Preview image

Estreia nos cinemas o terror espanhol '13 Exorcismos do Diabo', feito segundo todos os moldes dos filmes de exorcismo, mas que por algum motivo coloca questões filosóficas para o espectador. Sobre como um filme com um título engraçado sofreu de exces...

Laura cresce como uma adolescente quieta e reprimida. Ela tem dificuldade em se relacionar com colegas desinibidos, tem medo de sua mãe extremamente religiosa, Carmen, e evita um pouco as iniciativas comunitárias intrusivas da ativista paroquial e amiga da mãe, sendo verdadeiramente compreendida apenas por seu irmão cadeirante Jesús, o personagem mais interessante do filme, que, no entanto, é rapidamente retirado da trama. Em suma, não é surpreendente que, na noite de Halloween, Laura fuja secretamente de casa para uma festa por sugestão de uma amiga festeira, e acabe numa mansão abandonada e misteriosa, onde, anos atrás, um médico possuído matou sua família.

Então começa algo inspirado (e os maldizentes dirão que é um remake) em 'O Exorcista', um dos melhores filmes do mundo. O problema geral é que, como qualquer um dos melhores filmes, 'O Exorcista' não precisa de remakes, e '13 Exorcismos do Diabo' surge imediatamente como um espetáculo terrivelmente desnecessário, embora promissor em algum ponto do meio.

Por volta dos trinta minutos, quando o diabo já possuiu Laura, mas ninguém ainda sabe o que fazer a respeito, o diretor Jacobo Martínez, como se diz, dá asas à imaginação: temos violência interessante na tela, um padre que batizou o soro fisiológico (santo soro intravenoso!), e até mesmo alguma corporeidade – amor adolescente, uma scooter, a cabeça dela apoiada no ombro dele. Em suma, os laços se rompem, os ossos se dobram, e algumas vezes é realmente assustador. Mas aí começa um certo tédio.

Post image

O diretor decide inesperadamente que é William Friedkin e levanta uma 'questão séria' atrás da outra, mas no final tenta desesperadamente fazer a ausência de uma ideia coerente parecer sua presença oculta em algum canto escuro do apartamento dos protagonistas – uma família de neuróticos de classe média com um passado triste e um presente sombrio. Esses mesmos neuróticos de classe média enfrentaram o senhor das trevas em 'O Exorcista', mas naquela época tinham tudo o que precisavam para salvar a alma: uma estrela de cinema, um policial, Max von Sydow, presença de espírito e uma citação de 'Casablanca'. Agora, porém, alguns se refugiaram na religião, outros na psicologia, outros na angústia universal, e descobriu-se que ou é impossível vencer o diabo, ou ele simplesmente não existe. E quando, num filme sobre exorcismo, não está claro se o diabo existe, o sentido do que está acontecendo se perde rapidamente.

E quando, perto do final, se exorciza o diabo e se tenta provar que ele não existe ao mesmo tempo, surge uma sugestão sensacional tanto para os personagens quanto para o diretor: ou tire a cruz, ou vista a cueca, porque juntos, isso não é nem mesmo uma vulgaridade assustadora, mas sim uma vulgaridade não assustadora, o que para um filme de terror é uma sentença de morte.

13 exorcismos do diabo críticas

De resto, o filme não é ruim – o padre, por exemplo, é extremamente bem-sucedido. O notável ator de 85 anos, José Sacristán, que por algum motivo se parece com ele, tem uma presença ligeiramente assustadora, mas aconchegante, no papel ao estilo von Sydow; a garota Laura sofre por ser uma adolescente comum, enquanto deveria ser a Virgem Maria; os outros também sofrem de forma muito colorida, embora os colegas de classe da protagonista, por exemplo, não tenham funcionado. A questão é que, em cada cena e linha narrativa individual, o filme, no geral, funcionou, mas dificilmente se recomendaria assisti-lo inteiro.

Grave de novo, Sam: resenha do filme 'Os Fabelmans' de Steven Spielberg
Ivan Kilyakov
Grave de novo, Sam: resenha do filme 'Os Fabelmans' de Steven Spielberg

O novo filme de Steven Spielberg sobre o amadurecimento de um menino que amava cinema. Sobre por que este drama com elementos autobiográficos é um dos melhores filmes do clássico no século XXI, conta

Open material

Por volta do sétimo exorcismo, quando fica claríssimo para onde a história está indo, entrereferências a 'Carrie' e 'O Chamado', vem à mente, inesperadamente, o grande filme 'A Palavra' (que, com 'O Exorcista', compartilha a presença de um irmão com potencial de santo cristão e um problema comum de abandono divino) e uma citação triste de lá, que poderia ser usada nos pôsteres como tagline: 'E você, Inger, está destinada a apodrecer, porque nossos tempos apodreceram'. E até sinto um pouco de inveja de Inger – na época dela, o maior mal nos filmes de terror era qualquer coisa, menos a incapacidade do diretor de decidir sobre o que está fazendo um filme.