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Se você sente falta de filmes ruins, «Insone» será um verdadeiro presente para você.

Após o sucesso de Bird Box com Sandra Bullock, a Netflix lança um novo filme de apocalipse de forma estável a cada ano, mas nada nem perto do nível daquele trabalho ainda apareceu. E «Insone» (Awake) não quebrou essa tendência. Embora a premissa fosse promissora…

O dia em que a Terra parou

Num belo dia, na Terra (e até além dela), toda a eletrônica parou de funcionar: não há luz em lugar nenhum, a maioria dos carros virou sucata inútil, os meios de comunicação perderam sua relevância. Mas o pior nem é isso — todas as pessoas pararam de…dormir. Todas, exceto a filha da protagonista (interpretada por Gina Rodriguez), chamada Matilda (Ariana Greenblatt). Quando isso se torna conhecido, todos querem a garota: de cientistas a fanáticos religiosos. Mas eles ainda não sabem do que uma mãe é capaz para salvar seu filho.

Insone 2021

Quando uma pessoa fica muito tempo sem dormir, seu cérebro passa por metamorfoses surpreendentes: a atenção diminui, a agudeza mental se desvanece, surgem paranóia e até mania. E, ao que parece, os autores do filme «Insone» tinham uma excelente plataforma para desenvolver um thriller psicológico cheio de ação, com o confronto entre religião e ciência e a exploração da natureza humana em circunstâncias incomuns, mas o potencial da história não foi usado nem pela metade. Uma cena icônica com a fanática religiosa de The Mist, baseada em Stephen King, supera todas as tentativas do filme da Netflix de entrar nesse território, tão tímida e sem dentes é a sua tentativa de mostrar como as pessoas, ao encontrar o desconhecido, mergulham de cabeça na fé, ignorando o bom senso.

«Insone» tenta, em grande parte, mostrar uma mãe forte, disposta a tudo pelos filhos. Mas isso também mal funciona. Dificilmente alguém se comoverá com as cenas em que a mulher ensina a filha a drenar gasolina de outros carros ou diz que é preciso ler livros para conhecer a vida. Ou seja, todo o componente emocional em que claramente apostaram não provoca essas emoções. E os diálogos, como se escritos por um aluno do ensino fundamental, só pioram a situação. Tudo isso junto indica um fracasso seguro e total do diretor Mark Raso («Kodachrome»).

Impotência técnica

Talvez a parte técnica do filme pudesse salvar a situação; afinal, «Insone» é um filme bastante dinâmico, com mudanças regulares de locações e tentativas de criar tensão. Mas aqui também o filme de Raso tem problemas constantes: uma edição francamente ruim, que nem sempre deixa claro o que está acontecendo na tela, e as locações mudam num estalar de dedos; um trabalho horrível com a iluminação (nos episódios noturnos, dá para furar o olho); a própria composição do quadro cheira não só a baixo orçamento, mas a naftalina (nenhum colorido, nenhuma solução visual memorável, NA-DA). Tudo é tão ruim em termos de cinematografia que poderia ser colocado em livros didáticos como um anti-exemplo exemplar.

Resenha de Insone

Vale a pena assistir ao filme «Insone»?

Neste filme, não há absolutamente nada a que se agarrar, nada que se queira destacar ou elogiar. Até a atriz Gina Rodriguez, que no geral é boa, é forçada a interpretar um personagem tão raso e desinteressante que dá até pena. E isso sem mencionar que, de alguma forma, Jennifer Jason Leigh foi arrastada para esse pântano no papel de uma cientista louca. Bem, louca como? Ela só quer fazer alguma coisa, mas nem ela nem o espectador entendem o quê. Loucura.

«Insone» é um fracasso, e assisti-lo é condenar-se a uma hora e meia de tempo perdido.

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