
O autor de «Dead Man» e do cultuado almanaque «Coffee and Cigarettes», Jim Jarmusch, raramente é tema de discussão. Mas o crítico de cinema russo Anton Dolin decidiu corrigir esse equívoco, dedicando um livro inteiro à obra do cineasta americano.
Sobre o principal «estrangeiro» no cinema americano — — não se sabe muito: ficou grisalho cedo, estreou conquistando Cannes, toca em uma banda de rock, escreve poesia, é amigo de músicos a vida toda. Mas o principal sobre ele é dito por seus filmes, que em sua maioria não têm começo nem fim. Porque o caminho para ele é muito mais importante do que o destino final.
Jim Jarmusch faz 68 anos! Lembramos por que amamos este diretor americano excepcional e diferente de todos.
Open materialO autor do livro «Jim Jarmusch. Poesia e Música», o publicista e crítico de cinema russo Anton Dolin, adota um esquema semelhante. Nele, ele aposta em uma cronologia inversa (semelhante à forma como o espectador comum conhece o trabalho da maioria dos cineastas). E as resenhas dos filmes são intercaladas com poemas originais (para os quais poetas profissionais foram convidados), escritos no estilo do cinema de Jarmusch, e ensaios musicais de especialistas do gênero. Não é à toa que se dedica tanto tempo à música e à poesia, pois são elementos fundamentais dos filmes do americano.
Não é apenas uma coleção de resenhas
As análises dos filmes neste livro são mais informativas do que críticas. O leitor não iniciado (e o espectador, consequentemente) ficará satisfeito com a explicação das referências e easter eggs, e com a presença de fatos interessantes. Por exemplo, você pode descobrir por que «Paterson» se chama assim. Ou quem serviu de fonte de inspiração para a criação do filme «Férias sem Fim». Spoiler: não o próprio autor, como comumente se acredita.
Também é interessante ler como Dolin traça traços comuns entre os filmes. Essas interseções realmente existem e em grande quantidade. E não importa se o filme é sobre vampiros, zumbis ou assassinos silenciosos.

Os heróis deste livro são solitários e marginais, músicos e escritores, andarilhos e taxistas, mortos e imortais. Todos são personagens de Jarmusch, que ele tira de sua sombra habitual e os torna protagonistas em seus trabalhos. Dá-lhes voz. Permite que os espectadores se reconheçam nesses párias.
Anton Dolin, no livro, explica e interpreta muitos momentos da obra do americano que poderiam permanecer incompreensíveis. Afinal, os trabalhos do diretor americano exigem um alto grau de erudição (às vezes inatingível). Após a leitura do livro, o quadro se tornará mais completo. Embora seja possível apreciar os filmes sem se aprofundar em todas as nuances.
E o que mais além das resenhas?
Logicamente, a maior parte do livro «Jim Jarmusch. Poesia e Música» é composta por resenhas dos filmes do diretor. Mas, para tornar a obra mais abrangente e envolvente, Anton Dolin adicionou algumas entrevistas que realizou com o cineasta. E, talvez, esta seção tenha sido a mais interessante. Quando a conversa se volta para o próprio diretor, seu retrato se torna mais completo, e aprendemos informações adicionais sobre os filmes e suas relações com os atores. Por exemplo, em uma das respostas, o americano menciona a pessoa que ele nomearia como presidente do Universo (se você assistiu aos últimos trabalhos de Jim, provavelmente adivinhará de quem se trata).
Não menos curiosos foram os ensaios dos críticos de cinema musical. Eles analisam a influência na música de personalidades como Iggy Pop, Tom Waits, RZA, que apareceram várias vezes nos filmes de Jarmusch e, às vezes, participaram da criação de suas trilhas sonoras.
Já os poemas são para gostos específicos. Eles têm um conteúdo muito metafórico e uma estrutura irregular. É compreensível que essa seja a intenção, pois de outra forma seria impossível alcançar a sintonia com a obra do protagonista do livro. E provavelmente o próprio gênio de cabelos grisalhos apreciaria essa abordagem. Mas, subjetivamente, os poemas poderiam ser mais fortes.
Resumindo tudo o que foi escrito, eu recomendaria este livro não apenas aos fãs do poeta e artista do cinema independente, mas também àqueles que gostariam de ver uma abordagem alternativa ao cinema e à vida em geral. Há realmente pensamentos valiosos e exemplos de destinos que podem fazer alguém reconsiderar seus valores.
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