Preview image

O estúdio A24 produz filmes verdadeiramente dignos de atenção. E quais deles certamente lhe proporcionarão uma enxurrada de emoções — você descobrirá em nossa seleção.

Enquanto a grande máquina de Hollywood produz filmes pipoca monótonos em série, existe nos Estados Unidos outra abordagem para fazer cinema. Ela é personificada pelo estúdio A24, que em menos de 10 anos conquistou seu lugar ao sol e nos corações dos cinéfilos que amam filmes reflexivos, experimentais, vivos e autorais. A empresa já tem quase cento e cinquenta projetos únicos e inesquecíveis. Decidimos restringir um pouco a seleção e montar um top 10 dos melhores filmes do estúdio A24 dos últimos 5 anos. E mesmo isso foi difícil de fazer, tamanha a quantidade de coisas boas que eles lançaram nesse período. Portanto, se você não encontrar seu favorito na lista, fique à vontade para escrever nos comentários. Vamos lá!

10º lugar — A Ghost Story

A Ghost Story

O filme de arte de David Lowery mergulha em uma profunda reflexão meditativa sobre a banalidade da vida e a inevitabilidade da morte.

“A Ghost Story” do estúdio A24 é como uma sessão de psicoterapia para pessoas que sofreram uma perda. É um olhar lento sobre o mundo através dos olhos do Fantasma — o protagonista que vagueia por lugares outrora familiares, observando a enlutada Rooney Mara e tentando compreender a essência do ser. Lowry criou um drama minimalista e sincero que convida a um diálogo reflexivo, e não ao espetáculo que estamos acostumados a ver em filmes sobre forças sobrenaturais.

9º lugar — Good Time

Good Time

O filme dos irmãos Safdie lembra uma corrida interminável contra o tempo e as circunstâncias. Os eventos de uma única noite se transformam em um caleidoscópio de situações estranhas e loucas que, ao mesmo tempo, de forma direta em alguns momentos e metafórica em outros, pintam um panorama dos modernos Estados Unidos da América. Não aqueles dos cartões-postais com frases sobre o tal sonho, mas os reais.

Este filme também é maravilhoso pelo charme negativo e, de certa forma, animalesco de Robert Pattinson. Seu personagem não é do tipo que é celebrado. Não será imitado nem dado como exemplo. Não merecerá homenagens ou paródias. Mas dificilmente será esquecido.

8º lugar — Lady Bird

Lady Bird

À primeira vista, o que mais uma história de amadurecimento poderia ter de especial, quando já vimos centenas de filmes sobre isso? Mas a diretora Greta Gerwig conseguiu trazer frescor e franqueza para os clichês narrativos enraizados. Aqui estão os relacionamentos complicados da excêntrica protagonista, que exige ser chamada não pelo nome, mas pelo apelido, com sua mãe, questões de percepção da religião e a descoberta da própria sexualidade. E, no meio de tudo isso, não há nenhum esforço forçado. Episódios tristes se alternam com esquetes humorísticas. Bem como na vida.

7º lugar — Under the Silver Lake

Under the Silver Lake

Se você ainda não superou a repentina obsessão da internet por Andrew Garfield, é hora de rever este filme pouco conhecido do estúdio A24 com sua participação. E aqui ele é, definitivamente, a estrela. Garfield representa toda uma geração de homens obcecados por mistérios, easter eggs, significados ocultos e... perseguição? Sim, um pouco de stalker por uma garota não faz mal a um filme que definitivamente não é para todos. Ele é tão estranho e vai tão longe nisso que isso lhe confere charme. O sentido parece existir, mas ao mesmo tempo não. E a experiência se torna um exercício para o nosso cérebro – extrair pistas, captar a vibe de Hollywood, juntar tudo e depois perceber que estávamos olhando para o lugar errado.

Um olhar incomum sobre a cultura pop, a vida social, os caras comuns e um visual muito bom do ponto de vista técnico – é por isso que vale a pena assistir “Under the Silver Lake” e simplesmente relaxar sob os raios de sol da Costa Oeste.

6º lugar — Lamb

Lamb

Maria (Noomi Rapace) e Ingvar (Hilmir Snær Guðnason) vivem e trabalham em uma fazenda remota na Islândia. O casal não tem filhos, mas um dia descobre uma criatura misteriosa em seu celeiro e decide criá-la como seu próprio filho. Com ele, a felicidade chega primeiro à família, seguida por consequências terríveis.

O filme do estreante Valdimar Jóhannsson tornou-se uma sensação de bilheteria moderada da A24 no segmento de arte nos EUA, arrecadando impressionantes 2,5 milhões de dólares. O projeto combina biblismos, colonialismo (uso da terra alheia e seus frutos), e impressiona a imaginação com as paisagens islandesas — silenciosas, que veem através dos meros mortais e seus esforços na luta contra o tempo.

O filme se tornou mais uma joia entre os projetos do estúdio A24. O “filho” dos protagonistas se junta à fileira de animais memoráveis da produtora, fazendo companhia ao bode Black Phillip de “A Bruxa” de Robert Eggers, às gaivotas irritantes em seu “O Farol”, ao urso de “Midsommar”, à raposa de “A Lenda do Cavaleiro Verde”.

