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Não vou esconder — ainda não vi o terceiro 'O Balconista', mas já estou empolgada! Não é este um motivo para lembrarmos juntos por que Kevin Smith é tão bom?

Quando jovem, Kevin Smith trabalhou em uma locadora de filmes (um lugar mágico onde os cineastas da virada do século eram criados). Já naquela época, ele amava tudo relacionado a geeks, blockbusters espaciais irados e o gênero comédia. Quando tinha pouco mais de 20 anos, viu o filme Richard Linklater 'Caçadores de Emoção' e percebeu que tipo de cinema queria fazer.

Como tudo começou?

A estreia de Smith foi 'O Balconista' (1994). Uma comédia intimista em preto e branco, feita com dinheiro próprio, que na época conquistou o festival 'Sundance' e o Festival de Cannes com sua simplicidade, humor e sinceridade. E o comediante e diretor iniciante ganhou carta branca — após um dos festivais, a Miramax comprou os direitos de distribuição.

Kevin Smith O Balconista
cena do filme 'O Balconista'

«Клерки» — уникальная кинокартина, сценарий которой написан по канонам дедраматизации. Этим она очень напоминает работы . А из-за черно-белой пленки, выбранной, по словам самого Смита, из-за нехватки денег на цветную, чем-то даже творчество Микеланджело Антониони .

Джим Джармуш – художник независимого кино
Роман Ковалев
Джим Джармуш – художник независимого кино

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A história sobre caras com vidas monótonas e sonhos clichês tocou profundamente o público, acostumado a ver personagens bem diferentes nas telas. Isso transformou 'O Balconista' de um filme independente de baixo orçamento em um hino dos geeks.

A propósito, 'O Balconista' é o primeiro filme onde aparecem alguns dos personagens mais marcantes do século 21 — os pequenos traficantes Jay e Silent Bob.

A ação de alguns filmes de Smith se passa na cidade fictícia de View Askew, em Nova Jersey. Os fãs chamam essa série de universo View Askew (View Askewniverse). Fazem parte dele o já mencionado 'O Balconista' e suas duas sequências, 'Os Desorientados', o cult 'Dogma', a duologia sobre Jay e Silent Bob, 'Procura-se Amy'.

Nesses filmes, Kevin Smith se revelou um comediante de texto. Ele não tem diálogos longos nem explicações rebuscadas — cada monólogo pretensioso é espremido ao máximo e sempre termina com uma punchline cortante e digna.

O ser humano não é capaz, nem física nem psicologicamente, de suportar o poder imenso da verdadeira voz de Deus. Se a ouvisse, sua mente ferveria e seu coração explodiria. Perdemos meia dúzia de Adões até descobrirmos isso.

o anjo Metatron, interpretado pelo incrível Alan Rickman

A propósito, apesar de Smith ser ótimo em 'entregar' piadas (você pode conferir seus especiais para ver por si mesmo), o Silent Bob, que ele mesmo interpreta, é famoso justamente por seu silêncio. Suas pausas são muito bem escritas do ponto de vista do roteiro — também um recurso de humor literário.

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Kevin Smith em seu show de stand-up comedy 'Silent but Deadly'

Não só de um gênero vive o homem

Mas não se pode dizer que Kevin Smith é um diretor apenas de comédias. Justamente na combinação de gêneros e nas constantes experimentações em storytelling é que reside seu estilo de direção. Kevin Smith sabe levar uma situação ao absurdo, mas de forma que o público acredite ao máximo no que está acontecendo. Isso é alcançado graças a personagens que se complementam bem.

Por exemplo, Bethany, a protagonista de 'Dogma' interpretada por Linda Fiorentino, uma cristã que perdeu a fé e a quem Deus dá uma tarefa importante — impedir que os anjos exilados Bartleby (Ben Affleck) e Loki (Matt Damon) retornem ao paraíso — recebe como ajudantes Jay e Silent Bob, caras que passaram a vida vendendo maconha para estudantes. Esses contrastes ajudam a trama a se desenvolver de forma inesperada e cativante, independentemente do gênero.

Nunca faça 'A Garota da Jersey'...

