
A série 'O Político' é uma 'House of Cards' para adolescentes ou um projeto ousado e ambicioso de Ryan Murphy? A resposta pode ser encontrada em nossa análise da segunda temporada do show da Netflix.
Sem muito alarde, a segunda temporada da série de Ryan Murphy e Brad Falchuk, 'O Político' (The Politician), estreou na Netflix em meados de junho. Ao contrário do controverso e, em grande parte, malsucedido projeto 'Hollywood', neste show da dupla de showrunners, a nova temporada só melhorou, e olha que já era quase o mais ambicioso e promissor entre as estreias do ano passado.
Nesta análise, você descobrirá o que cativa no protagonista Ben Platt, quais erros da temporada de estreia foram corrigidos por Murphy e sua equipe, e por que vale a pena começar a assistir esta série, caso você a tenha perdido.
Erros do passado
Na primeira temporada, 'O Político' tentava agradar a todos ao mesmo tempo, mantendo-se uma série única e inimitável. Essa coragem e, de certa forma, ousadia, ao mesmo tempo beneficiavam e prejudicavam visivelmente a obra. Em 8 episódios, o show oscilava entre a sátira explícita da política moderna e os meandros de uma história de amadurecimento, a descrição dos mecanismos das campanhas políticas se misturava com dramas adolescentes, e tudo era temperado com inserções no estilo de musicais (não esquecendo que Murphy e Falchuk têm o cultuado 'Glee' em seu currículo).
Com esse conjunto de ingredientes, é difícil agradar ao espectador, pois o público muitas vezes é segmentado, e as pessoas que querem assistir a um musical dificilmente se interessam por retórica política.
Na segunda temporada, os criadores moderaram um pouco seu entusiasmo e colocaram a narrativa nos trilhos da coesão. A ambição não diminuiu, afinal, desta vez Payton (Ben Platt) está concorrendo ao senado de Nova York, mas assistir a tudo ficou mais fácil e agradável. As incursões no território do drama diminuíram visivelmente e se tornaram mais seguras e compreensíveis, houve apenas uma música em todos os 7 episódios, mas ela foi adequadamente inserida no enredo, e as questões políticas também foram simplificadas em prol de maior dinamismo e espetáculo.
Novos personagens
Se na primeira temporada o foco eram as eleições escolares, o nível dos jogos de bastidores era correspondente. Com a mudança para uma escala fundamentalmente diferente, a seriedade e as apostas aumentaram. Nos novos episódios, são demonstradas táticas 'baixas', como investigar o passado dos candidatos, vigilância, uso de 'infiltrados', hackeamento de smartphones e assim por diante. Como Murphy, Falchuk e Ian Brennan (produtor, roteirista e diretor do show) escolheram o caminho do otimismo, até os métodos mais sujos são apresentados de forma romantizada, e as consequências de cada delito não são punidas como aconteceria no mundo real. No entanto, não se pode deixar de notar a transição para manobras mais sérias.
Junto com a transição para eleições 'reais', novos personagens surgiram na história na forma da atual senadora vitalícia Dede Standish (Judith Light) e sua fiel aliada Hadassah (Bette Midler). Esses personagens não só se tornaram uma parte orgânica do elenco da série 'O Político', mas também adicionaram diversidade e outra perspectiva de pontos de vista, já que antes os adultos eram apenas um pano de fundo para demonstrar as ambições juvenis, e agora se tornaram oponentes de pleno direito da jovem geração. É ao tema da rivalidade entre passado e futuro que se dedica o arco central da segunda temporada.
Além disso, a dupla Midler e Light se mostrou incrivelmente cômica! As atrizes incorporaram os papéis como se realmente tivessem trabalhado lado a lado por anos. Quase todos os seus diálogos brilham com sagacidade, e as situações em que se encontram não podem deixar de fazer rir.
A estrela principal
Apesar da chegada de novos rostos ao elenco, e do papel bastante engraçado criado para a mãe do protagonista, interpretada por Gwyneth Paltrow, o principal trunfo do projeto 'O Político' continua sendo Ben Platt.
Observando a atuação inspirada e comovente desse rapaz, é difícil entender por que ele ainda não está atuando nos principais filmes de Hollywood e não recebeu os maiores prêmios (para ser justo, ele já foi indicado ao Globo de Ouro por este show). Platt claramente tem um futuro grande e brilhante, pois sente-se que ele atua com alma, e a paleta de emoções nele é imensa, o que o faz brilhar tanto em cenas cômicas quanto dramáticas. E nesta temporada, ele se tornou ainda mais convincente. Além disso, Platt canta de forma simplesmente incrível!
Tudo é tão bom assim?
Os criadores de 'O Político' fizeram um enorme trabalho de correção de erros, direcionaram a narrativa para o caminho certo, adicionaram personagens excelentes. Claro, não conseguiram evitar alguns deslizes. Aqui você tem tramas iniciadas às pressas que não levaram a lugar nenhum (por exemplo, sobre o relacionamento tóxico dos amigos de Payton ou sobre as exigências da personagem de Zoey Deutch, que os personagens esquecem no episódio seguinte), sentimentalismo excessivo e alguns 'deuses ex machina'. Mas são detalhes em comparação com as emoções vivas que a série provoca ao ser assistida. Se por algum motivo você perdeu este projeto ou está ouvindo falar dele pela primeira vez, pode começar a assistir sem medo, não se arrependerá.
Trailer da 2ª temporada:
Comentários
0Ainda não há comentários.
Entre para participar da conversa.