Como era antes - a startup tornava uma função mais conveniente do que as grandes corporações. Gastava cerca de seis meses nisso. Lançava o serviço, as pessoas começavam a usá-lo, conquistava audiência e tomava um pequeno mercado da corporação. Era mais fácil comprá-la do que espremê-la, pois a corporação também teria que gastar 5-6 meses no desenvolvimento, e a startup nesse tempo já cresceria ou até se venderia, junto com sua audiência, para concorrentes. Para isso eram necessários os investimentos: enquanto a corporação "coça", a startup, com o dinheiro do investidor, escala e toma a maior fatia possível do mercado. Depois, vende-se para a corporação por um valor bem maior. Se a startup não pega investimento, a corporação a copia em seis meses a um ano e recupera todo o mercado.

Depois veio a IA e todos os desenvolvedores ficaram felizes: agora podem, rápida e simplesmente, literalmente sozinhos, montar aplicativos em uma semana e lançá-los. Mas as corporações também aprenderam a fazer o mesmo, talvez um pouco mais devagar, mas não de forma crítica. E aí a matemática para a startup não fecha. Se a corporação vê uma onda de demanda, é mais fácil copiar o código, lançar uma alternativa, do que comprar. Todas as questões jurídicas levariam mais tempo. Não há mais motivo para comprar a startup, especialmente se a corporação oferece algum plus - integra a nova função ao ecossistema, fornece mais dados, simplesmente torna o serviço de melhor qualidade.

Exemplo? O aplicativo "onde tem gasolina". O criador o fez literalmente em alguns dias e imediatamente ganhou uma audiência de vários milhões de pessoas, muitas publicações na mídia. Mas enquanto ele pensava em como monetizar e desenvolver, todos o copiaram. T-Bank, 2GIS, Yandex lançaram alternativas. Mas adicionaram big data e se tornaram mais precisos: se no original os usuários marcam se há gasolina nos postos, o Yandex simplesmente puxou os dados do Yandex.Abastecimento e mostra exatamente onde tem gasolina, e através do acesso ao navegador ainda mostra onde tem fila.

Isso é um motivo para a startup pensar que a criação de código se tornou barata e rápida não só para você, mas para todo o mercado. Inovações que alguém fez e vende não podem ser sua vantagem competitiva. Agora a IA mudou o mercado de TI, e nos próximos anos os robôs mudarão o setor real. Como antes, é preciso buscar um diferencial que seja difícil ou demorado de copiar, e isso não é código.