
Passando vários anos longe dos olhos do público, Jane Birkin viveu tragédias pessoais. E, finalmente, a criadora de tendências dos anos 1970 está novamente diante das câmeras no filme de estreia na direção de sua filha, Charlotte Gainsbourg, «Jane po...
«Jane por Charlotte» é um documentário comovente e muito pessoal de Charlotte Gainsbourg, filha do músico Serge Gainsbourg e da atriz, cantora e ícone de estilo Jane Birkin. O filme mostra vários eventos da vida de Birkin, já não tão jovem: turnê no Japão, viagem aos EUA, um trecho da vida em uma casa de campo e uma visita ao museu-residência de Serge Gainsbourg. Os lugares mudam e os temas das conversas entre mãe e filha mudam, enquanto conversam sobre o que há de mais íntimo e profundo.
O filme foi exibido pela primeira vez no Festival de Cannes em 2021, e a estreia marcou o 75º aniversário de Jane Birkin. Os últimos anos foram difíceis para a artista: ela sofreu a morte da filha mais velha, Kate, lutou contra o câncer e aprendeu a aceitar o fato da velhice inevitável. A própria Charlotte não falou com a mãe por seis anos após a tragédia com a irmã. Mas a proximidade e o amor entre elas permaneceram e não diminuíram, e isso é sentido em cada cena da estreia na direção de Charlotte Gainsbourg.
O título do filme remete a outro filme de Agnès Varda, «Jane B. por Agnès V.», mas eles são completamente diferentes. No filme de Charlotte, duas mulheres discutem o passado e o presente, amor e perdas, juventude e velhice, vida e morte. Essas conversas são às vezes tão pessoais que surge a sensação de estar ouvindo uma conversa não destinada a ouvidos alheios. E nisso reside toda a essência do filme — ele não é para o espectador, mas para a própria Charlotte. A filha tenta encontrar respostas para perguntas que sempre quis fazer, mas nunca ousou. Logo no início do filme, Charlotte e Jane lembram que nunca foram abertas uma com a outra; a filha não compartilhava suas angústias e pensamentos com a mãe. E eis diante de nós uma tentativa de conversa franca.
«Jane por Charlotte» é desprovido do estilo ou brilho que se sente no trabalho de Agnès; não há referências a obras de arte ou cinejornais. É um documentário muito atmosférico, no qual, graças à direção sutil, sente-se expressividade artística e envolvimento pessoal. A filha mostra o mundo interior da mãe, permitindo-nos conhecer a verdadeira Jane Birkin, e não aquela que os fãs viam nos filmes ou no palco.
Descobrimos que ela guarda cuidadosamente suas memórias, mesmo que sejam bagunça, e é grata a cada um de seus três maridos, apesar das dificuldades que houve. E a fama nunca foi um objetivo em si para ela. Jane Birkin envelhece com beleza e dignidade, continua a se alegrar com as pequenas coisas e valoriza o tempo passado com a família. Ela não para de sorrir, ama cães e volta a cantar no palco. Observando-a na tela através dos olhos de Charlotte, sente-se o amor e o cuidado da filha pela mãe. E após a exibição, surge uma sensação apertada de querer conversar com os entes queridos sobre aquilo que ficou em silêncio por muitos anos.
A distribuidora Arthouse lança nos cinemas russos o documentário «Jane por Charlotte» em 7 de julho.
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