
«Eu Posso Destruir Você» é uma das séries mais corajosas e ambiciosas de 2020.
O canal HBO sente os potenciais sucessos a quilômetros de distância, assim como sabe reconhecer showrunners talentosos. Foi assim com «Betty» e Crystal Moselle, agora sua nova descoberta é a série «Eu Posso Destruir Você» (I May Destroy You), pela qual a pouco conhecida Michaela Coel é totalmente responsável (ela atua como roteirista, diretora, protagonista, e a trama é baseada em sua experiência pessoal).
Atualmente, novos episódios da série são lançados semanalmente no «Amediateka». Como a maioria dos episódios já foi ao ar, podemos falar de pelo menos 3 razões pelas quais você deve começar a assistir «Eu Posso Destruir Você» agora mesmo.
Razão nº 1 — Tema corajoso com abordagem original
A protagonista da história, Arabella, é uma escritora iniciante que precisa terminar seu segundo romance após uma estreia bem-sucedida. Ela não consegue fazer isso, então na noite anterior ao prazo de entrega do rascunho, para se inspirar e tentar se distrair, Bella sai para sair com conhecidos. Álcool, drogas, dança até cair — essa noite fica na memória da garota em pequenos fragmentos, em um dos quais ela é estuprada por um rapaz desconhecido.
O tema central de toda a série «Eu Posso Destruir Você» é a violência sexual. Uma abordagem nova? De jeito nenhum. É relevante falar sobre esse problema agora? Sem dúvida. Além disso, ao contrário do «Inacreditável», Coel escolheu um caminho e tom de conversa completamente diferentes.
Arabella sofre violência, mas não entende e aceita isso imediatamente. De certa forma, ela até tem curiosidade de entender o que aconteceu com ela e por que não se sente uma vítima. Ela praticamente não tem vergonha de falar sobre o ocorrido, não desvia o olhar em conversas desconfortáveis. Ao mesmo tempo, a autora brinca habilmente e com humor com a percepção do espectador, pois alguns episódios explícitos fazem deliberadamente pensar que a própria Bella é culpada e que isso é característico dela.
A série não enfatiza como lutar contra estupradores, não diz que todos ao redor são abusadores. Em vez disso, mostra que as pessoas podem reagir de maneiras diferentes a esse fenômeno. Pode ser depressão, pode ser um colapso emocional. A violência pode levar a uma reavaliação de algumas visões pessoais. E todos esses aspectos são abordados em «Eu Posso Destruir Você» de uma forma nova e importante. Pelo menos pela maneira incomum de abordar o problema da violência, esta série já vale a pena ser assistida.
Razão nº 2 — Equilíbrio bem-sucedido entre drama e comédia
Assistir «Eu Posso Destruir Você» também vale pelo hábil equilíbrio entre os gêneros comédia e drama. Sim, pela descrição pode parecer que uma série sobre violência é a priori desprovida de humor, mas não é o caso. Há muitas piadas sobre aplicativos de namoro e muitas provocações mútuas entre os personagens. Isso permite aliviar a tensão no momento certo.
Talvez a série possa ser caracterizada como um «drama disfarçado», pois, como sua protagonista, às vezes esconde a dor e o sofrimento por trás de uma fachada superficial. Nas tramas secundárias, fala-se de uma atriz fracassada, cujo único sucesso na vida é a amizade com uma escritora talentosa, ou de um gay que também sofre violência, mas quem acreditaria que isso é possível para um homem adulto? Não são as histórias mais alegres, para ser honesto, mas ainda assim cada uma delas tem uma nota de otimismo, seja a tentativa de encontrar novas facetas da própria sexualidade ou encontrar a si mesmo ajudando os outros.
Razão nº 3 — Realismo
Em alguns momentos, «Eu Posso Destruir Você» é assustadoramente realista. A experiência com drogas aqui não é marcada por canções e danças ao estilo de «Euforia», e o sexo durante a menstruação não ocorre sem um coágulo de sangue.
Para maior realismo, a câmera na série frequentemente muda para o modo «manual», e os personagens se expressam em uma linguagem coloquial quebrada. Isso não só parece impressionante, mas permite uma maior imersão na história e em seus personagens.
Talvez alguns detalhes desagradáveis, como cenas explícitas de violência, possam afastar parte do público. Ao mesmo tempo, não se pode dizer que alguns momentos foram adicionados para causar efeito ou choque; cada episódio desse tipo está presente de forma justificada e influencia o desenvolvimento da história. Certa sensação de rejeição ao que acontece na tela é obviamente o que Michaela Coel buscava e no que foi bem-sucedida.
Trailer:
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