
A 30 de agosto de 2002, estreou nos cinemas o filme dos realizadores Fernando Meirelles e Kátia Lund, «Cidade de Deus», em ampla distribuição, começando pelo Brasil (não consideramos a estreia em Cannes em maio para um público restrito). O filme torn...
Não me escolhas
«Cidade de Deus» é um drama criminal que retrata a vida numa das zonas mais perigosas do Rio de Janeiro entre as décadas de 1960 e 1980. Os protagonistas do filme são miúdos comuns cujas famílias foram forçadas a mudar-se para a periferia da cidade, em áreas recém-formadas durante o processo de urbanização, que mais tarde se transformaram em favelas criminosas.
Inicialmente, a zona da Cidade de Deus (ou CDD) foi concebida como uma solução para as favelas do centro do Rio, mas, tal como Darth Vader, tornou-se uma das favelas mais criminalizadas e perigosas da cidade. A razão foram as chuvas torrenciais de 1966, que levaram à realocação de emergência de pessoas desalojadas para casas já construídas. O problema era que a infraestrutura ainda não estava estabelecida e faltava muita coisa para uma vida confortável. Gradualmente, devido à lentidão das autoridades em criar condições mínimas, à falta de emprego e de meios de subsistência, começaram os assaltos e roubos na zona. E assim, a CDD mergulhou no crime que reina na «cidade» até hoje.
O filme «Cidade de Deus» foi baseado no romance homónimo do escritor Paulo Lins. Lins viveu naquela zona desde os sete anos e conhecia na pele as regras de sobrevivência no local. O romance foi desenvolvido ao longo de uma década e publicado em 1997. A crítica considerou a obra uma das maiores da literatura brasileira contemporânea. O livro, e posteriormente o filme, abordam temas de desigualdade racial e social no Brasil, mostrando o conflito do indivíduo com a sociedade, que gradualmente ultrapassa os limites da lei.
Se pensarmos bem, tudo começou com pequenos roubos. Os moradores roubavam o combustível de que precisavam e aproveitavam para levar o dinheiro que lhes faltava desesperadamente. Sem homicídios, sem tráfico de droga. Mas tudo começa pequeno, e gradualmente a zona afogou-se no crime. O filme termina com um banho de sangue sem sentido e uma série de vítimas. No final, a Cidade de Deus não é apenas uma favela com falta de financiamento, empregos e infraestrutura melhorada. A favela tornou-se um verdadeiro narcorreino, controlado por gangues criminosas.
Na Cidade de Deus, há leis próprias, e a polícia não se mete lá. É muito mais fácil para os agentes receberem a sua parte da venda de droga e armas do que tentar impor a ordem. Claro, quando a situação fica muito feia, as autoridades têm de intervir e assustar bandidos e moradores comuns, mas ninguém faz investigações sérias nem tenta erradicar o crime. Como diz Buscapé: «Se corres, eles apanham-te. Se ficas parado, também te apanham. Sempre foi assim.» A polícia não se importa com quem é realmente culpado. A favela está podre: para onde quer que se olhe, há criminosos, por isso, pega-se em qualquer um. Cada morador sabe que ou sai da CDD e tenta fazer algo da vida, ou fica e aceita as regras do jogo cruel — não há alternativa.

É engraçado que o nome da zona não corresponde nem um pouco à realidade. Porque, num lugar como este, Deus certamente não está. Ele fechou os olhos e tapou os ouvidos, tentando não saber o que se passa, caso contrário, não sei como explicar uma vida assim. As ações do filme decorrem no Rio, mas o principal ponto turístico da cidade — a estátua do Cristo Redentor — nunca aparece no ecrã. Não será esta a prova de que a zona é antes «a cidade esquecida por Deus»?
Na preparação para as filmagens, o realizador Fernando Meirelles queria escolher apenas atores não profissionais e pouco conhecidos para o filme. Meirelles concretizou a sua ideia. O filme conta com muitas pessoas encontradas nas favelas do Rio de Janeiro. Alguns deles (Alexandre Rodrigues e Leandro Firmino) são da própria Cidade de Deus. O Firmino conseguiu o papel do personagem mais marcante do filme completamente por acaso. Ele foi para o teste só para acompanhar os amigos, mas acabou por interpretar no ecrã o Zé Pequeno — o líder do gangue que controlava quase todo o território da favela.
