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«Mar em Chamas» pega na fórmula padrão dos filmes de catástrofe e transforma-a num doce tão bom que até quem é indiferente ao género vai gostar.

Sinopse

Numa grande plataforma petrolífera ocorre um acidente. Após receberem imagens do local, os cientistas percebem que é apenas o começo e que todas as plataformas na área correm risco de colapso, o que causaria danos ecológicos colossais.

Simultaneamente, Sofia (Kristine Kujath Thorp) recebe uma notícia terrível – o seu amado Stian (Henrik Bjelland) está no epicentro da catástrofe e provavelmente morreu. Ela terá de tomar uma decisão difícil – acreditar nos especialistas ou, desafiando todos os protocolos de segurança, partir à procura de Stian.

Grande história pelos olhos de pessoas comuns

A técnica de retratar grandes eventos através da perspetiva de um pequeno grupo de pessoas não é nova. Desta forma, o espectador tem um avatar concreto através do qual sente toda a gravidade do que está a acontecer. O problema está em retratar as personagens suficientemente agradáveis para que queiramos simpatizar com elas, e suficientemente vulneráveis para que o nível de envolvimento seja elevado.

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Um exemplo de mau uso deste recurso é o recente «Chernobyl» de Danila Kozlovsky, onde o protagonista, na tentativa de o «humanizar», foi retratado como uma personalidade extremamente desagradável. Além disso, as suas capacidades sobre-humanas de sair ileso de qualquer situação matam qualquer tensão.

«Mar em Chamas», por outro lado, decidiu abordar a história de forma um pouco diferente. Clássica, mas interessante. Os protagonistas entram em paralisia e histeria, sofrem ferimentos e desistem por impotência, mas encontram sempre uma forma de não desanimar e continuar a lutar. Isto torna-os simultaneamente tão frágeis e humanos que torcemos por eles do primeiro ao último minuto.

Um bom começo é meio caminho andado

O filme beneficia muito da forma como nos mostra, de forma pausada, cenas da vida quotidiana e do trabalho das personagens. Elas têm desejos, objetivos e simplesmente vivem como pessoas reais, não como figuras de cartão. No curto espaço de tempo em que nos são mostradas relações humanas normais, quer queiramos quer não, acabamos por simpatizar com Stian, Sofia e o seu colega Arthur (interpretado de forma excelente por Rolf Kristian Larsen).

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Não há drama ou exaltação nas suas relações, mas isso não provoca menos sentimentos no espectador do que uma narrativa do tipo «faísca, tempestade, loucura». Esta calma e ternura são certamente cativantes – e funcionam muito bem em contraste com o enredo que se segue. Gostaríamos de ver mais deste equilíbrio tão bem conseguido no cinema.

A imagem do filme «Mar em Chamas»

É bastante difícil avaliar o cinema europeu em termos visuais quando, em Hollywood, eles enfrentam Nolans, Villeneuves, Marvels e outros mastodontes. Provavelmente, enquanto espectadores, já sofremos uma deformação nos critérios pelos quais avaliamos a qualidade da imagem e dos efeitos especiais.

E é ainda mais agradável que «Mar em Chamas» não tenha desapontado. Apesar de o foco estar na catástrofe, o realizador John Andreas Andersen, com o apoio dos diretores de fotografia, mostra-nos o suficiente para percebermos a escala, mas não tanto que queiramos encontrar defeitos na representação da catástrofe.

No geral, o filme não é tão rico em ação como estamos habituados no género, mas é mostrado e contado muito melhor do que muitos dos seus colegas dos EUA.

Pontos negativos?

A certa altura, deveria falar sobre os pontos negativos do filme, mas… não consigo pensar em nenhum. Se for mesmo forçar a barra, pode-se dizer que a estrutura do filme é bastante banal – é um clássico filme de três atos, sem grandes reviravoltas ou tentativas de chocar apenas pelo efeito surpresa. E quem vai ao cinema à espera de explosões e estrondos provavelmente não vai gostar muito, porque a concentração deles por segundo de ecrã não é assim tão alta.

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E no entanto… falta qualquer coisa ao filme. Enquanto apreciador de análise, tento frequentemente encontrar uma razão lógica para não ter gostado de algo, mas aqui não consigo explicar por que razão, apesar de todos os ingredientes visíveis de sucesso, «Mar em Chamas» não me causou entusiasmo, mas apenas um grande prazer. Talvez seja uma questão de limitações do género, que não me é muito próximo – ou talvez o facto de o filme não ter qualquer humor, o que o torna um pouco unidimensional.

Conclusão

Apesar do que foi dito, o filme é definitivamente muito bom. É moderadamente meditativo, moderadamente ativo, moderadamente dramático. Podemos apreciar o quadro tanto de fora, através dos olhos dos grandes chefes que tomam decisões difíceis, como de dentro, através da história intimista de duas pessoas que se amam. Em suma, se algo na crítica vos interessou – vejam o filme sem falta.

A VOLGA lançará o filme MAR EM CHAMAS / NORTH SEA nas plataformas de streaming a 31 de janeiro.