
Analisamos o novo episódio de 'The Last of Us' em todos os detalhes e nuances.
Imagine: você acorda e tem uma arma apontada para você por um garoto de 10 anos. O que você faria? É exatamente com essa cena que o 4º episódio de 'The Last of Us' termina para Joel e para o espectador. Quem é esse garoto, qual foi a culpa de Henry e, o mais importante, como se esconder de Kathleen? O 5º episódio contará.
Recaps anteriores:
Atenção: a seguir, spoilers do 5º episódio de 'The Last of Us'
Conhecendo novos personagens
Sam
Sam (Keivonn Woodard) é uma criança típica de uns nove anos: lê quadrinhos, desenha super-heróis, adora jogar bola. Além disso, Sam é surdo, o que reduz significativamente suas chances de sobreviver em um mundo de infectados e estaladores que se orientam pelo som. Mas Sam teve sorte, seu irmão mais velho, Henry, cuida dele.
Henry
Henry (Lamar Johnson) é um jovem que os funcionários da FEDRA apelidaram de colaboracionista (ou seja, dedo-duro), e se depara com uma difícil escolha ética: denunciar à Agência o líder da resistência de Kansas City, Michael, um homem nobre e grandioso, ou deixar seu irmão mais novo morrer de leucemia. Henry escolhe a primeira opção, assinando assim sua sentença de morte aos olhos da irmã de Michael, a tal Kathleen (Melanie Lynskey) – a atual líder e, ao mesmo tempo, irmã de Michael. Henry entende isso, então prepara um plano B: caso a Resistência vença, fugir da cidade.
Como o episódio começou?
A história do quinto episódio começa justamente com a vitória da Resistência sob a liderança eficaz e intransigente de Kathleen. A série não se nega ao prazer de mostrar a loucura da qual as pessoas são capazes, oprimidas pela tirania militar por 20 anos. Eles se alegram e matam funcionários da FEDRA.
Henry e Sam conseguiram fugir. Eles estão exatamente escondidos no sótão que o povo de Kathleen encontrou no quarto episódio.
Henry testemunha Joel se defendendo dos membros da Resistência que atacaram nossos protagonistas. Pegando Ellie e Joel de surpresa, acordando-os com o cano de uma pistola apontada para a cabeça, Henry propõe que ajam juntos.
Como sair da prisão? Claro, pelo túnel
Henry diz que a única maneira de deixar o território de Kathleen é passar pelos túneis subterrâneos. Isso pode ser perigoso, pois há 15 anos a FEDRA reuniu todos os infectados da cidade lá, e eles ainda vagam por lá. Mas Henry garante a Joel e Ellie que há um trecho onde não há ninguém – foi limpo pela Agência. Os heróis não têm escolha a não ser confiar.
Ao contrário das expectativas e do piso que cedeu no 4º episódio, o trecho está realmente limpo. Narrativamente, ele serve como uma espécie de ilha de segurança, onde as crianças brincam livremente de futebol e riem, e os adultos se libertam do julgamento e da antipatia mútua e suspiram pesadamente pelas escolhas morais que tiveram que fazer.
Cuidado com velhos com rifles e garotas estaladoras
Saindo do subsolo, os heróis caminham alegremente pela estrada que leva para longe da cidade. De repente, eles são alvejados da casa mais alta da rua. Entrando na casa, Joel elimina um atirador de elite idoso, mas ele já chamou reforços na forma da furiosa Kathleen e seus soldados. Eles são implacáveis, querem matar não apenas Joel e Henry, mas também Sam e Ellie.
E então a terra tremeu! Ou melhor, o solo não conseguia mais suportar a pressão dos infectados presos que, ao escaparem, atacam rapidamente os soldados e nossos heróis. E, claro, nesta cena épica e tensa, encontramos aquele que os fãs do jogo esperavam há muito tempo… o Bloat! Uma monstruosidade enorme e impenetrável, o último estágio da infecção. Ele é criado, como sempre, com carinho e grande amor pelo original.
No início do episódio, Joel traçou limites rudemente, informando aos irmãos que ele não era o pai de Ellie, mas nesta cena ele age exatamente como um. Apesar das provocações da garota no terceiro episódio sobre a pontaria ruim do homem, Joel não erra um tiro enquanto Ellie corre entre soldados e infectados; ele limpa o caminho para ela com precisão, quase como um joalheiro.
Após se defenderem do ataque, nossos heróis tentam fugir, mas Kathleen os alcança. Apesar das últimas palavras de seu irmão Michael para que ela perdoasse Henry, ela ainda tenta atirar no jovem, mas um Estalador no corpo de uma menininha devora a vingadora fracassada (segundo Jung?).
Escorpiões e solidão
Os heróis param em um lugar seguro. Sam pergunta a Ellie por que ela não tem medo de nada, ao que a garota responde que tem medo o tempo todo, especialmente de escorpiões e de ficar sozinha. Sam compartilha seu medo de se transformar em um monstro e perder a si mesmo, revelando à heroína uma mordida de infectado. Ellie tenta curar o amigo com seu sangue. Infelizmente, isso não funciona; na manhã seguinte, o menino infectado ataca a garota, e Henry, salvando-a, atira na cabeça de Sam. Perdido e desesperado, Henry atira em sua própria cabeça também.
Joel e Ellie enterram os irmãos e partem para o leste.
Impressões
O quinto episódio é dinâmico e cruel. E sua crueldade não está apenas no enredo, mas também na forma como trata o espectador. No confronto entre Henry e Kathleen, você não sabe por quem torcer. Os motivos de ambos são compreensíveis e lógicos. E como pessoas, ambos estão longe de serem personagens positivos, mas são carismáticos devido ao enredo e à atuação. Se Kathleen é uma líder confiante e impiedosa com seus inimigos, Henry é um oportunista, pronto tanto para a maldade quanto para o auto-sacrifício, apenas para salvar seu irmão.
E entre dois fogos, o mais inocente e puro sofre inevitavelmente, ou seja, Sam.
Ao mesmo tempo, a série permanece lírica e sentimental. O endurecido Joel, que no início é categórico sobre a maneira de Henry sobreviver, chamando-o de rato, depois se sensibiliza e aceita o caminho do jovem. A empática Ellie, pressionando a palma da mão contra a perna de Sam em tentativas ingênuas e muito tocantes de curar o menino – esses detalhes são como a esperança de que a humanidade deve vencer.
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