Outro residente temporário da zona foi o ator Matheus Nachtergaele, que interpretou o papel do outro líder, Cenoura, cujo grupo se opõe ao Zé Pequeno. Durante o trabalho no argumento do filme, Nachtergaele já tinha participado no projeto «Máquina da Piedade» (2000) e tornado-se muito popular no Brasil. O realizador queria substituir o ator, mas Matheus convenceu Meirelles de que se integraria no papel e, para se preparar, mudou-se para a Cidade de Deus por três meses.
Apesar de as filmagens não terem decorrido na própria zona, mas sim nas vizinhas, que não eram tão perigosas, Fernando Meirelles disse uma vez que, se soubesse de antemão como seria assustador e arriscado filmar nas favelas do Rio, teria desistido da ideia de fazer o filme. É provável que, se quisesse filmar na CDD, fosse possível, mas apenas uma curta-metragem, que provavelmente nunca veria a luz do dia. Se é que não seria a última obra da vida. Não é como negociar com a máfia cultural sobre a adaptação de «O Padrinho».
No entanto, a própria Cidade de Deus pode ser vista no filme. Quando aparece uma vista de satélite do território controlado pelo Zé Pequeno — essa é a verdadeira Cidade de Deus (o que esperavas? Ver a verdadeira? Espera que a situação no mundo se acalme, compra bilhetes para o Rio e arrisca a vida a grande custo. No filme, tudo já é excessivamente realista).
O filme está repleto de personagens marcantes. Quase todos foram pessoas reais. Zé Pequeno, Bené, Cenoura certamente. O papel de Bené foi interpretado pelo famoso cantor brasileiro Seu Jorge (a sua música aparece até na banda sonora), e a mãe do verdadeiro Bené surge numa cameo na cena em que o personagem de Jorge dispara pela primeira vez contra os homens de Zé Pequeno e mata um deles. Ela é a primeira a falar com o personagem e encorajá-lo. Já o Buscapé é uma imagem composta de duas pessoas: do escritor Paulo Lins e do seu amigo de infância, que sonhava em crescer e ser fotógrafo.
Quando Deus distribui as cartas, ninguém as baralha
O desenvolvimento do filme começou cinco anos antes do seu lançamento. Tudo começou quando, na segunda metade de 1997, ofereceram a Fernando Meirelles o livro «Cidade de Deus» de Paulo Lins. O primeiro rascunho do argumento ficou pronto no início de 1998, mas depois foi revisto e reescrito inúmeras vezes. E mesmo assim, no set, houve momentos de improviso ou cenas que não estavam inicialmente planeadas. Por exemplo, na cena em que o pai bate no Mané Galinha, o irmão mais velho do Buscapé, Luís Otávio (que interpreta a versão infantil do protagonista) começa a rir-se, o que não estava no guião, por isso a fala do Mané Galinha: «Não te atrevas a rir. Porque é que estavas a sorrir quando o pai me batia?» — foi improviso do ator Renato de Souza.
O diálogo entre Buscapé e a sua «colega» de trabalho Marina (Graziella Moretto), em que ele diz que nunca tomou um duche quente na vida, também não estava no guião. A conversa nem sequer era para ser documentada, pois o ator estava a contar a sua vida na favela durante uma pausa nas filmagens.
Também não deveria haver no filme a cena da oração antes do início da guerra (leia-se «massacre»). Durante as filmagens, um rapaz que crescera nas favelas disse aos realizadores que a oração era parte integrante da vida dos gangues nas favelas. As pessoas rezam sempre antes de ir para um «confronto». Meirelles sugeriu que o rapaz fizesse o ritual, que acabou por entrar na montagem final. E se Deus ajudou os que rezaram, o espetador vê no final do filme, na cena do tiroteio, cujo resultado os criadores reproduziram a partir de uma fotografia real tirada durante essa mesma guerra.
«Cidade de Deus» termina com uma cena de um grupo de miúdos a falar sobre como o controlo da favela vai passar para eles. O filme não previa o momento em que um dos miúdos perde um chinelo e volta para o buscar. O realizador decidiu manter o fragmento para que o espetador notasse a presença de uma criança muito pequena no gangue criminoso. A propósito, esses miúdos cresceram e deram origem ao grupo criminoso chamado Comando Vermelho (Comando Vermelho). O grupo ainda funciona e controla algumas ruas do Rio, embora não seja tão forte como antes. E os rapazes criaram mesmo a «lista negra» de que falavam na cena final (e essa lista ainda existe, e poucos querem estar nela).

