
Talvez o período mais intenso da vida de Tove Jansson tenha sido durante seu relacionamento com Vivica Bandler e Atos Virtanen, e é esse período que serve de base para este filme biográfico.
Em 27 de maio, estreia nos cinemas russos o filme "Tove", dedicado à famosa escritora finlandesa Tove Jansson, conhecida mundialmente por seus livros ilustrados sobre os Moomins. Mas a diretora Zaida Bergroth não fez uma cinebiografia típica recontando os eventos da vida da artista e escritora; em vez disso, tentou mostrar, através de seu exemplo, o papel que a liberdade, em todos os seus sentidos e manifestações, desempenha para uma pessoa criativa.
Liberdade criativa
Os eventos do filme "Tove" se passam na Finlândia do pós-guerra, quando a filha de um escultor renomado mergulha no mundo boêmio da criatividade, convivendo com outros artistas, escritores, teatrólogos e tentando alcançar o sucesso pintando quadros.
Nas horas vagas do trabalho em temas clássicos e pintura de edifícios municipais, Tove cria esboços caricaturais divertidos, mas os guarda na gaveta. Embora seu pai, adepto da arte tradicional, a incentive constantemente a deixar a ociosidade e se dedicar à arte verdadeira.
Já pela exposição fica claro que se trata de uma pessoa amante da liberdade, que não quer existir dentro dos limites estritamente definidos pelo ambiente. De um criador que no futuro conseguirá atrair a atenção por sua singularidade. De alguém que tem algo a dizer e mostrar ao mundo.
Curiosamente, os motivos da busca pela libertação criativa em Zaida Bergroth estão intimamente entrelaçados com as buscas amorosas de Tove Jansson, nas quais a liberdade também desempenha um papel quase fundamental.
Liberdade de amar
Como se sabe, Jansson era representante da orientação sexual não tradicional, e entre seus interesses amorosos estavam o jornalista e funcionário público Atos Virtanen e a diretora de teatro Vivica Bandler. Grande parte do tempo de tela é dedicada aos relacionamentos com essas duas pessoas, pois ambos desempenharam papéis cruciais em sua vida. A própria Vivica ajudou Tove a acreditar em seus desenhos estranhos e, posteriormente, encenou uma peça baseada em sua história.
Para avaliar adequadamente o que acontece na tela, é preciso entender um pouco o contexto da sociedade finlandesa da época, com costumes bastante livres. Não há nada de estranho no fato de que convenções (até mesmo o casamento) praticamente não desempenhavam nenhum papel nos relacionamentos entre as pessoas. Uma ilustração clara disso é a cena em que Tove propõe casamento a Atos, ou o relacionamento apaixonado, mas ambíguo, entre ela e Vivica.
Liberdade de autodeterminação
Somente depois de entender o que a criatividade significa para ela e que tipo de amor ela precisa, Tove se torna a personalidade que todas as gerações subsequentes de finlandeses e fãs devotos de seu trabalho conhecem.
Talvez essa seja a ideia principal do filme de Bergroth. E nesse contexto, ele funciona bem, ao mesmo tempo que dá o que pensar e mostra Jansson não como uma unidade criativa excepcional, mas como uma pessoa em busca de si mesma e de seu propósito.
Vale a pena assistir ao filme "Tove"?
Se você nunca ouviu falar de Tove Jansson, até mesmo um artigo na Wikipedia parecerá mais informativo e conciso do que o filme de Zaida Bergroth. O filme é uma obra modesta e lenta, na qual a sinceridade e a intimidade do que acontece, e o ângulo não tão óbvio para explorar a biografia da escritora lendária e seu caminho para a fama, são cativantes. Não é uma obra-prima, mas também não pretende ser.
Trailer:
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