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O primeiro filme da franquia O Último Herói era ingênuo, mas divertido. O segundo tentou explorar o passado dos personagens. O terceiro simplesmente anulou as conquistas dos dois primeiros.

Sobre o que é o filme?

Ivan Muromets (Viktor Khorinyak) e Vasilisa (Mila Sivatskaya) se preparam para o casamento. Mas seus sonhos de uma vida familiar feliz terão que esperar, porque Galina (Elena Valyushkina), com o apoio de um misterioso cavaleiro negro, sequestra a noiva.

Agora Ivan terá que procurar sua amada na Moscou moderna, e seus fiéis amigos o ajudarão: Baba Yaga (Elena Yakovleva), Koschei (Konstantin Lavronenko), o Homem da Água (Sergei Burunov), o mago Svetozar (Timofey Tribuntsev) e o Bolinho (Garik Kharlamov).

Problemas com gráficos, adereços e maquiagem

Primeiro, vamos arranhar o fundo do baú… ou seja, passar pela superfície. Porque o aspecto visual dos filmes da franquia O Último Herói, graças à colaboração com a Disney, sempre foi bastante bom e inventivo.

O que vemos aqui? O rosto do Bolinho, que em uma cena não consegue se centralizar no modelo 3D e pula de um lado para o outro como um louco. O Pássaro de Fogo (Firebird) terrivelmente feito (aquele que supervisionou a atuação de Filipp Kirkorov tem um lugar especial no inferno). Fundos pintados que até mesmo em uma série americana mediana parecem muito mais convincentes. E isso é apenas sobre os pobres animadores, que carregam tantas outras coisas que simplesmente não conseguem lidar com a quantidade de trabalho.

O Último Herói: Mensageiro das Trevas

Maquiagem e figurinos/adereços também merecem menção especial. As mãos de borracha e sem vida de Baba Yaga e Koschei começam a distrair desde o início. A presença de uma cena em que Koschei vira de perfil e seu nariz postiço começa a brilhar ao sol causa perplexidade. A Espada Tesouro parece de plástico e nem de longe se parece com metal.

Problemas estruturais

O Último Herói é o exemplo mais óbvio de um filme de três atos. Historicamente, o segundo ato, que leva ao clímax, é o mais longo, mas se a introdução recebe um mínimo absoluto, isso não é normal. Ainda não tivemos tempo de lembrar bem dos personagens, e já estão pendurando as armas de Tchekhov e enfiando flashbacks importantes da trama.

Assim, o filme consiste quase inteiramente no segundo ato, que representa o conceito de "peixe fora d'água", quando heróis de um mundo se encontram em outro, estranho e desconhecido. E já vimos isso milhões, bilhões de vezes – desde "Ivan Vasilievich muda de profissão" ou a trilogia "", até "Encantada" ou "Os Smurfs". Caramba, até mesmo o primeiro "O Último Herói", em que Ivan caía em Belogorie, era sobre a mesma coisa, só que ao contrário!

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Nadezhda Vasilyeva
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Os autores tinham algo novo e relevante a dizer? Não particularmente.

Problemas temáticos (secundários)

Assim, silenciosa e imperceptivelmente, nos aproximamos das questões fundamentais. Porque problemas com o visual ou a duração dos atos podem ser ignorados, mas os temas e motivos principais devem ser, no mínimo, interessantes.

O Último Herói: Mensageiro das Trevas

Então. Temos uma trama principal e várias secundárias. Uma das tramas secundárias diz respeito ao relacionamento entre o Homem da Água e Baba Yaga, que foi desenvolvido ao longo das partes anteriores. Essa trama (ou melhor, a descrição da natureza de seu relacionamento e da distribuição de papéis no casal) é escrita principalmente para adultos que levarão as crianças ao cinema nas férias de Ano Novo, e representa um espetáculo extremamente desagradável com uma lição ruim para a geração mais jovem.

E não se trata de moralismo. O problema é que isso não é apenas um mau exemplo, mas também não é engraçado. Então, para que serve, se esse ramo não afeta a trama principal, não faz os adultos rirem e não é útil para as crianças? Para quê?

A propósito, isso é um problema com grande parte do humor neste filme. Uma criança de sete anos não pode (não deve, pelo menos!) entender piadas sobre Game of Thrones ou sobre as diferenças entre as tarifas "conforto" e "econômico" no táxi, mas os pais já as ouviram tantas vezes que elas simplesmente deixam de ser engraçadas. Por outro lado, não vamos criticar o filme o tempo todo? Quando ele tenta construir piadas no absurdo ou a partir dos próprios personagens, dá para dar algumas risadas.

Problemas temáticos (principais)

Agora – para a trama principal do filme "O Último Herói: Mensageiro das Trevas". Que tem problemas. Grandes problemas. Enormes problemas.

Primeiro, o plano da vilã principal Galina, que nos é revelado no final, depende tanto de um conjunto de coincidências que ninguém (nem mesmo Galina) teria sido capaz de prevê-las.

Segundo, o filme tem uma pequena reviravolta na trama que, por um lado, é adivinhada quase imediatamente e, por outro, perde completamente o sentido quando você pensa nela por mais de três minutos.

Terceiro, do ponto de vista puramente narrativo, todo o meio do filme pode ser felizmente eliminado – e nada mudaria, tão pouco ele influencia o curso dos eventos. Sim, tentam de alguma forma justificar o que está acontecendo, mas, novamente, tudo se desfaz após o primeiro argumento de um espectador experiente.

O Último Herói: Mensageiro das Trevas

E quarto, o final do filme é tão ruim que dá vontade de uivar. Sem muitos spoilers, vale apenas notar que ele desvaloriza completamente todos os eventos dos filmes anteriores. Ou seja, você e seus filhos assistiram aos três filmes em vão. Agora vivam com isso.

Vale a pena assistir à terceira parte do filme 'O Último Herói'?

Seria tolice dizer que este filme não agradará as crianças. Provavelmente, vai agradar. Afinal, eu também gostava, quando criança, de filmes e desenhos que hoje só me causam um sentimento avassalador de vergonha. 'O Último Herói' é colorido, coisas acontecem o tempo todo, e muitos atores se esforçam muito.

Mas com certeza não é um bom filme.