
Em 30 de junho, chega aos cinemas ‘O Papel Principal’, uma comédia satírica sobre os bastidores do mundo do cinema de autor, estrelada pelos maiores nomes do cinema espanhol e argentino — Penélope Cruz, Antonio Banderas e Óscar Martínez.
Como os espectadores comuns imaginam o mundo por trás das câmeras?
Estrelas narcisistas que ganham milhões, produtores que não entendem de cinema mas ditam as regras, diretores loucos tentando transformar suas fantasias em realidade... É mais ou menos assim que “O Papel Principal” (Competencia oficial), novo filme da dupla argentina Mariano Cohn-Gastón Duprat (“Cidadão Ilustre”, “Obra-Prima”), pinta os bastidores do mundo do cinema. Mas por trás da cortina de uma zombaria inofensiva sobre a indústria cinematográfica, esconde-se muito mais significado, às vezes nada óbvio.
Cinema sobre cinema
Um bilionário de 80 anos, desejando imortalizar seu nome na história, ao escolher entre filmar um filme e construir uma ponte, opta pelo primeiro. Ele propõe financiar um novo projeto da renomada diretora e queridinha dos festivais internacionais de cinema, Lola Cuevas (Penélope Cruz). A base do futuro filme de autor é um livro de um vencedor do Prêmio Nobel, que conta sobre o complicado relacionamento entre dois irmãos.
Para os papéis desses heróis, Lola convida dois mestres — Félix Rivero (Antonio Banderas), uma estrela de Hollywood, um belo homem reconhecido e ídolo de milhões, e Iván Torres (Óscar Martínez), um ator de teatro, professor de interpretação, admirador do método Stanislavski e apologista da alta arte.
Nas tentativas desse trio excêntrico de conviver em harmonia pela arte, constrói-se o enredo principal do filme “O Papel Principal”. O filme dentro do filme aqui não implica filmagens, como geralmente acontece em obras similares, mas concentra-se nos ensaios. Essa preparação gera uma infinidade de situações engraçadas, caricaturalmente absurdas e, às vezes, trágicas. E ver Penélope Cruz ensinando Antonio Banderas a atuar é, por si só, um tipo especial de prazer cinéfilo.
A tradução mais precisa do título original seria “competição oficial”, termo frequentemente encontrado no mundo do cinema de festival. Um mundo onde frequentemente entram representantes da chamada alta arte, competindo na amplitude de pensamento, profundidade de subtextos e beleza da apresentação do material.
O trabalho de Cohn e Duprat, em grande parte, ironiza os colegas, destacando a futilidade das competições criativas, embora concorde que a concorrência é o motor do progresso, mesmo no cinema. A ironia ainda maior do filme “O Papel Principal” é que ele próprio é repleto de subtextos, assim como os objetos que ridiculariza: desde a ilustração das dolorosas tentativas de autorrealização na criatividade e a reflexão sobre o tema da atuação, até a busca pela linha tênue entre o cinema de gênero e a arte genuína.
Quando o cinema acaba
Em um dos episódios do filme “O Papel Principal”, uma pergunta interessante é feita: “Quando o cinema acaba?”
Junto com os créditos finais? Após a temporada de premiações? Ou talvez, quando a última discussão sobre se os atores atuaram bem se acalmar?
No caso deste filme, pode-se dizer que há muito o que discutir após a exibição. É um cinema de autor sutil e hilariantemente cômico sobre o cinema de autor, com atores que interpretam com desenvoltura os papéis que já lhes são associados em suas carreiras reais (o próprio Antonio Banderas simplesmente se deleita no papel de estrela mundial). Uma das novidades mais brilhantes do verão, que não pode ser perdida.
Trailer:
“O Papel Principal” nos cinemas a partir de 30 de junho
Komentar
0Belum ada komentar.
Masuk untuk ikut berdiskusi.