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Remakes de filmes asiáticos têm a mesma probabilidade de sucesso de se tornarem 'Os Infiltrados' ou 'Oldboy'. 'Esconde-Esconde' é da segunda categoria. E nem mesmo o excelente Jonathan Rhys Meyers salva a situação.

A partir de 31 de março, estreou nos cinemas russos «Esconde-Esconde» (Hide and Seek) de Joel Moore — um remake do filme coreano homônimo de 2013, que já havia recebido uma nova leitura na versão chinesa de 2016. Como costuma acontecer, ao transportar o cinema asiático para os trilhos da máquina cinematográfica americana, perde-se muito: desde o espírito e autenticidade até os significados e subtextos. Neste caso, o diretor deixou de lado tudo o que era «supérfluo» e focou no visual e nas ações emocionantes. No entanto, mesmo isso, devido ao orçamento, dificilmente foi alcançado.

Casa, casa mística

Noah Blackwell (Jonathan Rhys Meyers) é rico e bem-sucedido, pois recebeu uma herança substancial do pai. Mas o caos irrompe em seu mundo luxuoso e já habitual, na forma de um fantasma do passado — seu irmão Jacob.

Noah recebe contas vencidas de um parente de um prédio residencial mofado, que outrora foi um hotel luxuoso. Na esperança de encontrar Jacob, Noah parte para o misterioso edifício, repleto de personagens coloridos e segredos, que lembram desesperadamente os eventos sombrios de sua juventude compartilhada.

Filme Esconde-Esconde

Em termos de exposição, o filme «Esconde-Esconde» está em perfeita ordem. Um protagonista ambíguo, que constantemente tenta lavar as mãos de algo, para que o espectador fique quebrando a cabeça sobre qual é o seu segredo. A aura mística do edifício semi-destruído, com uma avó silenciosa e suas bonecas matryoshka, uma menina de um olho só com uma risada contagiante e inscrições que aparecem nas paredes. E um roteiro que delineia vários tropos narrativos, sugerindo a possibilidade de ver algo mais do que um terror categoria B.

... e então acontece isso

E então, quando o espectador já está totalmente preparado para sentir arrepios com os fantasmas da casa misteriosa, se surpreender com a crítica inteligente à desigualdade social embutida na trama, tentar, junto com o herói de Rhys Meyers, se manter no balanço emocional, o filme «Esconde-Esconde» se desfaz em pedaços, como o reboco no prédio onde ocorrem os eventos principais.

Um episódio barato (em todos os sentidos: visualmente e em conceito) segue outro, personagens aparecem e desaparecem, a lógica da trama é derrubada por qualquer pergunta que surja no processo (e não serão poucas). Sente-se uma confusão desorientadora. Em um momento, o herói leva um soco na cara, e no outro, isso não importa mais para ninguém. Os personagens, em geral, reagem de forma estranha a tudo que acontece.

Por causa disso, os momentos de susto não assustam, o herói e suas ações não geram empatia, e as intrigas delineadas não mantêm a tensão. A gente só quer que tudo acabe logo. E isso com uma duração ultracurta para os padrões modernos, de pouco mais de 1 hora. Parece que, ao tentar elevar o grau de paranoia a outro nível, o diretor Joel Moore ele mesmo caiu em paranoia, que o levou para algum lugar errado.

Esconde-Esconde Jonathan Rhys Meyers

O único trunfo do filme «Esconde-Esconde» são as tentativas de Jonathan Rhys Meyers de dar profundidade ao seu personagem. Ele alterna com desenvoltura entre o modo de um pai de família bondoso e um homem obcecado pelo desejo de chegar à verdade a qualquer custo. Só que não há espaço para ele se desenvolver. A duração apertada, o desenvolvimento previsível do personagem e as tentativas de, Deus me livre, não entrar no território de algo mais complexo do que um simples filme de terror de entretenimento, tudo isso pesa. Mas será que isso é suficiente para assistir ao filme? Dificilmente.

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