
O projeto da Netflix 'After Life' ganha dinamismo na segunda temporada, dedica mais tempo aos personagens secundários e ainda sabe como divertir.
Um dos principais eventos de abril na Netflix foi a estreia da segunda temporada da série 'After Life', que é um verdadeiro benefício do comediante Ricky Gervais ('The Office'), atuando como produtor, diretor, roteirista e protagonista do projeto.
Em vez de uma resenha clássica, hoje propomos que você considere os prós e contras da segunda temporada do projeto, que pode ser chamada de verdadeira joia entre as séries atuais que equilibram comédia e drama.
Para começar, lembramos que o centro da trama é um homem de meia-idade, Tony (Gervais), que está sofrendo a perda de sua amada esposa e trabalha em um jornal gratuito de uma pequena cidade cheia de personalidades excêntricas. O herói luta contra o desejo de cometer suicídio e tenta encontrar forças para viver quando parece que não há sentido nisso.
Vamos direto à análise do que vimos na segunda temporada do projeto.
A seguir, SPOILERS para quem ainda não viu os novos episódios
Contras da 2ª temporada de 'After Life'
Uma das desvantagens da continuação do show pode ser chamada de psicólogo irritante (Paul Kaye), a quem o cunhado de Tony recorre em busca de ajuda depois de ter dificuldades na vida familiar.
É claro que o conceito de que em uma cidade pequena todos enlouquecem à sua maneira também se aplica a esse personagem, mas ele recebe criminosamente muito tempo de tela.
Não há queixas sobre o ator, ele parece brilhante e facilmente causa repulsa, mas Gervais não conseguiu explorar totalmente a presença de tal personagem de forma engraçada. Cada aparição do psicólogo é marcada por uma tonelada de vulgaridade e monólogos de nível adolescente. O auge desse mal-entendido é a observação do personagem de que todo homem normal deveria querer transar com Hitler.
Do personagem desnecessário na história, passamos ao humor. 'After Life' ainda pode se gabar de piadas incrivelmente espirituosas sobre vários tópicos, da morte a distúrbios psicológicos. No entanto, a concentração de piadas bem-sucedidas em comparação com a temporada de estreia diminuiu visivelmente. Algumas piadas simplesmente não funcionam, causando não risos, mas um pouco de perplexidade. Isso se aplica principalmente aos personagens secundários, porque o próprio Gervais interpreta magistralmente até os momentos menos engraçados, tornando-os hilários.
A crítica ao humor não deve enganar, pois estamos comparando com o alto padrão estabelecido pelo início desta sitcom. Atualmente, é quase impossível encontrar outra série tão engraçada com abundância de humor negro.
Prós da 2ª temporada de 'After Life'
A principal diferença da primeira temporada na continuação é o desenvolvimento da influência dos personagens secundários. Esta não é mais a história de um homem e suas tentativas de lidar com problemas. Aqui, outros personagens ganharam mais tempo de tela e seus próprios arcos narrativos (Matt e suas dificuldades com a esposa, o carteiro e seus casos amorosos com Roxy, etc.). Isso pode ser considerado um ponto positivo da temporada, pois o desenvolvimento e a recusa do autor em ficar parado no mesmo lugar só inspiram respeito. E mesmo alguns problemas inevitáveis ao longo do caminho não mudam nada.
Outro ponto positivo da segunda temporada foi a excelente atuação. Nem vale a pena falar muito sobre o trabalho de Gervais aqui. É simplesmente incrível. Em um momento, ele pode fazer você rir alto com uma única frase, e em outro episódio, você mal consegue conter as lágrimas, entendendo a dor do personagem.
Muitos atores em papéis secundários também se saíram muito bem. Os monólogos de Kerry Godliman na tela do laptop ainda são incrivelmente tocantes, o carteiro com suas travessuras excêntricas diverte tanto quanto o protagonista, e a espontaneidade do colega de Tony, Lenny, não pode deixar de arrancar sorrisos. Cada membro do elenco adiciona um toque de algo mágico e real à história.
A emoção é o ponto forte da série de Ricky Gervais. Como já observamos, o projeto equilibra habilmente drama e comédia, fazendo-nos refletir sobre as coisas simples ao nosso redor, perceber detalhes que muitas vezes ignoramos em nossa correria habitual. As emoções são provocadas por piadas e situações absurdas em que os personagens se encontram. Não se pode deixar de reagir às tentativas de Tony de tornar o mundo um lugar melhor, o que contrasta fortemente com seu caráter.
Os momentos mais emocionantes, é claro, estão relacionados às memórias do protagonista de sua vida feliz com sua amada esposa. Essas cenas calmas e aparentemente simples podem emocionar até os espectadores mais contidos.
E, claro, o principal ponto positivo da temporada, assim como de todo o show 'After Life', é o gênio de Ricky Gervais. Ele conseguiu criar um personagem convincente com convicções claras e visões peculiares da vida. Na segunda temporada, ele mostra ainda mais, dando ao seu personagem dinamismo e emoção. É improvável que o papel de um simples homem branco renda a Gervais prêmios importantes de cinema, mas o amor do público, parece que ele conquistou, e não pela primeira vez.
E o que você gostou ou, ao contrário, não agradou na segunda temporada de 'After Life'?
Comentários
0Ainda não há comentários.
Entre para participar da conversa.