Ao longo dos cinco anos de caminho até ao grande ecrã, os criadores superaram muitas dificuldades. Já se disse que o elenco principal foi recrutado nas ruas do Rio, pois Meirelles precisava de autenticidade no ecrã. Não era para representar, mas para viver no ecrã e mostrar ao espetador a vida nas favelas. Em quarenta dias, foram realizadas 2000 entrevistas, das quais foram selecionados duzentos jovens que começaram a frequentar seminários de representação. Todos os rapazes foram divididos em oito grupos, considerando a sua idade, e começaram os preparativos para as filmagens. Os produtores também contrataram a realizadora Kátia Lund, que já tinha experiência em filmar nas favelas, para ajudar Fernando nos momentos difíceis.
A contribuição de Fátima Toledo no trabalho com os atores foi enorme. Por exemplo, Leandro Firmino disse em entrevistas que a Toledo o ajudou muito a encontrar a raiva para interpretar o Zé Pequeno. O ator tentava pensar como o seu personagem, imaginando que queria ter tudo nesta vida, embriagado pelo poder e pela desumanidade. Firmino diz que na CDD ainda contam histórias do Zé Pequeno como um lendário gangster ganancioso e desequilibrado. O rapaz também contou como é parecido com o Zé e como é diferente. Ele tem o desdém do personagem, mas, ao contrário do gangster, Leandro pensa muito antes de agir. O ator até sente pena do Zé Pequeno e compreende-o, dizendo que ele é «uma pessoa normal, só que, por ironia do destino, tomou o caminho errado».
Leandro Firmino contou que «Cidade de Deus» influenciou muito a sua vida e que ficou feliz por participar num projeto que expõe os problemas das favelas brasileiras. Apesar de os atores passarem muito tempo nos seminários com Fátima Toledo, ainda conseguiam estudar, e os produtores ajudavam-nos no que podiam: comida, bilhetes de transporte, abrigo, informação, além de apoio financeiro e espiritual. No final, dona Fátima transformou o rapaz tímido num antagonista confiante que se revelou no ecrã.
Outro feito de Fátima Toledo pode ser considerado o olhar de ódio do Filé-com-Fritas (Douglas Silva) para o Mané Galinha na cena em que este dá uma bofetada no primeiro. É que, como verdadeira profissional, a Toledo aconselhou Renato de Souza a intimidar o rapaz durante 15 (!!!) dias seguidos. Imagina: um bullying interminável de duas semanas sem razão aparente. Claro que qualquer um conseguiria um olhar de ódio. Como resultado, depois desta cena, o Silva não aguentou e começou a chorar, ameaçando sair do filme. Felizmente, tudo se resolveu bem.

Em geral, no set, adoravam fazer as crianças chorar. Fizeram um menino pequeno, cujo amigo no filme leva um tiro na perna do Zé Pequeno, chorar com um truque. Disseram-lhe que o seu ursinho de peluche favorito se tinha perdido (isso é ainda pior do que duas semanas de intimidação). Depois, a câmara capta um close do rosto do miúdo banhado em lágrimas e vazio, e na cena seguinte, o seu amigo é morto. Pois é, queriam saber como se vive nas favelas? Aqui têm. A propósito, a filmagem em película de 16 milímetros também acrescenta realismo. A imagem não é tão nítida e polida como em muitos filmes de ficção. E a câmara exclusivamente de mão do operador César Charlone simplesmente apaga todas as fronteiras entre o espetador e os personagens, como se obrigasse quem assiste a tornar-se testemunha casual do que se passa, o que maximiza o caráter documental do filme.
A soma de tudo isto fez de «Cidade de Deus» um dos filmes mais importantes do cinema brasileiro. Continua tão atual e socialmente relevante como há vinte anos. Hoje, o projeto é já um clássico, obrigatório pelo menos uma vez na vida. Embora das quatro nomeações ao Óscar, todas tenham sido infrutíferas, o filme recebeu uma recompensa muito maior — tornou o mundo um pouco melhor. É surpreendente como o cinema fez com que o poder se mexesse um pouco e começasse a dar pequenos passos para melhorar a qualidade de vida nas favelas brasileiras. Mas, infelizmente, mesmo após duas décadas, o problema não está resolvido. Nas favelas ainda é perigoso, e nas suas ruas, miúdos de oito anos vendem cocaína. É aterrorizador imaginar uma vida assim.
