
As ideias de bacanal no cinema certamente mudarão após o filme 'Babilônia' de Damien Chazelle. Pessoas, animais, álcool, substâncias proibidas — tudo se misturou em seu novo filme, que conta sobre a 'era de ouro' de Hollywood. Como ficou o filme, lei...
Conheçam Hollywood dos anos 1920 — o auge do cinema mudo, pessoas ricas e famosas, festas caras, excessos e libertinagem. Diante de nós estão as histórias de quatro personagens: a atriz iniciante Nellie LaRoy (Margot Robbie), o astro do cinema mudo Jack Conrad (Brad Pitt), o afro-americano da trupe musical Sidney Palmer (Jovan Adepo) e um jovem chamado Manny Torres (Diego Calva Hernández), de origem mexicana, que abre seu caminho na fábrica de sonhos. Cada um deles buscará seu lugar no mundo do cinema mudo e, depois, sonoro, lidando com sucessos alados e quedas catastróficas.
Em pequenas participações especiais: Tobey Maguire, Olivia Wilde, Katherine Waterston, Phoebe Tonkin, Samara Weaving (ainda parecida com Margot Robbie).
Ou ela vai partir seu coração, ou fará você sofrer de outras maneiras e meios. Essa descrição não se aplica apenas à personagem de Margot Robbie (um de seus melhores papéis) — uma jovem atriz disposta a tudo por uma carreira —, mas também ao novo filme 'Babilônia', do diretor vencedor do Oscar Damien Chazelle. Sua ode de três horas ao cinema não apenas testa a paciência do espectador (afinal, não é uma duração pequena), mas também sua resistência ao estresse em todos os sentidos. O filme se revela uma verdadeira montanha-russa: do primeiro quadro à última cena, ele dispara sem freios, jogando-nos em diferentes solavancos, alternando cenas de festas loucas com álcool, drogas e devassidão, filmagens de filmes e pitadas de tragédias pessoais dos personagens.
Pela primeira vez no cinema de longa-metragem, Damien Chazelle se destacou ao dirigir o drama musical 'Whiplash', onde o foco era ritmo, emoção e tensão. Mais tarde, ele dirigiu 'La La Land' — uma nostalgia romântica por musicais e pela Hollywood que se foi. Unindo seu amor pela fábrica de sonhos da 'era de ouro' e sua visão musical do mundo, Chazelle criou 'Babilônia', que absorveu a energia e a loucura de 'Whiplash' e o romantismo de 'La La Land'. O diretor fez um filme para si mesmo, o que queria — engraçado, grandioso, impressionante, tocante e sincero.
Ao mesmo tempo, é evidente a repetição de algumas ideias do musical com Emma Stone e Ryan Gosling na bacanal apaixonada com Margot Robbie e Brad Pitt. Só que agora tudo soa mais afiado, mais ousado, com maior escala e sem qualquer modéstia. Ambos os filmes são permeados pelo amor à magia das imagens em movimento, pela arte da ilusão, e exigem o reconhecimento de que o cinema não é uma arte de segunda categoria. Ele tem um valor imenso — é acessível a absolutamente todos, independentemente do status ou tamanho da carteira.
'Babilônia' é luxuosa não apenas em escala, mas também em honestidade. Se em 'La La Land' a ênfase estava na fantasia do mundo ao redor (o que se lia até no título do filme), no novo filme é mostrado um backstage mais realista e menos polido da indústria cinematográfica, e essa conversa é mais adulta e franca. Chazelle não hesitou em mostrar que, por trás da fachada brilhante da Hollywood da 'era de ouro', escondiam-se podridão e devassidão, consumindo as pessoas que vinham para a indústria com o desejo de fazer algo significativo, e não de se banhar em rios de álcool e drogas (mas acabavam exatamente lá).
Como 'Babilônia' fala sobre o cinema na encruzilhada de duas épocas, o tema central é a reflexão sobre como a revolução nesse campo subjugou aqueles que não conseguiram aceitar as novas regras do jogo. Naquela época, estava ganhando popularidade a opinião de que Hollywood era um refúgio para todos, independentemente de raça, gênero e idioma (como sugere o título sugestivo do filme), e, por isso, nos são apresentados personagens variados com destinos diferentes.
