isso, parece que estamos diante de uma mera atualização do filme antigo. Como uma atualização de programa que traz seus próprios recursos e... bugs.

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Então, nos primeiros episódios, somos ativamente imersos em um novo mundo, onde teremos que passar 6 episódios. Novas tecnologias, uma nova cidade, tudo é diferente e nada é como antes, tudo como após uma reinicialização do sistema operacional. «Onde clicar? Para onde olhar? E por que há tanta coisa?» Esses são exatamente os sentimentos que ficam logo após assistir ao primeiro episódio. E em toda essa novidade desnecessária, os personagens e a história se perdem completamente.

Terá detetive?

As principais características do projeto são sua ambiguidade e sua ligação com o material original. Portanto, 4 episódios parecem apenas uma adaptação modernizada da versão antiga, e todas as adições parecem supérfluas e absurdas. Algumas cenas são recriadas nos mínimos detalhes. Por exemplo, o destino de Ivan Brilling. Já a partir do quinto episódio, quando os roteiristas se deram mais liberdade e começaram a criar uma versão alternativa para o final da história, começa o mais interessante e até surge algum tipo de suspense.

Modernizar não é melhorar

É exatamente assim que se pode chamar a série «Azazel». A vírgula corre de um lugar para outro, e isso muda a impressão.

E quanto ao protagonista?

Erast Fandorin (Vladislav Tiron) não é um jovem detetive tão entusiasmado e ingênuo. Muitos notaram que ele é nervoso, às vezes parece ridículo e inseguro. Mas já no meio da série, descobrimos que o futuro detetive testemunhou a morte de seu pai. Claro, esse evento o muda radicalmente. Este Fandorin pode até enganar, embora a versão do livro fosse mostrada em grande parte como um herói completamente ingênuo e honesto.

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Os roteiristas deram mais poder a Elizaveta (Mila Ershova). Se no romance ela apenas sustentava a imagem de uma garota doce e inocente que, como um «gênio da beleza pura», aparecia apenas ocasionalmente no caminho do nosso herói, esta Liza participa ativamente da investigação, se preocupa com as crianças do internato. Também foi adicionado um triângulo amoroso entre Erast, Liza e Oleg. Era necessário fazer isso? Cada um decide por si.

Claro, a adição e atualização mais significativa é a imagem do imperador Nicolau III (Maxim Matveev). Em alguns momentos ele é cômico, especialmente quando está cansado do poder, em outros, não está claro por que foi criado. Mas tudo isso acontece nos episódios que seguem estritamente o romance. Aqui também podemos incluir as mudanças na linha de Zurov/Amalia. Mas, novamente, só nos últimos episódios fica claro por que todas essas mudanças foram feitas.

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Existem personagens e seus comportamentos que não mudaram desde 2002. Em alguns casos, isso não atrapalha, mas em outros, fica um leve sentimento de frustração. O primeiro caso é exatamente com Zurov. Artyom Bystrov criou uma imagem maravilhosa, trazendo um pouco mais de vida ao seu personagem. Já com Ivan Brilling, a magia não aconteceu. A imagem de Sergei Goroshko é muito parecida com a de Sergei Bezrukov, às vezes até na entonação. É uma pena que o personagem exista, mas não se veja nada de novo nele.

Parece que os criadores mantiveram um certo equilíbrio o tempo todo. Adicionaram à narrativa a esposa do imperador, Anna, interpretada por Urszula Malka, que é uma convidada rara nas telas de cinema, mas ao mesmo tempo anularam a imagem da condessa Esther, embora tenham escalado a maravilhosa Marina Ignatova para o papel.

No final, «Fandorin. Azazel» deixa sensações muito confusas. Para os amantes de detetives e para aqueles que não conhecem o livro homônimo sobre Erast Fandorin, é um projeto incomum com um desenvolvimento alternativo original da história da Rússia. Para aqueles que amam e esperam exatamente a história do detetive do século XIX, é mais provável que se decepcionem, embora a série tenha muitas referências à fonte original e o final dê esperança para um desenvolvimento futuro. Assim, todo o projeto é preenchido com «Embora», «Bem, tudo bem, suponhamos» e outras suposições e interjeições.