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Chegou aos cinemas russos o novo filme do diretor norueguês Joachim Trier, 'A Pior Pessoa do Mundo'. Um drama profundo, um sério romance de formação, que à primeira vista se disfarça de uma leve comédia romântica sobre as vicissitudes do amor.

No centro da trama está a jovem Júlia, que oscila entre uma ocupação "para a vida toda" e outra, tentando encontrar seu lugar no vasto universo do século XXI. Paralelamente, ela conhece pessoas, se apaixona e parte corações. E tudo isso acontece em Oslo, ao fundo de belos pores do sol, noites langorosas e uma juventude exuberante sem olhar para trás.

Antes de mais nada, o filme escandinavo surpreende por ser muito americano. Pelo clima leve no início, pelas reviravoltas familiares e pelas ideias óbvias, 'A Pior Pessoa do Mundo' se aproxima de comédias românticas como '500 Dias com Ela', 'Quando Harry Conheceu Sally' ou até mesmo ''. E a atriz principal — Renate Reinsve — passa no teste de Hollywood quanto à aparência, nela é possível notar traços de estrelas como Dakota Johnson e Keira Knightley. Só a fala dos atores (no original) insiste em nos lembrar que tudo isso é criação dos noruegueses.

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Varvara Ulianenok
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A Pior Pessoa do Mundo

'A Pior Pessoa do Mundo' é dividido em 12 capítulos, prefácio e epílogo, transformando-se num análogo cinematográfico do romance que todos nós lemos ou estamos lendo agora. A vida da jovem lembra um caos, no qual ela simultaneamente busca estabilidade e continua a criar desordem. Às vésperas dos 30 anos, Júlia tenta encontrar sua vocação, entender o que quer de si mesma, das pessoas ao redor e do mundo. Ela tem problemas com um pai indiferente, incompreensão tanto com um parceiro mais velho quanto com um amante da mesma idade, cujas escolhas ela tenta imitar. Através de situações de vida complexas e tragédias devastadoras, a jovem aprende a se aceitar e a confiar na voz interior.

Todos que têm mais ou menos 30 anos agora conhecem esses sentimentos e problemas. Nessa idade, sofremos de ambições infladas, esperanças sem sentido e fé perdida. Um peso adicional na alma são as expectativas dos entes queridos, que podem contradizer as aspirações da própria pessoa. Joachim Trier mostra ao espectador que ninguém é único em suas adversidades e, ao mesmo tempo, único em sua interpretação (e reação a elas).

A Pior Pessoa do Mundo

No filme 'A Pior Pessoa do Mundo', o diretor compartilha uma das maneiras de tentar entender a própria vida. Ele sugere claramente que o tempo coloca tudo em seu devido lugar e, olhando para o passado, é possível ver o futuro desejado. E, ao mesmo tempo, Trier brinca com o fato de que, às vezes, momentos não planejados podem se tornar cruciais na vida, e nenhuma retrospectiva analítica é mais necessária. E nisso reside simultaneamente a comédia e a tragédia da vida.

Em 2021, em Cannes, a crítica recebeu com entusiasmo o novo filme de Joachim Trier, e Renate Reinsve ganhou o prêmio do festival. O filme também foi indicado ao Oscar de 'Melhor Filme Estrangeiro'. E não é surpreendente, pois o drama norueguês examina a dor de todos os trintões — a constante autoanálise em meio a infinitas possibilidades e liberdade de escolha no mundo moderno.

'A Pior Pessoa do Mundo' é sobre cada um de nós, todos somos os piores, porque todos tentamos corresponder às expectativas de alguém, seguir conselhos alheios em vez dos nossos próprios desejos, realizar sonhos que não são nossos. Mas, apesar da categoricidade dessas afirmações, ainda não somos sem esperança — e é nisso que reside o calor e a bondade do filme de Joachim Trier.