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O diretor de 'Top Gun', Tony Scott, em 2010, escalou Chris Pine em seu filme de ação Unstoppable (na localização 'Incontrolável', mas eu traduziria melhor como 'Imparável'). 12 anos depois, Pine decidiu estrelar sua paródia de ficção científica 'Não...

Anos 1950, uma realidade alternativa. As pessoas vivem em belas casas estilosas com gramados verdes em algum lugar no meio do deserto. Tudo está sempre bem para elas: de manhã, as esposas se despedem dos maridos que vão para um trabalho misterioso, e enquanto os homens estão fora, as mulheres limpam, cozinham, lavam, vão às aulas de balé e fazem compras no shopping local. E assim todos os dias. Até que uma das esposas, chamada Alice (Florence Pugh), de repente começa a duvidar de tudo ao seu redor.

No trailer da promissora ficção científica 'Não se Preocupe, Querida', da diretora Olivia Wilde, havia tanto mistério, enigma, futurismo, cores vibrantes e estilo que dava vontade de descobrir logo o que havia dentro da casca. A casca, infelizmente, era medíocre. Como a imprensa estrangeira escreveu, Harry Styles — o protagonista galã — com sua voz pode conquistar estádios, mas não sabe atuar. Mas talvez ele apenas tenha tido azar com o gênero: talvez devesse ter escolhido uma comédia? De qualquer forma, no filme, suas tentativas de expressar tristeza ou angústia interna são tão forçadas que dá até vontade de chorar.

Não se Preocupe, Querida

Chris Pine aqui agrada com sua aparência jovem e beleza repentinas. Ele desempenhou bem seu papel no filme, embora valha a pena notar que não havia muito o que interpretar. Quanto a Gemma Chan, tão bem quanto Chloé Zhao explorou seu potencial em 'Os Eternos', tão mal Olivia Wilde usou seu talento, mesmo que em papéis secundários.

A principal salvação e joia de 'Não se Preocupe, Querida' é a totally unstoppable Florence Pugh. Esta britânica de 26 anos mais uma vez fez mágica, vivendo no filme as mais diversas nuances e tons emocionais, de tirar o fôlego. Em seus ombros frágeis, ela carrega todos os momentos desajeitados da trama e compensa a atuação fraca do parceiro, dando pelo menos um motivo para assistir ao filme até o fim. E o longa, aliás, dura duas horas.

Não se Preocupe, Querida

Por que a promissora ficção científica acabou sendo arrastada e mal construída? Talvez porque Olivia Wilde se empolgou tanto com a forma que esqueceu o conteúdo. Ela criou um mundo incrivelmente estilizado, composicionalmente equilibrado, com achados interessantes de cinematografia, pintou-o com cores vibrantes e o adornou com objetos caros e pessoas visualmente atraentes. Além disso, o compositor John Powell criou uma trilha sonora inquietante interessante, que contribui para a atmosfera de mistério e suspense. Mas Wilde não conseguiu lidar com o desenvolvimento da história: no meio da trama, os eventos e as reações dos personagens começam a se repetir, e a narrativa emperra. E algumas cenas lembram anúncios de uma imobiliária de luxo ou uma compilação de videoclipes psicodélicos (pessoalmente, gostei deles, mas como elementos da história, não são muito coerentes).

Olivia Wilde quer discutir relacionamentos abusivos, feminismo, patriarcado, a ilusão da vida bela e a infelicidade infinita das pessoas. Ela até recorre ao simbolismo, sugerindo a ciclicidade de tudo e de todos. Mas ela faz isso com pinceladas muito superficiais em termos de conteúdo. O resultado é um drama sem alma — como um doce em uma embalagem bonita, mas sem recheio (ou como uma casca de ovo vazia).

Não se Preocupe, Querida

'Não se Preocupe, Querida' tem a vibe de 'As Esposas de Stepford' e de mais alguns filmes sobre a ilusão da realidade, que não vale a pena mencionar para não dar um grande spoiler. E essa ficção científica dramática tinha todas as cartas e chances para conquistar os corações do público e dos críticos de cinema, alguns dos quais já deram a Olivia Wilde um cheque em branco após seu sucesso com 'Fora de Série'. Mas, infelizmente, ao final do filme, restam apenas duas perguntas principais na cabeça: quanto tempo Florence Pugh levou para aprender a dançar com uma bandeja com um copo de uísque na cabeça, e se ela gostou da experiência de se enrolar em filme plástico?