
"Drive My Car", baseado no conto de Haruki Murakami, repetiu o recorde de filmes japoneses no Oscar, recebendo quatro indicações (antes, a liderança isolada era do filme "Ran" de A. Kurosawa). Isso mais uma vez destacou o brilho e a procura pelas obr...
"Norwegian Wood", que participou da programação principal do Festival de Cinema de Veneza, foi dirigido pelo promissor cineasta vietnamita Tran Anh Hung, para quem esta foi a estreia no cinema japonês.
Na trama, o estudante Toru (Ken'ichi Matsuyama) luta para superar a perda de seu melhor amigo, que cometeu suicídio, e ao mesmo tempo se vê enredado em um triângulo amoroso com a namorada do falecido, Naoko (Rinko Kikuchi), e a colega de classe Midori (Kiko Mizuhara).
"Poesia", "Segredo e Luz"), em cujos trabalhos o papel principal é desempenhado pelo envolvimento emocional do espectador e pela transmissão a ele das sensações subjetivas de um herói maltratado pela vida (podem ser tanto lesões físicas quanto traumas emocionais). "Burning" não foi exceção. Nele, o autor reflete sobre a natureza da raiva e da violência, bem como sobre o arrependimento que se segue. E, um pouquinho, sobre piromania.
Embora este filme seja baseado na história de Murakami, ele também está ligado ao mundo das obras de William Faulkner. É uma história sobre um homem e sua raiva contra a vida e o mundo, retratando vividamente o sentimento de culpa.
Drive My Car (Doraibu mai ka, 2022)
"Drive My Car", do diretor Ryusuke Hamaguchi — a mais recente e, no momento em que este texto foi escrito, a mais bem-sucedida adaptação de Haruki Murakami. Vencedor do "Oscar" na categoria "Melhor Filme Estrangeiro" — é uma adaptação livre de três contos da coletânea "Homens Sem Mulheres":
- Drive My Car — a base do filme "Drive My Car", história sobre um diretor de teatro e seu motorista;
- Kino — história sobre um cara que por muito tempo não tenta se esconder de seus sentimentos, mas sim aceitar a perda de sua amada esposa;
- Scheherazade — história sobre as histórias estranhas e misteriosas que uma mulher compartilha com um homem após o sexo.
No centro da trama do filme está o diretor de teatro Yusuke (Hidetoshi Nishijima), que luta com a perda de sua esposa e filho, enquanto encena a peça de Tchekhov "Tio Vânia", e sua nova motorista particular Misaki (Toko Miura), que se culpa pela morte de sua mãe.
Este filme meditativo de quase três horas fala sobre o desespero silencioso e as tentativas de superá-lo. Através de referências a Tchekhov, conversas sobre nada, pensamentos sentimentais. Hamaguchi, ecoando Haruki Murakami, dá atenção importante aos pequenos detalhes, àquilo que normalmente não notamos na vida cotidiana. Confissões com um copo de uísque, viagens noturnas para lugar nenhum, frases fragmentadas, trabalho monótono — tudo isso é elevado ao absoluto aqui, pois, no fundo, sem ver tudo isso, corre-se o risco de perder a própria existência. Especialmente quando se tenta lidar com a amargura da perda.
Por observações subjetivas, as adaptações bem-sucedidas de Haruki Murakami se distinguem por sua independência. Como se pode ver no texto, o melhor resultado é obtido quando os diretores tomam apenas a base da fonte original, seja um conto curto ou um romance completo, e a partir daí criam sua própria história, mas com o clima do autor japonês.
Se os cineastas conseguem transmitir a melancolia e a musicalidade do escritor, seu amor pelos detalhes e pelas personalidades dos personagens, o resultado são filmes notáveis. Resta esperar que, num futuro próximo, ainda vejamos adaptações das melhores obras do "pária do mundo literário japonês".
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