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Chega aos cinemas nacionais 'Jeepers Creepers: Renascido', a quarta parte de uma franquia de destino difícil. Sobre por que este slasher sobre o mal antigo, jovens estúpidos e (cuidado, pós-modernismo) a cultura do cosplay pode ser ignorado – em noss...

O primeiro 'Jeepers Creepers' foi lançado em 2001 e restaurou a fé de muitos de que o slasher clássico ainda estava vivo (a terceira parte do grande 'Pânico' no ano anterior quase enterrou essa fé). Era um bom filme B, dirigido com mão firme pelo diretor Victor Salva, um pouco refinado pela produção de F. F. Coppola e pelo fato de que o maníaco Creeper costurava tapetes com suas vítimas, ou seja, era um humano (criatura antiga) não alheio à arte.

A segunda parte não oferecia nada de particularmente novo: um ônibus escolar, adolescentes confusos, o sinistro Creeper, a noite escura. A poesia sombria do primeiro filme fluiu para um 'Dostoiévski leve' do segundo, a terceira parte já era uma prosa um tanto rural, e longe de ser Shukshin, e a quarta investida no universo com o ambicioso título 'Jeepers Creepers: Renascido' acabou sendo, como esperado, a mais comum das fanfics.

Como toda fanfic, 'Jeepers Creepers: Renascido' não é necessariamente ruim, mas é extremamente desnecessário. Começa com um esboço fofo sobre dois aposentados encontrando seu destino nada alegre na forma do infame caminhão do monstro na já conhecida rodovia. Após essa referência não muito bem escondida ao 'Creeper' original, encontramos os protagonistas – novamente um casal, mas jovem.

Sydney Craven, Imran Adams
Cena do filme 'Jeepers Creepers: Renascido'

Chase (Imran Adams), fã de terror e de algo no estilo do canal TV-3, sabe tudo sobre o Creeper, assistiu aos três filmes sobre ele, onde tudo foi distorcido (o ímpeto pós-moderno dos autores às vezes não tem limites) e está ansioso para ir a um festival de geeks do mundo do horror. Este sabá para fãs de 'Halloween' e outros filmes notáveis (é preciso talento para filmar um evento tão interessante de forma tão entediante) é realizado, coincidentemente, nos lugares onde o Creeper costumava agir, e Chase, naturalmente, só fica feliz com isso.

Sua namorada Laine (Sydney Craven), bióloga e garota bastante racional, que também está grávida do azarado fã de coisas assustadoras, não está nada feliz. Este simpático casal finalmente chega ao festival, parando no caminho em uma loja de souvenirs, que, caracteristicamente, pertence a uma misteriosa feiticeira. Após esse encontro agradável, Laine começa a ser atormentada por pesadelos sobre o destino do feto, que parecem proféticos, e no auge da convenção de fãs, o Creeper aparece e novamente realiza sua colheita sangrenta (lânguida).

Craven e Adams se esforçam ao máximo, ambos são bons atores, diga-se de passagem, mas o herói de Adams tem quase todas as suas falas começando e terminando com o tratamento 'querida', o que, em geral, não contribui para revelar o potencial de atuação, e Laine, no início do filme, age como a voz da razão, mas a partir do meio já depende totalmente de visões sinistras e informações do nada (embora a franquia seja famosa por isso – em cada filme há um vidente, e os heróis sabem mais sobre o Creeper do que deveriam).

Grande parte da ação é construída em cenas desfocadas com pessoas sombrias em mantos pretos e os esforços dos heróis para enganar o Creeper, que, parece, nem se importa com eles. Mas em algum momento, fica claro que o velho Creeper está muito interessado nos jovens, e as visões góticas pressagiam um perigo muito real e até se concretizam como realidade nas cerca de uma hora e meia que o filme dura. O problema é não cochilar nesse momento. 'Jeepers Creepers' tem falhas suficientes – é filmado de forma bastante desajeitada, tem filtros de luz péssimos, o enredo é difícil de chamar até de batido (palavra fraca) – mas a principal é que é simplesmente um filme desinteressante.

'Jeepers Creepers: Renascido' é desinteressante por muitas razões, principalmente porque o Creeper, que apareceu há apenas vinte anos (ainda um garoto perto de Michael Myers), envelheceu tão rapidamente: seus shurikens de ossos humanos parecem arcaicos, sua tendência de renascer a cada 23 anos parece uma bobagem (antes de tudo, para quê?), e ele mesmo parece um rudimento de uma época. Corre devagar, respira pesadamente, mata de forma entediante e pouco inventiva. Jogar um machado pesado nas costas de uma garota, se não qualquer tolo consegue, então qualquer tolo fisicamente forte consegue. Palavra de honra, não é uma olimpíada.

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O Creeper, como diz a personagem Laine, está cansado, e, para ser sincero, isso é visível. Ele parece não querer matar, tem preguiça de caçar, e o momento mais vivo e tocante do filme é quando, na confusão, as vítimas do Creeper quebram seu amado disco de vinil com a música de Armstrong: o melancólico 'Jeepers Creepers, where'd ya get those eyes?' é abruptamente interrompido, a criatura olha para seus oponentes com uma estranha tristeza e como se esperasse que, em 23 anos, quando precisar renascer novamente, a humanidade consiga se destruir sozinha.

Sydney Craven, Jeepers Creepers
Cena do filme 'Jeepers Creepers: Renascido'

Como que correspondendo ao seu herói, o diretor Timo Vuorensola, um cineasta de ficção científica finlandês autodidata, também rejeita qualquer inventividade: aqui e ali, sucedendo-se, aparecem empréstimos de outros filmes (bons). Sob o disfarce do filme 'Jeepers Creepers: Renascido', é oferecida uma paródia divertida de 'O Bebê de Rosemary', várias alusões a 'Sexta-Feira 13', cenas com o Creeper onde ele se parece terrivelmente com Freddy Krueger, uma abundância de referências às partes anteriores e várias outras alegrias despretensiosas. O clímax disso é o momento em que, perto do final, o filme já se torna abertamente 'Os Pássaros', embora isso se pareça mais com Hitchcock na intenção, mas na prática parece 'Pássaroapocalipse 3'.

Assistir a tudo isso não é muito interessante; a ideia de que, na era do pós-modernismo, até os monstros de verdade são os mesmos geeks cosplayers, só que um pouco mais acreditando em seu personagem, é curiosa, mas também não é nova. Quem viu o filme 'Sexta-Feira 13. Parte 4' não se surpreenderá com isso, e os fãs do filme 'Pânico' darão de ombros. É especialmente triste ver o 'renascimento' do Creeper, se lembrarmos com que elegância e até dignidade Jason ressuscitou em sua época no sexto 'Sexta-Feira 13', um filme crucial para os slashers. Mas os anos 80 terminaram há muito tempo – e agora temos que assistir a reinicializações ruins de franquias ruins. O que fazer, é preciso viver. Mais precisamente, nós precisamos, o Creeper é que já não precisa tanto.