Na conversa sobre a época de virada, um papel especial é dado ao tema da intercambialidade dos artistas: o tempo de alguns atores termina, outros vêm para substituí-los. Chazelle lembra que as estrelas se apagam, e o cinema é maior do que um único artista, ele é eterno. Simbolicamente, o personagem de Brad Pitt percorre esse caminho — afinal, o próprio ator esteve em uma situação semelhante, mas graças a Quentin Tarantino e 'Era Uma Vez em... Hollywood', ele provou que era cedo para descartá-lo.
Mas, embora a carreira de ator tenha um fim, o cinema pode tornar uma pessoa imortal. O pai do cyberpunk, William Gibson, já falava sobre isso, lembrando que os filmes são frequentemente conversas com os mortos. E nisso reside o valor especial do cinema, que não é esquecido em 'Babilônia': os artistas morrem, mas sua marca permanece, e para alguns, o filme mais despretensioso pode se tornar o melhor amigo em tempos difíceis. E aqui, novamente, repetem-se as palavras de que o cinema não pode ser considerado de segunda categoria, pois a essência original de qualquer arte que nasceu das pinturas rupestres é ser acessível a todos.
Criação do Mundo de 'Babilônia'
A honestidade e o realismo se manifestam não apenas no tom geral da história, onde o personagem central é a própria fábrica de sonhos, mas também na escolha dos rostos principais para o enredo. Quase todos os personagens têm um protótipo na crônica real de Hollywood durante a 'era de ouro'.
A personagem de Margot Robbie, Nellie LaRoy, é o protótipo da atriz Clara Gordon Bow, estrela do cinema mudo, símbolo sexual dos anos 1920 com um forte sotaque na fala, viciada em substâncias proibidas. Mas, na essência, ela pode ser vista também como uma imagem coletiva de todas as estrelas de Hollywood que ascenderam das camadas mais baixas, conheceram a fama e não conseguiram lidar com ela, afundando na vida desregrada e nos excessos.
'Ou você é uma estrela, ou não é', o principal lema da personagem de Margot Robbie.
Embora o personagem de Brad Pitt seja oficialmente fictício, segundo rumores, ele pode ter emprestado várias características de John Gilbert — o ator mais popular e mais bem pago do cinema mudo. O personagem do carismático Diego Calva, Manny, provavelmente representa todos aqueles que vão ao cinema na tentativa de criar algo significativo, mas, no final, Hollywood os engole, e a pessoa sai de mãos vazias.
Além disso, em 'Babilônia', é lembrada a história da primeira atriz de origem chinesa a obter sucesso na fábrica de sonhos — Anna May Wong (Li Jun Li). E a roda de fofocas geral no filme é conduzida pela famosa jornalista de coluna social Elinor John, interpretada por Jean Smart — protótipo de Elinor Glyn.
Falando sobre a parte técnica, 'Babilônia' é criado no limite das possibilidades do cinema (sem considerar a computação gráfica). As colagens de montagem são incríveis, as cenas loucas filmadas em um único take impressionam, o trabalho com luz e ângulos é magnífico, e é impossível tirar os olhos das filmagens em locações. A imagem é fascinante (se nada desagradável estiver acontecendo na tela). Sobre a escala das filmagens de 'Babilônia', muito já diz o fato de que a festa principal no início do filme foi filmada pela equipe por duas semanas, quase sem folgas.
E, claro, a música. O compositor favorito de Chazelle, Justin Hurwitz, criou trilhas sonoras que complementam perfeitamente o que acontece na tela, mantendo o ritmo e a tensão até o final. Ao mesmo tempo, melodias mais calmas (com toques de 'La La Land') são habilmente inseridas na trilha sonora geral, proporcionando uma pequena pausa para respirar fundo e mergulhar novamente na farra cinematográfica. E as cenas com quadros do cinema mudo são inseridas completamente sem som, criando a sensação de que se está nos anos 1920.
'Babilônia', de Damien Chazelle, é um filme-fogos de artifício que faz rir e entristece, causa êxtase, medo e, por vezes, repulsa; é contraditório e louco, como, em princípio, a nossa vida. E o diretor coloca um ponto final em sua declaração de amor nos 10 minutos finais. Ele relembra as conquistas mais impressionantes do cinema em quase 100 anos desde o surgimento do cinema sonoro. Permanecendo um romântico incurável, ele mostra como o cinema mudou e como nós mesmos mudamos. E esses últimos minutos encantam e tocam a alma.
O filme 'Babilônia' será lançado nos streamings em 21 de fevereiro.
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