
Continuamos acompanhando os acontecimentos da série "The Last of Us".
O terceiro episódio da série "The Last of Us" funcionou como uma espécie de digressão lírica, onde os personagens secundários Bill e Frank se tornam os protagonistas. Como é o amor em um mundo pós-apocalíptico?
Recaps anteriores:
Atenção: a seguir, spoilers do 3º episódio da série "The Last of Us"
Conhecendo novos personagens – Bill
Bill (Nick Offerman) é o sobrevivente mais estereotipado, cujo porão está cheio de armas e sua casa está preparada para o apocalipse há muito tempo. No início de sua história, ele observa misteriosamente pelas câmeras escondidas como os vizinhos de sua pequena cidade despreocupada são levados por agentes da FEDRA. Os moradores ainda não sabem, mas estão sendo levados para a morte certa.

Bill, por sua vez, está mais é curtindo. Ele cria uma utopia ao seu redor, onde existem ele e seu pequeno mundo agrário.
O Bill da série é muito diferente do Bill do jogo. Enquanto no jogo observamos um contrabandista experiente, mas extremamente rabugento e histérico, até covarde, na série temos diante de nós um soldado silencioso, pronto para qualquer dificuldade. Os autores introduzem Nick Offerman como quase a estrela principal da série, seu rosto não é mostrado imediatamente, em uma panorâmica que se aproxima, ele heroicamente arranca a máscara.

Na minha opinião, isso é inapropriado e um pouco caricato. O público em geral conhece o ator por seu papel na série "Parks and Recreation", onde seu Ron Swanson, obviamente, também estava pronto para qualquer Armagedom. Mas Offerman (com todo o meu amor) não é Sylvester Stallone para uma aparição tão marcante, então eu pessoalmente não apreciei esse jogo visual.
Frank
Um dia, Frank (Murray Bartlett) cai acidentalmente em uma armadilha de Bill – um cidadão extremamente sortudo, o único sobrevivente de uma zona de quarentena em Baltimore. O homem se convida para jantar, e o solitário sobrevivente acaba se apaixonando por ele.

Frank é claramente uma alma romântica. Ele restaura lojinhas em sua cidade utópica, pinta retratos de seu amado, conhece Tess pelo rádio, sem medo de saqueadores e invasores.
No final, Frank adoece com uma doença incurável que o prende a uma cadeira de rodas (exatamente "prende", tão literariamente é mostrado na tela). Sofrendo, ele diz a Bill que quer passar seu último dia como o casamento deles.

O casal amoroso janta de forma muito pictórica "como no dia em que se conheceram" com coelho e Beaujolais, toma uma dose letal de medicamentos e, abraçados, morrem em seu quarto.
A história de Bill e Frank no jogo é muito mais triste. O covarde Bill, não querendo deixar a cidade já conhecida e mais segura, recusa as ofertas de Frank para ver o que há além dos muros. Frank rouba uma bateria e alguns suprimentos e, não conseguindo lidar com os infectados, comete suicídio em uma casa próxima. Joel, Ellie e Bill encontram Frank enforcado quando procuram a tal bateria perdida. Em uma carta, o ex-amante diz como odeia o sobrevivente.

Ah, e a propósito, e Joel e Ellie?
O episódio começa exatamente com Joel. Ele está à beira de um riacho, examinando seu punho ensanguentado. A cena lembra o filme "O Regresso" de Iñárritu pela correção de cor e paisagem.
Ellie espera Joel perto de uma árvore. A menina oferece condolências pela perda de Tess, mas deixa claro que não tem culpa no ocorrido.
Os protagonistas caminham pela floresta em direção a Bill e Frank, parando em uma antiga loja onde os amigos do apocalipse deixam suprimentos úteis uns para os outros.
Aqui ocorre uma cena inesperada – a curiosa Ellie se esgueira para o porão e encontra um infectado ressecado. Fazendo um corte em sua testa, ela vê que sua antiga carne já se assemelha à textura de mofo ou cogumelo velho, mas, ainda assim, sai sangue.
Vale notar com que amor os infectados foram recriados. Os cogumelos crescidos e a atuação dos atores parecem convincentes e espetaculares. Nesse aspecto, "The Last of Us" continua impressionando.

Na casa dos homens, os heróis encontram uma carta póstuma escrita por Bill para Joel. Nela, ele reflete sobre o propósito, sobre como alguns sobrevivem para proteger os outros – e esse é seu principal objetivo. O homem se referia a Tess, mas Joel, com um olhar dramático direcionado à menina, sugere ao espectador qual é agora o seu propósito.

O que aprendemos de novo?
Na verdade, não aprendemos muito sobre o mundo de "The Last of Us". Joel conta a Ellie que o governo matava pessoas não infectadas para não ter que mantê-las ou salvá-las, mas também para que não se transformassem em cogumelos assassinos ambulantes.
Joel dissipa nossas suposições e diz diretamente – a propagação ocorreu através da farinha ou açúcar (lembrando daquela mistura para panquecas do primeiro episódio).
Também aprendemos mais sobre Tess. No jogo, pouca atenção foi dada ao relacionamento do protagonista com sua companheira. A série nos conta que eles estavam juntos há muito tempo (cerca de dez anos), e aparentemente seu relacionamento era tocante e próximo, já que Bill comparou ele e Frank ao nosso casal.
O que não nos mostraram?
No jogo, ao encontrar Bill, o jogador se vê em uma situação desconfortável: preso em uma armadilha, ele deve atirar em infectados de cabeça para baixo. Essa cena marcante foi omitida na série, mas suponho que veremos algo semelhante nos próximos episódios.
Ainda não nos mostraram o Bloaters. Nós o encontramos pela primeira vez também com o sobrevivente, quando procuramos a bateria. Novamente, esperamos que o espectador seja apresentado ao estágio mais perigoso da infecção já na próxima semana.

Impressões
O episódio é obviamente arrastado. Com isso, a dinâmica cai bastante. A história em si é lírica e tocante. Ela nos lembra da humanidade, da solidão e de que as pessoas também morrem de doenças, mas... será que já esquecemos? Diante dos olhos do espectador, apenas Tess morreu de infectados (e uma cidade inteira no Texas, claro).
Apesar da minha reclamação, o episódio toca a alma. Esta espécie de parábola pós-apocalíptica tem um tema musical marcante, um clima especial, e assim como Bill tem seu próprio objetivo, não é avançar a trama, mas nos dar a oportunidade de ver como o amor floresce e salva apesar de tudo.
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