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Em um mundo onde todos têm superpoderes, uma garota busca seu poder, mas na verdade busca a si mesma. “Extraordinária” é o novo sucesso do Hulu, que ao mesmo tempo lembra “Fleabag” e “Misfits”, mas possui um tom narrativo completamente único.

No mundo da série “Extraordinária” (Extraordinary), ao completar a maioridade, cada pessoa recebe um superpoder único. Alguns se tornam capazes de invocar peixes do oceano, outros podem usar o traseiro como uma impressora 3D, e outros ainda ganham habilidades heroicas clássicas, como voar ou supervelocidade.

Mas a protagonista, Jen (Máiréad Tyers), nunca recebeu seu poder. Aos 25 anos, ela trabalha em uma loja de artigos para festas, mas a vida não parece tão festiva por ser “comum” em sua normalidade. No entanto, Jen não vai desistir tão facilmente e está disposta a fazer de tudo para descobrir seu poder.

Crise de identidade

Jen, à la Phoebe Waller-Bridge em “Fleabag”, se entrega à autoanálise e tenta encontrar seu lugar, enquanto resolve os problemas que se acumulam em sua vida pessoal com o típico humor britânico. Além disso, ela é apaixonada sem esperança por um rapaz bonito que sabe voar, então precisa muito de seu próprio poder.

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Sob a máscara de um projeto 100% cômico (cada um dos 8 episódios de meia hora da temporada de estreia está repleto de piadas e one-liners), a série “Extraordinária” aborda temas sérios. Os outros personagens centrais, assim como a protagonista, também tentam encontrar sua voz e propósito na vida.

A colega de quarto de Jen, Carrie (Sofia Oxenham), que pode invocar os mortos (há um episódio hilário e comovente em que invoca Hitler para consolar a personagem de Tyers), tenta sair da sombra da amiga e começar a falar sobre seus sentimentos e desejos.

O namorado de Carrie, Kash (Bilal Hasna), que pode rebobinar o tempo, mas não muito, “vive às custas” da namorada, mas sonha em provar seu valor, e para isso reúne super-heróis para lutar contra a injustiça.

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Humor e emoção

O novo projeto do Hulu, embora incorpore características de outras séries britânicas mais conhecidas e bem-sucedidas (além da já mencionada “Fleabag”, é fácil perceber semelhanças com “Misfits”, onde os superpoderes também estavam longe de ser óbvios e o protagonista ficou muito tempo sem “peculiaridades”), tem um charme próprio e único.

As piadas são inofensivas, as situações são realistas, mesmo que você assista à série das margens do Neva, e não do Tâmisa, e os personagens são cativantes em sua excentricidade. Isso é especialmente evidente no caso do personagem que se transforma de humano em gato e vice-versa, mantendo as características de cada estado.

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“Extraordinária” é aquele caso em que a apropriação de ideias e sua reinterpretação são feitas de forma criativa. Caramba, aqui até tem seu próprio Dr. Dolittle, que fala com os animais, mas... vamos evitar spoilers. A alma do cinéfilo só se alegra com essas referências.

Portanto, não é “mais uma série de super-heróis”, da qual até os fãs mais ardorosos de superpoderes parecem estar cansados, mas sim um programa emocionante para quem sente falta de histórias fofas e cotidianas, apenas levemente temperadas com o extraordinário e com a compreensão dos autores de que seu público não vive em uma bolha e sabe reconhecer analogias e referências.

P.S. Não nos chamaríamos “After Credits” se não destacássemos as cenas espetaculares pós-créditos de cada episódio – não perca, é realmente engraçado!