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«Sem Movimentos Bruscos» é mais um thriller de Steven Soderbergh, que herda as características do género noir com um elenco de atores de loucos.

Anos 50, Detroit americana. Três bandidos, que se dedicam principalmente a pequenos furtos, são contratados para realizar um serviço numa segunda-feira comum. Dois deles devem fazer refém a família de um contabilista, e o terceiro deve retirar um documento do cofre no seu escritório. Inesperadamente, chega uma chamada, um dos assaltantes é morto e o caso toma um novo rumo. Um pequeno crime transforma-se num grande jogo, onde não se pode confiar em ninguém.

O regresso de Soderbergh ao seu género de eleição

— é um dos realizadores mais importantes da atualidade, que conseguiu prever os seus acontecimentos. Em 2011, realizou o filme «Contágio» — um thriller sobre como a humanidade luta contra uma doença mortal que começa com uma gripe, o que encontra semelhanças com o vírus de 2019. Além disso, é um dos maiores produtores: entre os seus projetos está a cerimónia dos «Óscares» desta temporada – a mais inesperada dos últimos anos, que decorreu em vários locais em simultâneo.

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Roman Kovalev
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Soderbergh é também um dos nomes mais prolíficos de Hollywood (os filmes saem quase todos os anos!), que experimenta constantemente não só com géneros, mas também com o lado técnico dos seus filmes. Filmou tanto com telemóvel («Sem Sentido», «Pássaro de Alto Voo») como com câmaras caras. O novo filme — «Sem Movimentos Bruscos» (No Sudden Move) — também surpreende pela sua componente visual. Steven trabalhou com iluminação natural, daí a abundância de cores saturadas e sombras no filme. A escolha de uma câmara de grande formato também é invulgar para este género: no ecrã predominam uma ou duas pessoas, filmadas em grande plano.

Sem Movimentos Bruscos 2021

Pelos indicadores iniciais, o novo filme do realizador prometia tornar-se uma sensação, nem que fosse porque Steven regressou ao seu género de eleição – o thriller criminal com múltiplas subtramas que explodem no final. O filme prometia ser uma estilização eficaz do cinema antigo, herdando as principais características do noir: atmosfera sombria, presença de um mistério, bem como a dissolução da fronteira entre o bem e o mal e, além disso, um elenco poderoso. Nos papéis principais, Don Cheadle, Benicio Del Toro, Brendan Fraser, Jon Hamm e David Harbour. No entanto, mesmo tendo estes trunfos na manga, Soderbergh realizou mais um filme banal que será esquecido dentro de alguns meses.

O que correu mal?

A principal razão para o insucesso é a data de lançamento nas plataformas online. Acontece que julho se tornou um dos meses mais movimentados da temporada, trazendo de volta aos cinemas os blockbusters de verão: estrearam «Viúva Negra» — a aguardada estreia de Kevin Feige, e a continuação do old school «Space Jam», bem como o novo filme de Shyamalan «Tempo» juntamente com um filme a solo do universo «G.I. Joe: A Origem de Cobra». Os apreciadores de filmes de autor puderam ir ao Festival de Cinema de Cannes, que se realizou após um ano de interrupção devido à pandemia. Por isso, um thriller intimista, ainda que com um bom elenco, tornou-se um outsider.

Outro insucesso é a confusão do que se passa no filme, que deixa o espectador a refletir após o final. Ao construir as subtramas desde o início do filme, no final o realizador dispara uma verdadeira salva, o que faz com que não se perceba imediatamente o desfecho. No entanto, a salva de tiros acaba por ser praticamente de festim: há tantos detalhes que é simplesmente impossível acompanhar tudo. Considerando que, no final, tudo leva a uma metáfora banal de «se queres menos que os outros, receberás um pouco mais», será que era necessário complicar tanto a história?

Assistir Sem Movimentos Bruscos

Outro problema significativo é que o elenco simplesmente não tem o que representar neste filme. As personagens são recortes de cartão, cumprindo as suas funções narrativas no grande jogo. Nem a participação especial de Matt Damon, que aparece perto do final do filme, salva a situação. E se as personagens principais ainda aspiram à simpatia do público, as secundárias são meros cenários de fundo, de quem ninguém se lembrará.

O filme também não escapará a comparações com os trabalhos dos irmãos Coen, Lynch e Hitchcock. Deste último, vieram a suspensão aberta, bem como uma linha narrativa que herda características do êxito de culto «Psico». O filme também lembra «Cidade dos Sonhos» — o projeto de Edward Norton, realizado no género noir, cuja ação também se desenrolava na América dos anos 50.

Vale a pena ver o filme «Sem Movimentos Bruscos»?

Inicialmente candidato a participar na temporada de prémios (pelo menos, o filme certamente poderia ter sido nomeado para os «Globos de Ouro»), «Sem Movimentos Bruscos» acaba por ser um filme mediano para uma noite, por isso não atinge nenhum patamar elevado. O novo projeto do realizador é um fracasso que será rapidamente esquecido.

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