
Em 15 de dezembro, estreou 'Homem-Aranha: Sem Volta para Casa', o principal blockbuster da Marvel este ano. O projeto mais aguardado do inverno. O filme mais ambicioso do Homem-Aranha. O mais, o mais, o mais. Mas como o filme é DE VERDADE, você desco...
A trama do filme 'Homem-Aranha: Sem Volta para Casa' (Spider-Man: No Way Home) começa onde terminou a cena pós-créditos do filme anterior sobre o amigão da vizinhança. Mysterio, pouco antes de sua derrota (não acreditamos que ele morreu, certo?!) deixa uma gravação onde afirma que o Homem-Aranha é Peter Parker e que ele é o culpado por sua morte e pela destruição em Londres. E graças ao blog The Daily Bugle e seu apresentador J. Jonah Jameson (J. K. Simmons), o mundo inteiro fica sabendo.
Peter pode esquecer sua vida anterior. Ele é seguido por toda parte, acusado de todos os tipos de crimes, e agora entrar na faculdade não é tão fácil (enfatize o último). No entanto, Parker tem uma ideia maluca — recorrer ao Doutor Estranho, que conheceu na batalha contra Thanos. Ele pede a Stephen para fazer o mundo esquecer sua verdadeira identidade. O ex-Feiticeiro Supremo da Terra concorda, mas durante o feitiço do esquecimento, algo irreparável acontece. O universo literalmente começa a rachar pelas costuras, abrindo uma brecha para visitantes indesejados de outros universos.
Fan service puro
Os chefes do estúdio Marvel, em particular Kevin Feige, têm como objetivo surpreender o público a cada vez. Basta ver os high concept das séries 'Loki' e 'WandaVision'. No filme 'Homem-Aranha: Sem Volta para Casa', a tática escolhida foi a do fan service mais puro.
E daí?
É difícil surpreender com escala depois de 'Ultimato'. O visual inventivo já foi amplamente utilizado no segundo filme do MCU sobre o cabeça de teia. Fazer uma história interessante? Qual é, os projetos da Marvel não são sobre histórias bem escritas (com raras exceções).
Então por que não reunir uma salada de heróis e vilões há muito amados (ou não)? E, a julgar pela reação do público, que explodiu em aplausos a cada aparição de personagens conhecidos na estreia, essa aposta funciona. Aqui e ali, o filme traz citações que ecoam filmes anteriores do Homem-Aranha. Subtramas inteiras servem como recontagens livres dos trabalhos de Sam Raimi e Marc Webb. Para que inventar algo novo quando se pode repetir pela milésima vez o mantra sobre poder e responsabilidade, e todos ficam satisfeitos?!
Mas, francamente, em alguns momentos o fan service realmente funciona bem. Proporciona uma sensação de nostalgia. Torna possível o que há alguns anos parecia loucura absoluta. Quem diria que seria possível unir tão organicamente três franquias e três gerações de geeks.
Há muitas descobertas originais no filme em termos de interação entre os personagens. E não falta pós-ironia. Sem isso, em meio à bacanal que acontece na tela, seria muito ruim.
Mas durante a exibição, não sai a sensação de que, por causa de todo esse fan service, você já sabe cada passo da trama, cada fala dos heróis, cada piada. O diretor do filme 'Homem-Aranha: Sem Volta para Casa', Jon Watts, brinca com as expectativas do público de forma bem-humorada, mas não a ponto de não corresponder a essas expectativas.
Pode parecer exagero, mas o sucesso de um filme como este (do qual não há dúvidas) significará a vitória definitiva do fan service sobre o elemento criativo. Pelo menos dentro do universo cinematográfico da Marvel. São os fãs que agora ditam o que será visto no cinema (as séries, nesse aspecto, ainda se sentem mais livres). É a satisfação deles que será colocada em primeiro lugar em um futuro próximo, e não o valor artístico, por menor que seja. Isso é evidenciado pelo recente resultado de bilheteria modesto de filmes bastante experimentais, que tentaram sair da caixa do fan service e da fórmula habitual de ação da Marvel. E Feige e companhia terão o argumento de que 'tentamos, mas vocês não quiseram'.
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Open materialNenhum efeito uau
Jon Watts merece agradecimento por tentar saturar o filme 'Homem-Aranha: Sem Volta para Casa' com ideias interessantes. Por exemplo, privar o filme de super-herói do conflito tradicional entre protagonista e antagonista. Entram em cena reflexões sobre como até mesmo maníacos psicóticos merecem uma segunda chance. 'Não matar, mas curar', como diz um dos personagens.
O problema é que a transmissão dessas ideias foi extremamente tosca e pouco convincente. Em grande parte devido ao comportamento ilógico dos heróis. Durante a maior parte do tempo de tela, os personagens tomam decisões francamente estúpidas. Até os espectadores mais jovens podem ter perguntas a fazer. Se no caso de Peter Parker isso ainda é de certa forma explicável (até mesmo o desejo de sacrificar a estabilidade do universo para entrar na faculdade), afinal ele ainda é um estudante com psique instável, é difícil encontrar desculpas para os outros. E isso apesar de que um em cada dois deles é um cientista brilhante.
Talvez as lacunas na lógica (mesmo na lógica interna condicional de um blockbuster de quadrinhos) pudessem ser mascaradas por soluções visuais interessantes ou ação empolgante. Mas 'Homem-Aranha: Sem Volta para Casa' não pode se gabar de nenhuma das duas. A cena mais impressionante já foi mostrada nos trailers, e mesmo assim cheira a naftalina (algo semelhante Christopher Nolan fez há mais de 10 anos em 'A Origem'). E a batalha final nem provoca nada além de um sorriso torto — tão mal feita que hoje em dia nem em séries se faz ação assim.
E assim, a alegria descontraída e quase infantil de ver heróis amados do passado é 'compensada' por uma direção bastante medíocre. E todo o 'efeito uau' desaparece rapidamente.
Vale a pena assistir ao filme 'Homem-Aranha: Sem Volta para Casa'?
Uma enxurrada de perguntas sobre o roteiro, a direção, a produção e o fan service excessivo não permite apreciar adequadamente o que há de bom no filme. E isso inclui humor bem-sucedido, personagens carismáticos, um Tom Holland que finalmente interpreta bem o herói titular, e as descobertas já mencionadas. 'Homem-Aranha: Sem Volta para Casa' proporciona muitas emoções. Pena que são emoções não de assistir a um bom filme.
Trailer:
P.S. O filme tem 2 cenas pós-créditos, não perca. Elas também têm problemas de lógica, mas vão divertir e alegrar com a aparição de personagens interessantes.
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