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O interesse pelo tema de pessoas perdidas no espaço que aprendem a sobreviver em condições adversas não diminui, tanto na literatura quanto no cinema. Este ano, o canal SyFy lançou mais uma série sobre esse tema, intitulada The Ark ('A Arca'). Contam...

O cenário é uma enorme nave espacial chamada 'A Arca', que transporta pessoas em cápsulas criogênicas. Seu objetivo é levar a tripulação ao planeta Proxima B, onde uma nova colônia será formada, já que a Terra (mais uma vez) se tornou inabitável. De repente, o revestimento do compartimento das cápsulas começa a desmoronar, fazendo com que os passageiros acordem para salvar a si mesmos e a nave. O alarme de emergência cessa, mas os problemas continuam a se multiplicar, pois há comida e água apenas para alguns dias, e a tripulação ainda tem um ano de viagem pela frente.

A nova série de Dean Devlin no canal SyFy no gênero de ópera espacial soa promissora pelo anúncio e parece promissora pelo trailer. No entanto, na prática, o show mais parece uma tentativa de pegar um pouco de cada outra série de ficção científica com temática semelhante e apresentar o resultado como algo único. O próprio Devlin admitiu que foi inspirado por um episódio de 'Star Trek' de 1967. Quanto a outros projetos, um fã do gênero notará em 'A Arca' traços de 'The 100', 'Lost in Space', 'Stargate', 'The Orville', 'Battlestar Galactica' — e isso apenas à primeira vista.

Considerando quantas coisas já foram feitas em ficção científica sobre o espaço, inventar algo totalmente novo e único é uma tarefa bastante difícil, então, em termos de enredo, os autores poderiam ser perdoados e compreendidos. Afinal, eles copiaram vários projetos, não apenas um. Mas, infelizmente, esse não é o único problema do projeto.

A Arca

A falta de originalidade poderia ser compensada com imagens bonitas e boas, mas, infelizmente, a computação gráfica fraca salta aos olhos e estraga a impressão. Além disso, em 'A Arca', não apenas as vistas externas modeladas do espaço e da nave parecem baratas, mas também o interior, composto por objetos reais no set.

Foram as imagens de locações fantásticas, naves espaciais e heróis no vácuo que sempre foram a marca registrada dos projetos de ficção científica. Na década de 1960, 'Star Trek' prendia a atenção dos espectadores não apenas por suas declarações ousadas através da temática espacial, mas também pela exibição de raças alienígenas, outros planetas e o próprio espaço. Agora, na década de 2020, quando as capacidades técnicas dos cineastas cresceram enormemente desde a primeira viagem de James Kirk e Spock, o público se tornou mais exigente em termos de visuais, e o mínimo agora é uma imagem como na série 'Foundation' (da Apple TV+, na qual foram investidas enormes quantias, nem vamos comentar).

Se a série 'The Last of Us' não é suficiente para você: top projetos de ficção científica de diferentes anos
Nadezhda Vasilyeva
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A Arca

Talvez Dean Devlin entendesse os pontos fracos do projeto e, na falta de um grande orçamento (ou de bons especialistas em CGI), decidiu apostar no preenchimento do enredo principal com fatos científicos e elementos de suspense. Adicionar, por assim dizer, um toque de emoção e um verniz de alta ciência. Mas por mais que os atores se esforcem, tentando dar vida e carisma aos seus personagens, as teorias científicas que saem de suas bocas não ajudam a série: até os computadores aqui não parecem reais, quanto mais o trocadilho de fatos científicos. É como se o espectador simplesmente abrisse um livro de um curso avançado de física e começasse a lê-lo em voz alta. Soa bonito, mas é incompreensível e pouco impressionante.

Os mistérios e segredos que em 'A Arca' literalmente cada personagem tem são tantos que perdem sua força. No final, você apenas senta e faz apostas mentais sobre quem terá mais erros pelos quais será enviado para o confinamento. O mesmo destino acontece com a fórmula de sucesso 'ele não é quem parece', porque aqui cada terceiro acaba não sendo quem parece. Muitos segredos por metro quadrado. Como resultado, as intrigas sociais, dramas psicológicos, conflitos interpessoais e a escolha de líderes — tudo pelo qual amamos filmes sobre sobrevivência no espaço — são mostrados aqui de forma muito superficial. Simplesmente porque os criadores estão mais preocupados em inventar novos mistérios.

A série 'A Arca' tinha potencial para se tornar, se não notável, pelo menos um dos bons shows no gênero de ficção científica. Infelizmente, o desejo dos criadores de colocar muita coisa nela levou a que as linhas da história sejam mal desenvolvidas, haja muitos personagens para conhecê-los adequadamente e criar simpatia por eles. Tudo parece um castelo de cartas com uma imagem mal impressa dos naipes, que, apesar de toda a sua complexidade e construção complicada, é muito fácil de derrubar.