
Este ano, 'Chicago' completa 20 anos – um filme que lembrou ao mundo inteiro que os musicais devem ser levados a sério. Prepare-se para se apaixonar desde as primeiras notas. Afinal, estamos do lado de all that jazz.
Sobre a longa jornada de 'Chicago' até os palcos
A ideia de 'Chicago' surgiu com a jornalista Maurine Dallas Watkins em 1924, quando ela cobria no jornal 'Chicago Tribune' dois casos de grande repercussão: uma bela mulher casada matou o amante durante uma discussão acalorada, e uma atriz de cabaré matou o namorado em um surto de embriaguez. Assim nasceu a peça, onde uma das criminosas se transformou em Roxie Hart, e a outra, em Velma Kelly. Watkins não esqueceu de se incluir sob o nome da jornalista Mary Sunshine.
'Chicago' trouxe ao centro das atenções um tema que, para a época, era extremamente arriscado – mulheres assassinas que conseguiram escapar da justiça. Os críticos ficaram indignados com a santa ira ao ver nas páginas uma ambivalência surpreendente e um nível inédito de devassidão, mas todos concordaram que 'Chicago' capturava perfeitamente o espírito dos anos 20.
A peça despertou o interesse do público – a produção teve ótima bilheteria, e o filme mudo baseado nela foi bem recebido pelos espectadores. Em 1969, após a morte de Watkins, os direitos de 'Chicago' foram adquiridos pelo lendário Bob Fosse, que contou com a ajuda do libretista Fred Ebb e do compositor John Kander – e o mundo ganhou um dos musicais mais duradouros da Broadway (perdendo essa disputa apenas para 'O Fantasma da Ópera').
Sem trair a atmosfera original, a criação de Fosse, Ebb e Kander enriqueceu o material com jazz e vaudeville, traçando paralelos entre a justiça e o mundo do show business. O humor cínico de 'Chicago' agora transbordava de cada detalhe. Em uma das canções, zombavam-se das histórias que cada atriz iniciante contava sobre seu passado: uma órfã do Mississippi que fugiu de casa por amor. Na década de 1920, quando o passado de uma pessoa só podia ser descoberto por um detetive particular, essas histórias já não eram levadas a sério e só provocavam risos.
Adaptação cinematográfica e papéis principais
Quando Hollywood adquiriu os direitos de adaptação na década de 1970, o plano inicial era colocar Fosse na cadeira de diretor e escalar Goldie Hawn, Liza Minnelli e Frank Sinatra para os papéis principais. Mas a morte de Fosse em 1987 bagunçou todos os planos dos produtores, e o declínio do interesse por musicais cinematográficos fez com que os estúdios esquecessem 'Chicago' por muitos anos.
O sucesso mundial inesperado de 'Moulin Rouge' em 2001 reavivou o gênero, então 'Chicago' finalmente foi tirado da prateleira.
O diretor Nicholas Hytner estava na disputa pelo cargo, que confirmou Charlize Theron no papel de Roxie Hart. Algum tempo depois, Hytner saiu do projeto, dando lugar a Rob Marshall, que realizou novas audições para o papel de Roxie. E Charlize perdeu para a jovem e talentosa Renée Zellweger. Aliás, foi Marshall quem criou o conceito dos 'números musicais na cabeça de Roxie', que é um dos exemplos clássicos.
A parceira de Renée no set foi a fatal Catherine Zeta-Jones, que aceitou o papel sem sequer ter lido o material – simplesmente porque queria muito cantar 'All That Jazz'. Catherine também recusou aparecer em 'Chicago' com seus longos cabelos naturais, optando por um corte curto. A atriz não queria que o cabelo comprido cobrisse seu rosto e levantasse dúvidas sobre se era ela mesma que dançava.
Para o papel do advogado das duas criminosas, Billy Flynn, planejaram convidar o próprio Michael Jackson, mas acharam com razão que ele roubaria toda a atenção. Depois disso, os produtores tentaram várias vezes atrair John Travolta para o projeto, que recusou insistentemente, algo pelo qual se arrependeu profundamente mais tarde. Finalmente, Billy Flynn foi atribuído a Richard Gere, que levou a tarefa muito a sério e fez aulas de sapateado por três meses inteiros. O esforço valeu a pena – sua cena de dança foi filmada em apenas meio dia.
'Chicago' em papéis secundários e participações especiais
Curiosidade: John C. Reilly, marido de Renée Zellweger na tela, é surpreendentemente um grande fã de palhaçaria – ele mesmo desenvolveu seu visual para a canção 'Mister Cellophane'. Mais ainda, foi ele quem criou a primeira metade do número, na qual o Sr. Hart aplica a maquiagem de palhaço em si mesmo.
Para o papel da carcereira Matron 'Mama' Morton, o diretor via Kathy Bates, mas ela estava ocupada nas filmagens de 'About Schmidt', então o papel foi para Queen Latifah. Ambas as atrizes foram indicadas ao Oscar por seus trabalhos em 2003.
Antes do início do número de Mama Morton, é possível notar uma das presidiárias com quem Roxie conversa. Assim, nas participações especiais, apareceu Chita Rivera – a atriz que foi a Velma Kelly original no palco da Broadway em 1975.
A presidiária húngara foi interpretada pela atriz de ascendência russa Ekaterina Chtchelkanova, o que gerou algumas situações curiosas. Por exemplo, sua personagem pronuncia algumas palavras em russo puro, e seu longo discurso durante o número 'Cell Block Tango' é dito com um sotaque tão forte que até mesmo falantes nativos de húngaro às vezes não conseguem entender as palavras.
Comentários
0Ainda não há comentários.