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Recentemente, nos serviços de streaming estrangeiros, foi lançada a nova temporada da série "Strike", baseada no romance "Sangue Ruim" de J.K. Rowling. Sobre por que a quinta parte da adaptação do ciclo detetivesco de uma das melhores escritoras brit...

Quem leu os romances sobre Strike já sabe por que a adaptação de "Sangue Ruim" deve ser vista assim que possível no primeiro fim de semana – o quinto livro da série não foi apenas o mais bem-sucedido, mas também se revelou um detetive exemplar. A narrativa densa sobre a investigação de um caso arquivado foi animada não apenas pela sensação geral de que a justiça não tem prazo de validade, mas também pela interação dos detetives – Cormoran Strike e Robin Ellacott – heróis, fica claro desde o início, destinados um ao outro, mas que há cinco anos e milhares de páginas fogem do seu destino.

O relacionamento dos detetives – muito tocante, confuso, seguindo uma direção compreensível, mas constantemente se desviando – acabou sendo para muitos o ponto de atração dos livros. Embora o talento detetivesco de J.K. Rowling seja surpreendente, ela é uma das poucas autoras que consegue transformar atmosfera em enredo: tanto em "Harry Potter" quanto nos romances sobre Strike (essa característica, aliás, foi captada pelos criadores de ambas as adaptações) – com a ausência constante de um enredo claro, tudo sempre se encaixa em uma história de rara beleza.

Strike, Holliday Grainger
Cena da série "Strike"

O segundo grande talento de Rowling – criar personagens carismáticos que se tornam quase familiares – é apoiado na série por um elenco perfeitamente escolhido. Muitos veteranos da televisão inglesa abrilhantaram a quinta temporada com sua presença, mas mesmo neste cenário nobre é difícil não notar Tom Burke (a estrela de "O Lembrança" interpreta Cormoran Strike) e Holliday Grainger (Robin).

Nesta dupla equilibrada, a melancolia de Burke, a angústia ativa em seus olhos, é complementada por um certo ardor de Grainger, a firmeza e confiança de seus movimentos. E na representação do principal sinal de amor na televisão inglesa – o arquear das sobrancelhas em formas inesperadas – esses dois são tão bem-sucedidos que parece que Colin Farrell, campeão neste esporte, ficou preocupado em algum lugar.

A temporada começa quando uma mulher desconhecida se aproxima cautelosamente de Strike, que está calmamente bebendo cerveja em sua Cornualha natal, e pede que ele encontre sua mãe. À primeira vista, para encontrar a mãe de alguém na Cornualha, não é necessário recorrer a um dos melhores detetives de Londres, que está apenas visitando sua tia e tio, mas o problema é que a mãe dessa mulher desapareceu há quarenta anos. Margot Bamborough, em 74, depois do trabalho (ela era médica em uma clínica particular), foi a um pub para encontrar uma amiga e se perdeu em algum lugar entre esses locais.

O corpo não foi encontrado, o suposto assassinato foi atribuído ao maníaco Creed, que estava atuando em Londres na época, sequestrando, torturando e matando mulheres jovens, o caso foi arquivado, e todos tentaram esquecer Margot, incluindo seu marido, colegas e ex-amantes. No final, apenas sua única filha, que sofre a vida toda pela falta até de memórias da mãe, e sua melhor amiga, a quem Margot não conseguiu encontrar naquela noite fatídica, não a esqueceram.

Strike, Tom Burke
Cena da série "Strike"

Após ouvir uma história igualmente confusa, Strike concorda, por alguma razão, em investigar este caso arquivado completamente sem esperança. Talvez porque ele nasceu no ano do desaparecimento de Margot, talvez porque foi conquistado pelo desejo desesperado da cliente de resolver seu próprio passado – algo que Strike, ao longo de cinco temporadas e seis livros, evita cuidadosamente. Em um período difícil de sua própria vida – aproximando-se dos quarenta anos, a doença incurável de sua tia, que o criou durante grande parte de sua infância, uma melancolia geral e um amor não correspondido do detetive por sua parceira – Strike, como de costume, começa a se aprofundar no passado alheio, e descobre que mesmo feridas de quarenta anos ainda doem, no fundo.

Strike e Robin, que também sentiu um desejo de justiça, começam a se encontrar com aposentados de vários tipos, condições e simpatia, em seus apartamentos geralmente solitários, para descobrir o que realmente aconteceu há quarenta anos; como uma mulher que seguia uma rota direta e familiar se desviou dela. Claro, essa questão, tanto para Rowling quanto para os criadores da série, acaba sendo uma moldura: através do destino de Margot Bamborough, mostra-se o destino das feministas da segunda onda e a virada geral da história britânica.

A principal questão que os personagens se colocam em algum momento não é apenas para onde Margot realmente foi, mas para onde o tempo foi. Quando e o quanto tudo deu errado, se o nosso futuro brilhante foi roubado pelo maníaco Creed, pela máfia italiana ou por outros vilões, conhecidos ou não. Nesse sentido, o tema chave para a nova temporada é a memória – dos mortos e dos vivos, mas principalmente, talvez, dos primeiros. A investigação aqui, como na recente adaptação do romance sobre Maigret com Depardieu, não é tanto uma forma de descobrir algo, mas de lembrar, o que, no final das contas, não é tão pouco.

Strike, Tom Burke e Holliday Grainger
Cena da série "Strike"

Strike, com seu alcoolismo de cerveja, caráter difícil e impressionante desejo de justiça, e Robin, na série um tanto impulsiva, mas engenhosa e compassiva ao ponto das heroínas de Austen, claro, acabam resolvendo o crime, mas a adaptação de "Sangue Ruim", embora secundária em relação ao romance, acaba sendo, seguindo o livro, sábia o suficiente para mostrar – encontrar o assassino dificilmente conserta algo de verdade, todos nós já não chegamos ao pub. Mas a paz, mesmo quarenta anos depois, pode ser encontrada – e esta é provavelmente a principal mensagem com a qual podemos celebrar as festas este ano.