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O filme 'X' é como cruzar 'Garganta Profunda' com 'O Massacre da Serra Elétrica' e acompanhar tudo com um metacomentário cinéfilo. O resultado é algo sexy, brutal, divertido, espirituoso e infinitamente cinéfilo.

O estúdio A24 e seus projetos ousados, inovadores e, em muitos aspectos, experimentais — é amor. O novo trabalho do talentoso, mas criminosamente subestimado especialista em terror Ti West, 'X' (X) — é mais uma joia no portfólio do estúdio independente que não tem medo de dar sinal verde para as ideias mais ambiciosas e arriscadas. Desta vez, eles aprovaram um slasher demasiado explícito para os tempos puritanos atuais sobre a filmagem de um pornô no final dos anos 70.

Além dos gêneros baixos

Um grupo de entusiastas — o mentor idealista Wayne (Martin Henderson), sua jovem namorada Maxine (Mia Goth), sua colega mais velha de strip-tease Bobby-Lynn (Brittany Snow), o namorado de Bobby-Lynn, Jackson (Kid Cudi), o cineasta iniciante RJ (Owen Campbell) e sua namorada Lorraine (Jenna Ortega) — decidem filmar um filme pornô de arte chamado 'As Filhas do Fazendeiro'. Para autenticidade, os cineastas vão para um verdadeiro fim de mundo e alugam uma casa de veraneio de um estranho casal de idosos, Howard e Pearl.

X Ti West

Assim como RJ quer ir além do filme de sexo comum, escolhendo ângulos e ênfases incomuns, Ti West em 'X' tenta olhar mais amplamente para o gênero terror. Seu trabalho é ao mesmo tempo uma estilização hábil dos clássicos (várias cenas de abertura repetem literalmente o início do 'O Massacre da Serra Elétrica' original) e um olhar fresco sobre a estrutura estabelecida do slasher.

Todos vêm aqui pelo espetáculo, pelos membros decepados e litros de sangue falso, pelo sexo, afinal. Sabendo disso perfeitamente, West manipula habilmente o humor do público, misturando duas tramas simples e preparando-os para a parte mais suculenta do filme com franqueza (em todos os sentidos) nos detalhes. Nisso, o cineasta relativamente jovem lembra Quentin Tarantino, que também absorveu o DNA do cinema mais americano e sabe operar sutilmente com qualquer técnica de gênero em prol de um maior espetáculo.

Beleza fugidia, ou profundidade inesperada para um slasher

Vamos admitir honestamente: de um slasher, assim como de um pornô, não se espera reflexões coerentes ou pensamentos minimamente interessantes. É ainda mais agradável observar a presença deles no filme 'X'. O campo de batalha para o conflito local é a tese de que com a idade se perde muito, senão tudo: beleza, entusiasmo, expressão, desejos e a capacidade de sentir prazer. Nesse contexto, até a motivação dos antagonistas parece lógica e convincente, e o desenvolvimento previsível dos eventos já não irrita tanto.

X Mia Goth
Conteúdo de choque: neste quadro, duas Mia Goth

Além disso, Ti West trata seus heróis com uma ternura especial (na medida em que isso é apropriado em uma história sobre assassinatos em massa), algo que falta tanto nos slashers modernos, especialmente nas partes de franquias.

Aqui, a tela é preenchida por personagens vivos com um background simples, mas compreensível, e características interessantes e não padronizadas: Jackson é um veterano do Vietnã, o que dá novas facetas ao seu machismo, e Maxine sabe separar o trabalho dos sentimentos pessoais, mesmo quando se trata de sexo com outro homem. E isso torna as mortes de cada um dos heróis mais chocantes e cativantes, ao contrário, por exemplo, de , onde os personagens agem como NPCs, não causando emoções.

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Cinematografia nos detalhes

Ti West em 'X' mostra-se um verdadeiro cinéfilo. Ele faz malabarismos com técnicas visuais, alternando entre filme e câmera digital, mudando a largura do quadro e brincando com a luz para obter efeitos de cinema antigo. Aqui e ali, o diretor deixa referências aos clássicos: desde easter eggs falados em voz alta sobre 'Psicose' até uma referência engenhosa e invertida a 'O Iluminado' e referências mais nerds (por exemplo, ao filme Lewis Teague 'O Jacaré').

X assistir

Vale notar que Ti West conseguiu, quase despercebido por todos, filmar uma prequela de 'X' sobre a juventude de Pearl, que, naturalmente, foi interpretada por Mia Goth. E em uma entrevista, ele mencionou de passagem que essa história pode se transformar em uma trilogia completa. Bem, será interessante observar isso, e podemos parabenizá-lo por mais uma adição bem-sucedida à biblioteca de terror interessante. Recomendado para fãs do gênero!

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