
Spoiler: está tudo muito ruim.
No serviço Hulu, estreou a série de terror "Helstrom", baseada nos quadrinhos homônimos da editora Marvel. Só esse fato já chama a atenção para o novo show, mas a dura realidade rapidamente nos traz de volta à terra. A série se mostrou crua, de segunda categoria e nada assustadora, mas vamos analisar mais detalhadamente o que vimos no episódio de estreia.
Atenção: o texto pode conter SPOILERS menores
Drama familiar confuso e história chata de exorcismo
"Helstrom" conta a história de Daimon (Tom Austen) e Ana Helstrom (Sydney Lemmon), filhos de uma entidade misteriosa, que possuem superpoderes indefinidos. Enquanto um luta contra várias manifestações misteriosas do sobrenatural como exorcista, a outra mata pessoas a torto e a direito.
Daimon e Ana não se dão muito bem, mas unem forças para ajudar sua mãe possuída por demônios, Victoria (Elizabeth Marvel), que está trancada em um hospital psiquiátrico há algumas décadas.
E é aí que surge uma mistura curiosa e intrigante de drama familiar com uma história de exorcismo. Infelizmente, ambas as abordagens são executadas de forma medíocre e francamente entediante.
Todas as manifestações demoníacas encontradas no episódio de estreia de "Helstrom" se limitam a vozes não humanas de pessoas possuídas e uma telecinesia pouco convincente. Além disso, o elemento sobrenatural não contribui em nada para o desenvolvimento dos personagens-título e da história da família, fazendo parecer que todo o empreendimento era inicialmente sem esperança. Fica a sensação de que as relações dos personagens foram escritas de qualquer jeito, na esperança de que o véu do misticismo encobrisse tudo. Mas não deu certo.
Personagens mal escritos
Frequentemente, o ponto mais forte das histórias baseadas em quadrinhos são os personagens interessantes, que às vezes carregam enredos nem tão cativantes com carisma, habilidades únicas e assim por diante. E mesmo nisso, "Helstrom" não está bem.
Daimon Helstrom parece um típico herói positivo, com um conjunto previsível de falas, ações e emoções. Sua parceira do Vaticano, Gabriella, também não brilha pela originalidade. Além disso, a atriz Ariana Guerra não lhe acrescenta volume ou um pouco de vida.
Com Ana Helstrom as coisas são um pouco melhores, pois os autores tentam envolvê-la em uma aura de mistério e algo repulsivo (incluindo uma franja horrível), mas no geral isso é um pouco insuficiente para o quadro geral.
Nem os próprios Helstroms, nem qualquer outro personagem secundário, conseguem transmitir qualquer verossimilhança ou ter um background coerente. Cada um dos heróis cumpre estupidamente a função que os roteiristas, não muito engenhosos, criaram para eles, e nada mais.
Terror sem bons elementos de terror
No enredo da nova série do Hulu, fala-se repetidamente sobre demônios que iniciam uma guerra antiga contra a humanidade, e coisas do tipo. Soa alarmante e promissor. Na prática, o conceito de terror na série está presente apenas nominalmente. Há alguns sustos previsíveis, alguns momentos com exibição de membros decepados, mas tudo isso só pode impressionar aqueles espectadores que não assistem terror de forma alguma. Até mesmo na série "Demolidor", baseada nos mesmos quadrinhos da Marvel, há cenas mais brutais e violentas para espectadores não tão impressionáveis.
Há a sensação de que os autores de "Helstrom" decidiram que apenas os cenários do hospital psiquiátrico com o covil subterrâneo assustador seriam suficientes para assustar os espectadores. Mas não, não funciona assim. É até meio triste.
Resumo
A série "Helstrom" tinha boas chances de mostrar ao mundo que os quadrinhos da Marvel podem ser diferentes do que a Disney apresenta. Poderia ter sido uma história brutal e assustadora, com elementos sobrenaturais e cenas chocantes. Mas no final, recebemos um projeto com um roteiro que não chega nem ao nível da CW, ritmo narrativo fraco, atores que exageram ou não atuam o suficiente, e um posicionamento estranho. Parece que, com essa nota triste, terminou a era das séries da Marvel fora do serviço Disney+. Uma pena.
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