
No dia 15 de maio, no KION, ocorrerá a estreia online da comédia de ação «Arrancar e Jogar Fora» com Anna Mikhalkova e Alexander Yatsenko. O diretor Kirill Sokolov surpreendeu o público e a crítica com sua estreia «Papai, morra!», e desta vez ele con...
Como caracterizar «Arrancar e Jogar Fora»? 100% cinema de Kirill Sokolov. Mas o que isso significa?
O filme russo «Papai, morra!», lançado em 2018, atingiu a marca de 97% no Rotten Tomatoes. Críticos ocidentais o compararam com os filmes de Guy Ritchie e Quentin Tarantino. E quem dirigiu este filme foi Kirill Sokolov, que praticamente passou despercebido em sua terra natal.
Naturalmente, após tamanha recepção no Ocidente, o novo trabalho do diretor atraiu muito mais atenção da imprensa e do público nacional. Mas mesmo um interesse tão intenso do público não impediu Sokolov de fazer o que sabe de melhor — contar uma história simples de forma incisiva e metafórica, onde palavras são substituídas por balas e facas (o que dói mais — é uma grande questão), e os heróis estão prontos para suportar o que nem mesmo os super-heróis poderiam imaginar. E sabe, isso já se parece com a marca registrada de, no mínimo, um realizador interessante.
Road movie com motor de ultra-violência
Uma jovem chamada Olya (Victoria Korotkova) sai da prisão com um único desejo — pegar sua filha Masha (estreante Sonya Kruglova) com a mãe e se mudar para morar com um homem que conheceu por correspondência. No entanto, contra isso se opõem não apenas a avó de Masha (inesperadamente brutal Anna Mikhalkova), mas também o ex-companheiro de Olya, Oleg (habitualmente carismático Alexander Yatsenko), um policial por causa de quem a garota acabou atrás das grades.
Desde o primeiro encontro dos heróis, do qual uma das mulheres sai com uma facada, até o falso final feliz, Kirill Sokolov em «Arrancar e Jogar Fora» disseca com humor as relações familiares. Ao mesmo tempo, ele nunca cai no típico cinema «intelectual» russo, sem esquecer que seu filme se destina a entreter. Portanto, os personagens perderão litros de sangue, mas se levantarão e seguirão em frente, sofrerão acidentes, se afogarão, mas ainda assim continuarão seu caminho.
Comicidade sombria
A ultra-violência que o jovem autor propõe serve para dar leveza a temas sombrios que estão ocultos sob a sombra de um blockbuster cômico. Não é preciso ser um gênio para enxergar por trás de tudo isso uma crítica à situação social, onde a violência doméstica não é algo vergonhoso, mesmo quando não se trata de lesões físicas, mas de traumas psicológicos, mesmo quando não envolve um homem (não é à toa que as heroínas são fundamentais aqui).
A ironia cruel de Kirill Sokolov se manifesta não apenas na trama principal de «Arrancar e Jogar Fora», mas na forma como ele contrapõe uma família aparentemente totalmente disfuncional a uma unidade social muito mais tradicional. Carcereiros hereditários (a matriarca interpretada por Olga Lapshina, seu filho limitado, interpretado por Danil Steklov, e o pai, cujo papel foi assumido por Vitaly Khaev, aquele mesmo «papai» da estreia de Sokolov), cujas vidas são programadas de ponta a ponta, cada um tem seu papel claro, e a harmonia dentro deste sistema pode até causar uma admiração vergonhosa.
É nesta família que ocorre a conversa mais importante de toda a história, quando a mãe, por vontade própria, quer «arrancar e jogar fora» o filho, enviando-o para navegar livremente em direção a uma vida diferente, não tão «desgraçada». Tão mais engraçada e ao mesmo tempo trágica parece a conclusão proposta pelo autor. Quanto mais fechado o sistema e mais amarras ele tem, menores as chances de romper este círculo vicioso.
Vale a pena assistir «Arrancar e Jogar Fora»
O segundo filme de Kirill Sokolov ficou mais coeso e orientado para o enredo do que o de estreia. Nele, o equilíbrio entre o visual chamativo e ousado e a narrativa é mantido de forma muito mais harmoniosa (a imagem ainda cativa e se destaca em relação ao cinema mainstream russo, mas agora o conteúdo semântico também não decepciona). Portanto, apesar dos temas comuns e do estilo já reconhecível do diretor, «Arrancar e Jogar Fora» — é um passo à frente para o autor, que acompanharemos de perto nos próximos anos, o que também recomendamos a vocês.
«Arrancar e Jogar Fora» a partir de 15 de maio no cinema online KION.
Trailer:
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