Preview image

O favorito de Ridley Scott, o vencedor do Oscar Russell Crowe, marcou mais um trabalho como diretor após um hiato de oito anos. Sobre por que seu 'Poker Face', concebido como um thriller criminal com elementos de humanismo e amor à vida, se transform...

O filme começa com uma cena diretamente emprestada do famoso 'It' de Andreas Muschietti: jovens rapazes e moças se divertem em uma ilha remota, em meio às paisagens magníficas da Austrália e um pôr do sol alaranjado. Eles saltam de um penhasco na água, jogam cartas, e têm um futuro tão grande e misterioso pela frente...

Wes Craven, que mudou tudo: por que 'Pânico' é uma revolução no terror
Nadezhda Vasilyeva
Wes Craven, que mudou tudo: por que 'Pânico' é uma revolução no terror

O mal nunca pareceu tão próximo, e os próprios filmes de terror nunca pareceram tão inteligentes. E tudo graças ao mestre do terror Wes Craven, que realizou a revolução do terror três vezes. Lembran

Open material

Logo isso acontece, e conhecemos o protagonista do filme — o ás do pôquer Jake Foley (Russell Crowe). Outrora um simples hobby com este jogo o levou ao trono de magnata do pôquer com um império de pôquer online. Os negócios de Foley parecem ir bem: o negócio prospera, ele tem uma filha amada de seu segundo casamento (sua primeira esposa morreu em um acidente), várias casas e alguns 'Maybachs' caríssimos. Mas no fundo, algo o oprime. Ele não vê os amigos de infância (com quem se divertia naquela ilha) há muito tempo, o relacionamento com a esposa esfria a cada dia, e ainda há uma visita inesperada ao médico, de quem Foley ouve más notícias.

Cartas, Crowe, duas mesas: resenha do filme 'Poker Face'
Russell Crowe no filme 'Poker Face'

Então o bilionário decide realizar uma operação secreta (por que 'secreta' — permanece fora de cena). Foley convida velhos amigos para o jogo de suas vidas. As apostas são muito altas — o vencedor leva o dinheiro e o império. Mas por trás disso há um segundo objetivo: o ás do pôquer quer levar os amigos a uma conversa franca e descobrir por que eles se distanciaram. E, para torná-los mais complacentes, ele se abastece com soro da verdade.

A partir daí, tudo o que acontece lembrará dolorosamente o que o famoso britânico Guy Ritchie já faz há muito tempo — cartas, fichas, pano verde, carros caros, álcool, rostos ansiosos, ladrões que chegam inesperadamente, diálogos com pretensão de humor intelectual, etc. Mas se Ritchie trata cada cena com carinho e tenta levar os arcos dos personagens a um final lógico, Crowe apenas salta superficialmente, pegando tudo o que lhe agrada.

Este é aquele momento em que o título 'Poker Face' reflete totalmente o conteúdo do filme. Não há espaço para emoções, tudo é construído em cálculo frio. Mas os limites do gênero, aparentemente habilmente colocados ao longo do filme, parecem mera parafernália, paredes de papelão — sopre e tudo desmorona.

Post image
Liam Hemsworth no filme 'Poker Face'

Crowe tenta laboriosamente (ou não tenta — é difícil entender) jogar com o rosto impassível, limitando o enredo a meras anotações nas margens: sentaram para jogar cartas — não terminaram, os amigos pareciam ter começado a se confessar — não ouviram até o fim, e ninguém está interessado, então bandidos aparecem — resultando em um tiroteio tão pobre que dá vontade de desistir. Adicione a isso inserções periódicas de pinturas de museu decorando a casa de Foley e a filosofia autoral com ondas do mar, claramente simbolizando a transitoriedade de tudo (um truque terrivelmente 'original').

Essa confusão em 'Poker Face' é completamente desorientadora. A ambição claramente exigia mais tempo de tela, mas Crowe aparentemente estava muito limitado em duração. A única coisa que ele conseguiu em abundância foi uma imagem suave, luxuosa e elegante: o brilho de carros caros, relógios, a alta tecnologia fria de casas inteligentes. Mas o problema é que todos esses elementos no filme parecem muito mais vivos do que seus personagens (interpretados por atores secundários decentes), por quem não há sentido em sentir simpatia, eles são constantemente levados por aquela mesma onda metafórica que aparece periodicamente na tela.

Cartas, Crowe, duas mesas: resenha do filme 'Poker Face'
Cena do filme 'Poker Face'

Todas as tentativas de criar tensão no filme degeneram em um drama de salão inadequado e estranho, onde os detalhes dispersos do enredo não conseguem se unir, vagando na escuridão do luxuoso salão de pôquer, onde não há ninguém para jogar.

No final, 'Poker Face' resultou em um filme fragmentado, forçado e terrivelmente medíocre, que provavelmente será considerado um dos piores deste ano. O único por quem se quer simpatizar aqui é o próprio Russell Crowe, que, apesar de toda a boa vontade, não conseguiu se firmar no papel de um diretor sólido.