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Um clone de "Gritos" ou um terror original? Um slasher típico ou o início de algo de culto? Contamos o que é "Rua do Medo. Parte 1: 1994".

A Netflix continua a experimentar com formatos e formas e, desta vez, oferece-nos uma trilogia de terror "Rua do Medo" baseada nas obras do escritor de culto R.L. Stine, que será lançada um filme por semana. A primeira parte tem o subtítulo "Rua do Medo. Parte 1: 1994" (Fear Street. Part One. 1994). E é uma verdadeira tralha, no bom sentido.

Estilização óbvia dos filmes de terror juvenil dos anos 90

Numa pequena cidade chamada Shadyside (também conhecida como Shittyside, na opinião dos vizinhos da próspera Sunnyvale), ocorrem regularmente eventos trágicos e misteriosos. Em 1994, surge um maníaco com uma máscara de Halloween que, sem motivo aparente, provoca um massacre num supermercado.

Rua do Medo 2021

Quer queira quer não (mas provavelmente quer), "Rua do Medo. Parte 1: 1994" evoca imediatamente nostalgia e associações a vários slashers juvenis dos anos 90, em particular ao maior sucesso da década, o filme "Gritos". Além disso, o realizador Leigh Janiak (que, por sinal, é esposa de Ross Duffer ("Stranger Things")) não copia cegamente o predecessor, mas antes faz uma homenagem, pois o cerne não está no assassino mascarado ou na ironia sobre o género.

As personagens são, na sua maioria, bastante estereotipadas no espírito dos anos 90, mas com ajustes às tendências atuais — o clássico casal apaixonado no centro da história é formado por lésbicas, o nerd que melhor sabe o que se passa é um rapaz negro rechonchudo, e o desordeiro pinta as unhas e usa roupas femininas. Ó tempos, ó costumes!

Rua do Medo Netflix

Dos atores, podemos destacar Maya Hawke (como o rosto mais conhecido do elenco) e Kiana Madeira, conhecida dos fãs da Netflix pela série "Trinkets". Quanto aos restantes, são tipos que cumprem estritamente as funções do guião, nada mais.

Os estereótipos também se transferiram para o enredo, mas com uma ressalva (mais sobre isso adiante). Dificilmente se surpreenderá com algumas reviravoltas, se tiver visto pelo menos 5 a 7 slashers juvenis do final do século XX. Pode divertir-se a fazer apostas sobre quem morre e em que ordem. Com grande probabilidade, conseguirá prever isso também.

Mas nem tudo é tão simples

O filme poderia ser considerado medíocre e de baixo orçamento. Afinal, está longe do nível de "Gritos" e, em termos de engenho, fica aquém de, por exemplo, "The Final Girls". Mas há dois "mas":

  • O filme não se leva demasiado a sério. O tom brincalhão e superficial parece dizer: "Ei, espectador, estamos aqui a brincar, vem connosco!";

filme Rua do Medo parte 1

  • O subtítulo "Rua do Medo. Parte 1: 1994" indica claramente que este é apenas o início da trilogia. Este facto por si só não surpreende, mas o facto de os autores terem decidido contar a história a partir do fim (a segunda parte abordará 1978 e a primeira 1666) é, no mínimo, curioso. E, após ver a primeira parte, já sabemos perfeitamente o que deve acontecer nas sequências. Como estas circunstâncias afetarão a experiência do espectador, saberemos em breve. Mas pelo suspense, já podemos agradecer.

Vale a pena ver o filme "Rua do Medo. Parte 1: 1994"?

A atmosfera dos anos 90 com música dos The Prodigy e Garbage, os tipos familiares e os truques narrativos para fãs de slashers, bem como a tentativa de criar uma narrativa não trivial com uma cronologia inversa ao longo de uma trilogia tudo isto distingue "Rua do Medo. Parte 1: 1994" das outras estreias de verão e pode não só desencadear uma onda de nostalgia, mas também proporcionar emoções meio esquecidas. Afinal, até o cinema de baixo orçamento pode ser bom.

Trailer:

P.S. É notável que Leigh Janiak tenha trabalhado anteriormente na série "Gritos". Que amor pelo trabalho icónico de Wes Craven.