No segundo período de sua obra (a divisão é bastante condicional, vamos chamá-lo de período da 7ª regra), Smith fez trabalhos muito inesperados — 'A Garota da Jersey', 'Zack e Miri Fazem um Porno', 'O Estado Vermelho'. Esses filmes estavam muito distantes dos trabalhos anteriores do diretor e não tiveram sucesso comercial nem amor do público (embora todos que já assistiram filmes às 21h no canal STS conheçam 'A Garota da Jersey' de cor).

Os projetos foram controversos. Mas o próprio Smith se arrependeu mais de 'A Garota da Jersey'. Era um projeto muito comum, sem o estilo autoral característico, com um enredo muito lento e previsível, que deveria fisgar com atores estrelados (veja só o Bennifer), mas não fisgou por valores tão altos assim.

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cena do filme 'A Garota da Jersey'

Para os fãs do trabalho de Smith, tempos sombrios chegaram — o diretor que eles amavam por uma certa estilística e temas específicos agora contava histórias completamente diferentes com uma linguagem cinematográfica diferente.

O Novo Smith de Sempre

Em 2014, foi lançado o filme 'Tusk' — uma comédia trash, cuja ideia Kevin Smith e seu amigo e colega Scott Mosier tiveram durante um de seus podcasts. Smith até fez uma votação no Twitter para saber se os fãs queriam ver o filme.

O trabalho final foi recebido de forma ambígua. Alguns se regozijaram, afirmando que o bom e velho Smith tinha voltado. Outros ficaram indignados, esperando ver mais sátira geek em vez do absurdo. O próprio diretor queria fazer um almanaque nesse cenário, mas devido ao fracasso da segunda parte, 'Yoga Hosers', decidiu encerrar o projeto.

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'Yoga Hosers' — filme de Kevin Smith com Lily-Rose Depp e Johnny Depp nos papéis principais. Um filme de família, pode-se dizer

O maior geek de toda Hollywood

Já usei a palavra 'geek' várias vezes neste material, mas não tem como ser diferente, pois Kevin Smith é chamado de maior geek de Hollywood (um título mais que honroso). As razões para isso são muitas.

Em seu trabalho, ele frequentemente faz referência a quadrinhos e ficção científica popular. Smith até escreveu quadrinhos para a Marvel no final dos anos 90 e nomeou sua filha em homenagem à Harley Quinn. Os personagens de seus filmes são muito orgânicos, não têm a caricatura dos heróis de 'The Big Bang Theory' (onde, aliás, ele fez uma participação).

Os próprios projetos de Smith se tornaram tão populares que já servem de referência: 'Capitã Marvel', por exemplo, ao inserir a participação característica de Stan Lee, o fez lendo o roteiro de 'Os Desorientados'.

Os nomes dos personagens de muitos filmes do View Askewniverse são emprestados dos heróis do icônico 'Tubarão' — um dos maiores filmes de todos os tempos, segundo Kevin Smith.

Na verdade, as referências de Smith são muito mais profundas e interessantes do que parecem à primeira vista. Além da cultura pop, ele frequentemente cita a mitologia de diferentes povos, o cristianismo, filmes independentes e até… hóquei — em muitos de seus filmes, alguém joga esse esporte ou usa seus acessórios de forma inadequada.

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cena do filme 'Dogma'

Easter eggs em seus trabalhos também podem ser vistos sobre ele mesmo. Kevin Smith dominou a arte de fazer referências ao seu próprio trabalho com perfeição. Ele frequentemente cita trabalhos anteriores, deixa macguffins de projetos passados como alusões. Pode-se até chamar isso de seu próprio ecossistema (sem pretensão excessiva, é claro). Cada filme subsequente do View Askewniverse é uma quebra orgânica e, na minha opinião, elegante daquela magia do cinema. Os personagens evoluem não apenas de acordo com a idade e o tempo, mas também no contexto da própria visão de mundo de Kevin Smith e do desenvolvimento da comédia e do cinema como um todo.

A julgar pelo trailer, o terceiro 'O Balconista' parece estar destinado a encerrar essa longa história sobre dois caras aparentemente chatos, mas na verdade não, Dante e Randal. Pessoalmente, espero algo completamente novo e muito emocionante, e vocês?