
Zumbis são um dos monstros favoritos no terror, não apenas por seu 'charme' exterior e dieta especial, mas também por causa do jogo Resident Evil, que os tornou famosos (e deu a Paul W.S. Anderson seu único projeto bem-sucedido). A Netflix também ten...
Na Terra, ocorreu um apocalipse devido ao vazamento do T-vírus de um laboratório, que transforma pessoas em zumbis. O comportamento e a capacidade de auto-organização dos monstros são estudados por Jade, de 28 anos. E como o mundo chegou a isso? Tudo começou alguns anos atrás, quando duas irmãs, Jade e Billie, chegaram com seu pai — o Dr. Albert Wesker — a uma cidade chamada 'Nova Raccoon City', na África do Sul. Lá, elas aprendem a viver como adolescentes normais, enquanto seu pai ainda trabalha no perigoso T-vírus.
O streaming Netflix tentou dar nova vida a Resident Evil. Mas o resultado foi uma série que mais decepcionou do que agradou os fãs. A adaptação seriada de 'Resident Evil' pelo showrunner Andrew Dabb, antes mesmo do lançamento, já havia sido alvo de críticas dos fãs. Descobriu-se que Lance Reddick, interpretando um dos papéis-chave — o Dr. Albert Wesker — nem sabia quem era esse personagem nos jogos. Ele o criou com base no roteiro de Dabb. Bem, pode-se falar muito sobre as visões de Paul Anderson sobre Resident Evil, mas ele tinha uma regra importante na seleção de atores: todos deveriam, se não jogar o jogo, pelo menos assistir a vídeos de gameplay para absorver a atmosfera e sentir o mundo. Milla Jovovich e Michelle Rodriguez eram fãs ferrenhas do jogo. E o primeiro filme de Anderson, apesar de se afastar do cânone, ficou muito bom. E nas continuações, se não há soluções visuais interessantes, pelo menos há gráficos decentes e ação.
Este ano, o universo cinematográfico de 'Resident Evil' completa 20 anos: em 2002, foi lançada a primeira adaptação do popular jogo Resident Evil, estrelada por Milla Jovovich. Recordamos
Open materialO que a Netflix nos deu, lançando sua série menos de um ano após outra adaptação da obra da Capcom por Johannes Roberts, 'Resident Evil: Raccoon City'? Um drama adolescente comum (que também não deu muito certo, como você verá adiante). O showrunner decidiu contar a história dolorosa de duas irmãs — filhas de Albert Wesker — que enfrentam o lado sombrio da corporação Umbrella.
Durante a maior parte do tempo, observamos elas brigando, sentindo ciúmes, duvidando, sofrendo bullying e dizendo infinitas vezes uma à outra que estão juntas contra o mundo. Até o T-vírus não as interessa tanto quanto a questão de por que uma de repente não fala com a outra. Basicamente, a trama iniciada no primeiro episódio não se desenvolve até o sexto, onde, finalmente, além de resolverem seus relacionamentos, surge um interesse em olhar um pouco mais globalmente para o mundo ao redor e o que está acontecendo com elas.
Essa abordagem com ótica adolescente poderia ser explicada pelo desejo de capturar parte do sucesso que 'Stranger Things' obteve. Mas se nos irmãos Duffer a história se desenvolve a passos largos, de tirar o fôlego, e as citações visuais e ideias de direção agradam aos olhos, na 'Resident Evil' adolescente tudo é muito arrastado.
Se Steve Harrington morrer, estamos prontos para escrever uma petição para a Netflix.
Open materialA história, embora filmada conforme o cânone (o que foi creditado à Netflix antes da estreia), fica parada no tempo, e os personagens monótonos nem tentam evoluir. Na primeira temporada, são 8 episódios, mas o interesse se perde já no segundo, porque a trama não anda. Parece que o catalisador do conflito deveria ser o próprio drama entre as irmãs, mas, por algum motivo, ele falha repetidamente. E nem a atuação de Lance Reddick, nem a linha narrativa paralela com a Jade adulta (Ella Balinska) no mundo do apocalipse zumbi acrescentam profundidade ou significado.
A situação poderia ser amenizada com boa ação e gráficos, mas faltou orçamento ou habilidade. Talvez, se a Netflix tivesse feito um filme de duas horas, teria sido melhor, ou pelo menos menos monótono, do que tentar encontrar sua vaca leiteira, tentando acompanhar o sucesso de 'Stranger Things' e explorando a popularidade do jogo da Capcom.
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