5º lugar — O Sacrifício do Cervo Sagrado

O Sacrifício do Cervo Sagrado

Após assistir “O Sacrifício do Cervo Sagrado” da A24, o espectador primeiro experimenta um vazio moral. Depois, um ataque de rejeição e incompreensão. Alguns, como estágio final, alcançarão a catarse – e Yorgos Lanthimos, como artesão, é notável por quantos de seus espectadores ele consegue levar ao estágio final sem perdê-los pelo caminho.

Filmes-parábola alegóricos com um toque de sobrenatural não são tão raros – podemos lembrar exemplos como “O Sétimo Selo” de Ingmar Bergman ou “Mãe!” de Darren Aronofsky. Apesar de a ação na tela se passar nos tempos modernos, a mitologia do que acontece torna o filme atemporal e, graças aos brilhantes trabalhos de atuação de Colin Farrell, Nicole Kidman e (especialmente) Barry Keoghan, você certamente não o esquecerá tão cedo.

O filme “O Sacrifício do Cervo Sagrado” é muito parecido com Martin, um dos personagens principais – cruel, mas justo; repulsivo, mas atraente; confuso, mas ridiculamente simples. E, simplesmente, muito bom.

4º lugar — Hereditário

Hereditário

Um thriller místico com o mínimo de sustos e suspense onipresente do diretor da nova geração de terror inteligente, Ari Aster.

“Hereditário” é uma performance assustadora que conta a história de uma família se desintegrando devido a segredos, onde cada um tem seu lado sombrio. Música opressiva, alucinações, um pouco de ocultismo e loucura, um enredo com duplo sentido e a atuação impressionante de Toni Collette — a receita para um terror cinematográfico de sucesso de Ari Aster, para quem “Hereditário” foi o primeiro longa-metragem, recebendo imediatamente altas avaliações.

3º lugar — O Farol

O Farol

Muitos textos foram escritos sobre “O Farol” do estúdio A24. Podemos mais uma vez lembrar seu simbolismo. O trabalho do diretor de fotografia, que remete aos filmes em preto e branco do século passado. As citações: de pinturas a mitos. Que o personagem de Robert Pattinson personifica Prometeu, e o personagem de Willem Dafoe, Proteu. Ou que este filme é, afinal, sobre loucura, especificamente masculina, e por isso quase toda a ação se passa no farol – um símbolo fálico. E que isso lembra fortemente a obra de H.P. Lovecraft, com sua loucura, tentáculos e deuses antigos. E que, além do confronto de imagens na tela, houve um confronto de diferentes abordagens de atuação (Pattinson entrava no personagem no set, enquanto Dafoe ensaiava muito).

Mas para que lembrar tudo isso, se dois atores maravilhosos passam quase 2 minutos aqui dizendo “o quê?” um para o outro e é infinitamente interessante de assistir?

2º lugar — A Lenda do Cavaleiro Verde

A Lenda do Cavaleiro Verde

O filme de David Lowery, “A Lenda do Cavaleiro Verde”, é baseado no poema do século XIV “Sir Gawain e o Cavaleiro Verde”. É uma história sobre as aventuras de Sir Gawain, herdeiro do Rei Arthur. O filme é ao mesmo tempo uma nova versão da obra e sua continuação.

O ator principal Dev Patel (“Quem Quer Ser um Milionário?”) conseguiu transmitir com precisão o processo de amadurecimento em “A Lenda do Cavaleiro Verde” – de um jovem garoto que sonha em se tornar uma lenda a um sábio ancião pronto para aceitar seu destino.

O tema principal da obra é a escolha. Os heróis de cada parte da história se deparam com ela. É a decisão de desafiar ou ficar em silêncio, lutar ou morrer, voltar para casa ou continuar a jornada. Mas o tempo todo, como se sussurrasse no ouvido, a pergunta: “Você é capaz de seguir o código de honra se não tiver ajuda extra?”

1º lugar — Midsommar

Midsommar

Por que “Midsommar” ocupa o primeiro lugar em nossos (e outros) rankings relacionados ao estúdio A24? Simples. É um dos poucos filmes de terror ou suspense que conseguiu. A equipe de Ari Aster conquistou a atenção do público com uma atmosfera perturbadora e um enredo, e continua a alimentar o interesse pela discussão dos temas e pela genialidade do filme entre críticos e espectadores três anos após seu lançamento.

O filme é memorável em cada detalhe assustador. O trabalho de câmera convida você a revê-lo repetidas vezes, pois como recusar a estética de uma comunidade fechada, os tons, as paisagens, os figurinos e as flores? Combinado com a trilha sonora, arrepios percorrerão seu corpo a cada emoção de Florence Pugh, que mereceu grande atenção da crítica justamente após esse papel. É um acerto certeiro no interesse do público e um sopro de ar fresco no gênero de terror. Já estamos indo para o interior para participar de um antigo ritual em um festival louco.