Universo cinematográfico de «Cidade de Deus»
Além do filme de Fernando Meirelles e Kátia Lund, há vários outros projetos sobre as favelas brasileiras que, de certa forma, se relacionam com o filme principal (todos os agregadores de cinema os ligam nos seus sites), mas também não, pois as suas histórias não se cruzam. Esses projetos incluem a curta-metragem prequela «Laranjinha e Acerola» / «Palácio II» (Palace II), a série «Cidade dos Homens» (Cidade dos Homens) e um filme com o título sonoro «Cidade de Deus 2» (mas que é essencialmente o mesmo «Cidade dos Homens», porque no original se chama como a série — Cidade dos Homens).
Todas estas obras contam histórias de dois amigos, Laranjinha (Darlan Cunha) e Acerola (Douglas Silva), que vivem nas favelas brasileiras e enfrentam aventuras (se é que se pode chamar assim à vida na favela em meio à pobreza e ao crime) quase todos os dias. Praticamente todos os atores que participaram em «Cidade de Deus» aparecem num ou mais projetos sobre a amizade dos dois rapazes. E há uma razão muito forte para isso.
Acontece que, quando Fernando Meirelles e Kátia Lund se preparavam para as primeiras fases das filmagens de «Cidade de Deus», receberam uma proposta de Guel Arraes para realizar um episódio da série «Brava Gente» (Brava Gente) para a Globo. Avançando no tempo, a Globo, em parceria com a O2 Films lançou todos estes projetos, incluindo o longa-metragem de Lund e Meirelles. Talvez seja por isso que estão ligados em todos os agregadores e são considerados uma só franquia? Algo como um universo temático unido por uma equipa criativa comum, já que em todos os créditos os nomes e os estúdios coincidem. Assim, temos uma «franquia da vida criminal nas favelas do Brasil».
Inicialmente, os realizadores recusam criar o episódio, mas, depois de pensarem um pouco, mudam de ideias com a condição de poderem adaptar ao ecrã um fragmento do livro de Paulo Lins e de participarem nele os atores que se preparavam para a adaptação cinematográfica completa. Assim, a 28 de dezembro de 2000, foi exibido o episódio «Palácio II», que se tornou uma espécie de ensaio geral para os atores não profissionais das favelas e uma experiência inestimável para Meirelles e Lund. Filmaram-no diretamente na Cidade de Deus, e durante o trabalho tornou-se evidente que não valia a pena filmar o longa-metragem ali, pois a zona estava em conflito entre três traficantes que lutavam pelo controlo do território.

Algum tempo depois, o episódio começou a ser visto como uma curta-metragem, que marcou presença no Festival de Cinema de Berlim em 2002. De lá, a série trouxe o prémio da Academia de Cinema de Nova Iorque, vencendo no programa «Panorama». No «Kinopoisk», a curta-metragem tem o título «Laranjinha e Acerola» e não tem classificação de utilizadores. Tudo porque a história de como dois amigos que vivem na Cidade de Deus tentam arranjar dinheiro para um concerto, primeiro roubando um portão a uma rapariga e depois metendo-se em problemas, acabando por ter de cumprir ordens de traficantes, não tem tradução russa e é praticamente desconhecida do grande público. Claro, a curta pode ser encontrada na internet, mas dificilmente se entenderá muito sem saber português (eu só percebi o esqueleto da história).
Em 2002, na sequência do sucesso de «Cidade de Deus», surgiu a ideia de fazer uma série de televisão, continuação da curta-metragem. O primeiro episódio foi para o ar a 15 de outubro desse ano. Desde então, Laranjinha (assim se pronuncia melhor, e soa mais bonito) e Acerola viveram imensas histórias, e a sua amizade passou por muitas provações.
Ao longo de 4 temporadas, conseguiram trabalhar como carteiros e vendedores de gelados, desenhar um mapa da favela dando nomes de gangsters às ruas, passar o verão na companhia de dois japoneses e um rapaz da cidade, participar num filme, perder a virgindade e até ir à capital encontrar-se com o presidente, mas o mais importante — crescer. A abertura mantém-se inalterada em todas as temporadas, mas os rapazes parecem sempre mais velhos. Se na primeira temporada procuravam dinheiro para uma excursão escolar, na quarta já era para sustentar a família.

Entre os realizadores e argumentistas da série, encontram-se os nomes dos criadores da primeira curta-metragem e de «Cidade de Deus» — Fernando Meirelles e Kátia Lund. Também está presente o escritor Paulo Lins. Na terceira temporada, o testemunho é passado a Paulo Morelli, que realiza quase todos os episódios. A série encontra o engraçado e o divertido na vida difícil das crianças que nasceram e cresceram nas favelas. Aborda temas sérios como a gravidez na adolescência, o aborto e a vida em condições de pobreza. Alguns episódios são até apoiados por estatísticas lamentáveis. Parece que os criadores queriam alcançar novamente o efeito do longa-metragem, que deu um impulso às ações das autoridades.
Novamente, das 4 temporadas da série com 19 episódios, apenas 12 estão disponíveis traduzidos para russo. Os outros 7 estão na internet em português. Alguns podem ser encontrados com legendas em inglês, mas isso não facilita muito a tarefa de quem quer ver. Muitos (se é que há quem tenha interesse em ver) simplesmente não verão em português, onde só se entende o mínimo. E a série é muito engraçada por si só. Muita coisa se baseia nos diálogos dos rapazes, por isso acho que «Cidade dos Homens» precisa urgentemente de uma tradução completa. Pelo menos legendas em russo.
No final da quarta temporada, o espetador despede-se de Laranjinha e Acerola por 2 anos. Em 2007, chega o filme com a localização russa intitulada «Cidade de Deus 2», mas que, na prática, não tem nada a ver com o original em termos de enredo, e no original se chama como a série, «Cidade dos Homens». Os nossos conhecidos rapazes têm 18 anos, desvendam segredos da sua árvore genealógica, pois ambos eram órfãos, e a sua amizade é submetida à maior provação de sempre. Aqui, na tradução russa, Acerola virou Tuz, e Laranjinha é chamado de Uoles (que é o nome real do personagem de Darlan Cunha, mas na série quase ninguém lhe chamava assim). O realizador do filme e um dos argumentistas foi Paulo Morelli, enquanto Fernando Meirelles ficou apenas no papel de produtor.
Parecia que o filme punha um ponto final na história dos dois amigos, que os esperava uma vida adulta fora da favela, a criação de filhos e um trabalho não relacionado com o crime, mas, 10 anos depois, surge uma continuação sob a forma das 5.ª e 6.ª temporadas da série «Cidade dos Homens». Mais 8 episódios, lançados em janeiro de 2017 e 2018, contam a vida de Acerola e Laranjinha, 12 anos após a 4.ª temporada.

Os rapazes transformaram-se em homens, e ambos são agora pais. Na 6.ª temporada, até o personagem João Victor (Thiago Martins) regressa ao seu papel — ele é o professor dos filhos dos amigos, com quem eles passaram o verão. Mas, infelizmente, é difícil saber detalhes da trama, pois as temporadas estão simplesmente indisponíveis para visualização na Rússia. Anos das minhas pesquisas não deram qualquer resultado, exceto o site oficial do serviço de streaming Globo.
As minhas tentativas de comprar uma subscrição para ver as duas novas temporadas no original não tiveram sucesso, pois os nossos cartões não são aceites para pagamento. Por isso, gostaria de apelar aos serviços de streaming, estúdios de dobragem, estúdios de tradução e a qualquer entusiasta do cinema (se alguém assim nos lê). Haverá alguma possibilidade de comprar os direitos, traduzir e fazer a dobragem do projeto aqui? Sei que soa muito atrevido e presunçoso, mas a esperança é um sentimento forte. Pessoalmente, tenho uma curiosidade imensa em saber como a história termina. Tornei-me fã dos rapazes, acompanhei todo o seu difícil percurso de vida, e desejo sinceramente que o maior número possível de pessoas saiba deles. Portanto, se houver oportunidade, mantenham a chama da minha esperança acesa.
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